Welbi Maia Brito - Jornalista e editor do Blog do Welbi
O cargo de vice-presidente da República muitas vezes é encarado pela opinião pública como uma figura puramente decorativa, destinada a cumprir agendas cerimoniais ou habitar a sombra do titular do Palácio do Planalto. No entanto, a história do país conta uma narrativa radicalmente diferente. Longe de ser um coadjuvante inexpressivo, o vice-presidente é, por excelência, o garantidor da estabilidade institucional — e, em muitas ocasiões, o verdadeiro protagonista das viradas de página da nossa República.
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Quem são os candidatos a vice nas chapas de Lula e Flávio BolsonaroDesde a Proclamação da República, em 1889, o Brasil já viu oito vice-presidências se transformarem em titularidades definitivas. O dado estatístico impressiona: quase 20% dos períodos presidenciais do país foram concluídos ou chefiados por vices que ascenderam ao topo do Executivo Federal. Diante de crises institucionais, tragédias de saúde, renúncias dramáticas e processos de impeachment, foi a robustez constitucional desse cargo que impediu o país de mergulhar em vácuos de poder ou rupturas democráticas.
A lista de vices que assumiram o comando definitivo do país atravessa os séculos e reflete os momentos mais agudos da política nacional. No século XIX, caberia a Floriano Peixoto consolidar a jovem República após a renúncia intempestiva do Marechal Deodoro da Fonseca. No século XX, o desenho da nossa história foi redesenhado em episódios dramáticos: Nilo Peçanha e Delfim Moreira assumiram após as mortes de Afonso Pena e Rodrigues Alves; Café Filho herdou a crise do suicídio de Getúlio Vargas; e João Goulart protagonizou um dos períodos mais tensos da Guerra Fria após a renúncia de Jânio Quadros.
Mais recentemente, na Nova República, a relevância do cargo desenhou os rumos econômicos e sociais contemporâneos. José Sarney assumiu a liderança da redemocratização após a trágica morte de Tancredo Neves antes da posse. Anos depois, caberia a Itamar Franco estabilizar uma nação sacudida pelo impeachment de Fernando Collor e dar o aval para o nascimento do Plano Real. Já em 2016, Michel Temer assumiu as rédeas do país após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, implementando uma guinada reformista na agenda federal.
Essa recorrência histórica transforma a escolha do candidato a vice-presidente em uma decisão de altíssima responsabilidade estratégica, e não apenas em uma moeda de troca para costurar alianças eleitorais e angariar tempo de televisão. O vice não é apenas o primeiro na linha de sucessão; ele é a apólice de seguro do regime democrático. Quando o titular falha, adoece ou perde as condições políticas de governar, é a legitimidade do vice-presidente que assegura que a transição de poder ocorra sob o manto da legalidade, mantendo os mercados estáveis e as instituições funcionando.
Portanto, subestimar a cadeira do vice é ignorar as lições mais contundentes do passado brasileiro. Em Brasília, o "número dois" está sempre a um sobressalto de distância de se tornar a liderança máxima da nação.

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