Para Doria, Geraldo Alckmin vai disputar o segundo turno e será eleito


Folha.com

Doria e Alckmin

Doria voltou a afirmar que não pretende assumir o lugar de Alckmin na disputa à Presidência. “O meu candidato à Presidência se chama Geraldo Alckmin. Ele vai disputar o segundo turno e será eleito”, afirmou. 

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (15), o ex-governador alcança 8% das intenções de voto e fica empatado com Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) no estado de São Paulo, seu reduto eleitoral. 

O ex-prefeito disse que trabalhará pelo crescimento de Alckmin no estado, uma vez que as eleições serão definidas pelo maior colégio eleitoral do país. Doria também afirma que a adoção de um discurso mais incisivo pelo governador é positivo tanto para agregar mais partidos em torno da sua candidatura e formar uma coalizão, quanto para conquistar votos.

Doria se comprometeu a mudar o tom da disputa pelo governo ao ser questionado se o ataque ao governador Márcio França, a quem chamou de “Márcio Cuba”, dizendo que o rival carregava uma bandeira vermelha e que a dele era verde-amarela, não seria ruim para um líder, aprofundando a divisão no país. 

“Você tem razão, respondeu. “Acho que temos que fazer uma campanha mais propositiva. Às vezes você tem algum arranca-rabo, faz parte do jogo democrático da disputa eleitoral, e é até bom porque campanhas muito insossas são campanhas chatas”, completou.

Diferentemente do que foi o discurso eleitoral para a prefeitura de São Paulo, no qual o tucano rivalizava com o petista Fernando Haddad, Doria disse que agora trabalhará em torno de propostas, pela defesa do legado de Alckmin e em como evoluir a partir do que foi feito pelo tucano. Avançar em privatizações e investir em tecnologia e inovação foram pontos defendidos por ele para diferentes áreas da administração pública.

O ex-prefeito também comentou os dados da pesquisa Datafolha, que mostram que 66% dos eleitores consideram que ele agiu mal ao renunciar ao mandato no início do mês e que sua reprovação atingiu 47% ao deixar o cargo.

Doria disse ter visto os números com tranquilidade e como sinal de que os paulistanos queriam que ele continuasse na prefeitura, pois gostaram do trabalho desenvolvido por ele. “Quem é bom, você quer ao seu lado. Quem você não gosta, você comemora quando vai embora”, afirmou.

Alckmin está otimista com novo quadro eleitoral sem ex-presidente Lula


Tucano deixou jantar sob comando de Kassab com apoio do PSD praticamente garantido

MARIA LIMA

Alckmin em coletiva de imprensa depois de ter falado para um grupo de investidores 
Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Intensificando a agenda para costura de alianças com partidos de centro, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, disse em jantar com a bancada do PSD do Nordeste, que está otimista com o quadro eleitoral “totalmente novo” com o ex-presidente Lula fora do páreo. No jantar que entrou pela madrugada sob o comando do presidente do PSD, o ministro das Comunicações Gilberto Kassab, Alckmin disse que o eleitorado órfão de Lula não vota no pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) de jeito nenhum e o quadro muda a partir de agora, quando o povo começa a perceber que Lula não é mais candidato.

O candidato tucano deixou o jantar na casa do deputado Fábio Faria (PSD-RN) com o apoio do PSD praticamente garantido. Os deputados do Nordeste discutiram com ele, basicamente, estratégias para conquistar o eleitor lulista do Nordeste. Todos colocaram o peso indiscutível de Lula no Nordeste, mas avaliaram que o voto é dele e , inelegível, não tem um candidato cativo na região.

Dos nove estados do Nordeste apenas os representantes da Bahia e de Sergipe anunciaram alianças regionais com o PT, mas a nível nacional devem seguir a aliança que vier a ser fechada por Kassab com Alckmin depois de ouvir as bancadas das outras regiões.

Segundo o ex-deputado Domingos Filho, pai do líder do PSD, Domingos Neto (CE), disse que após uma radiografia das composições em cada estados, todos os presentes disseram que seguirão a orientação de Kassab para o fechamento da aliança nacional, que deve convergir para Alckmin.

Kassab disse que ainda faltam cinco meses e meio de campanha e que até lá Alckmin , como nome com maior viabilidade, deve aglutinar apoios como o candidato do centro. Alckmin , que tem oscilado nas pesquisas com cerca de 8% das intenções de votos, considera que pode morder uma parte inclusive dos votos de Lula para começar a decolar.

— Com Lula inelegível muda totalmente o quadro. Daqui para a frente o povo vai começar a perceber que ele é inelegível, o que abre um grande espaço sobretudo no Nordeste. Bolsonaro deve começar a cair e em um segundo turno o eleitor do Lula não vai nunca para ele — avaliou Alckmin.

Outra parte da discussão foi sobre o discurso que Alckmin deve adotar na campanha para quebrar o cerco e penetrar no eleitorado lulista no Nordeste. Uma constatação é que será preciso quebrar na região a pecha de que o PSDB é o partido dos ricos e o PT o partido dos pobres. Uma das ideias é que Alckmin mostre sua relação, como governador de São Paulo em quatro mandatos, com os seis milhões de migrantes nordestinos no estado.

— Alckmin tem que mostrar que ao invés de ser um estado opressor, São Paulo em suas gestões foi um estado acolhedor e resolvedor das dificuldades desses seis milhões de nordestinos que para lá foram em busca de uma condição melhor de vida — defendeu o ex-deputado e ex-vice governador do Ceará Domingos Filho.

Alckmin anotou todas as sugestões. Outra ideia dada foi que ele estimule a candidatura do senador Tasso Jereissatti (CE), presidente do Instituto Teotônio Vilella e coordenador do plano de governo, e apontado como o único capaz de bater o atual governador Camilo Santana, do PT, que está fechando aliança com o MDB do senador Eunício Oliveira.

— Quanto mais Tasso diz que não é candidato mais ele sobe nas pesquisas. Ele me disse que só seria candidato se Anastasia fosse candidato em Minas. Anastasia já aceitou ser. Tasso candidato ajuda muito — disse o líder Domingos Neto.

O ministro Gilberto Kassab disse que o sentimento majoritário no PSB é apoiar Alckmin e que os deputados da bancada nos estados do Nordeste já tem alianças com o PSDB, com exceção de Bahia e Sergipe. Ele disse que o episódio Aécio Neves (PSDB-MG) , transformado em réu pelo STF, não terá impacto no fechamento dessa aliança com Alckmin.

— A campanha está correndo e as instituições estão funcionando. Alckmin tem uma candidatura posta. É importante mostrar o passado, mas agora o fundamental é mostrar o que será feito no futuro. Numa democracia, na hora da eleição, o eleitor quer saber é quem é o candidato — disse Kassab.

Sobre a possível candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, pelo PSB, que poderia começar com um patamar superior ao de Alckmin, Kassab disse que ainda tem tempo para que cada candidato mostre a que veio e o principal é que o tucano tenha um discurso sincero e não demagógico para o Nordeste.

— Ainda faltam cinco meses e meio. Dá tempo de reverter. Na prefeitura de São Paulo eu comecei com 3% das intenções de votos e acabei com 70% — disse Kassab, acrescentando que gostaria que o Centro tivesse um candidato único e o nome melhor preparado é o de Alckmin.



DEM hesita sobre Maia e busca pontes com tucano


Partido já iniciou diálogo com Geraldo Alckmin; dirigentes da sigla, no entanto, mantêm defesa de candidatura própria

Isadora Peron - O Estado de S.Paulo

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O presidente o DEM, ACM Neto e Geraldo Alckmin

A pré-candidatura ao Palácio do Planalto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), perdeu força e começa a ser reavaliada pela cúpula do DEM, que passou a procurar nomes como o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) para conversar sobre futuras alianças.

O primeiro movimento ocorreu na semana passada, quando deputados da sigla, entre eles o líder na Câmara, Rodrigo Garcia (DEM-SP), se encontraram com Alckmin em Brasília. O prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, também deve procurar líderes de outras legendas, que inicialmente manifestaram apoio a Maia, como PP, PRB, SD e PR, para “estabelecer pontes” e não fechar portas no futuro. Dois desses partidos já lançaram pré-candidatos próprios ao Planalto: o empresário Flávio Rocha (PRB) e o ex-ministro Aldo Rebelo (SD).

Mesmo diante do cenário adverso, porém, o DEM diz que vai manter a candidatura de Maia e que um eventual apoio a outro nome só acontecerá em junho ou julho. “Neste momento, ninguém avalia a hipótese de desistência”, afirmou ACM Neto.

O presidente do DEM tem dito que o centro deve se unir em torno de uma candidatura única para continuar no comando do País, mesmo que isso signifique abrir mão de lançar Maia à Presidência.

Réu, Aécio não deveria disputar eleição, diz Alckmin


O ex-governador de São Paulo disse que tucano vai se dedicar à sua defesa

Thais Bilenky - Folha.com

O ex-governador de SP Geraldo Alckmin 

O pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que o senador Aécio Neves (PSDB), réu acusado de corrupção e obstrução de Justiça, não deveria disputar a eleição deste ano.

Após evento do banco Santander, em São Paulo, nesta quarta-feira (18), Alckmin disse que não retira a declaração dada ao Grupo Bandeirantes mais cedo. “É claro que o ideal é que ele não seja candidato, é evidente”, afirmou à rádio.

A jornalistas, após a palestra, Alckmin disse que Aécio vai se dedicar à sua defesa. “Vamos aguardar que ele mesmo explicite. Evidente que ele deve estar refletindo sobre esse fato novo.”

O ex-governador paulista elogiou a iniciativa de Aécio, que após ser citado em delação da JBS, em maio de 2017, afastou-se da presidência do PSDB.

“O Aécio tomou a medida correta, se afastou da presidência do partido, ele próprio. Ele próprio tomou essa decisão. Tenho certeza de que ele vai refletir”, comentou.

O tucano afirmou que a situação do correligionário é diferente da do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso pela Lava Jato.

“Aécio não tem nenhuma condenação, o Lula tem duas. E é o imperador do PT”, afirmou Alckmin.

“O que nos diferencia do PT é que o PT desacredita das instituições, quer estabelecer descrédito especialmente do Judiciário”, disse.

Questionado sobre o impacto da situação de Aécio na eleição em Minas, Alckmin elogiou Antonio Anastasia, que deve disputar o governo do estado pelo PSDB. “Vamos ter um grande desempenho em Minas”, disse.

Sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça que encaminhou o seu caso de suspeita de caixa dois à Justiça Eleitoral, Alckmin disse que “nunca esteve na Lava Jato”. 

“Tem uma tendência se dizer que todo mundo é igual. Não é igual, é bem diferente”, afirmou.

Ao comentar decisão que tornou réus ex-presidentes do Metrô de SP, inclusive o secretário de seu governo e do atual Clodoaldo Pelissioni, o tucano manteve o discurso. 

“Justiça é para todo mundo. Não passamos a mão na cabeça de ninguém”, disse.

Rubens Barbosa vai coordenar política externa no programa de Alckmin


Painel da Folha

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Em 2001, o governador Geraldo Alckmin agraciou Rubens Barbosa com a Ordem do Ipiranga

Geraldo Alckmin trabalha para fechar nesta semana a coluna vertebral de sua equipe. Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil nos EUA, vai coordenar o capítulo de política externa do programa de governo do PSDB.

Entrevista de Geraldo Alckmin à revista PODER


Geraldo Alckmin se lança na corrida presidencial e fala com exclusividade com a revista PODER


Ex-governador de São Paulo se lança outra vez na corrida presidencial envergando valores muito paulistas: trabalho, autoridade, eficiência, assertividade, pressa e uma certa teimosia


Fábio Dutra e Paulo Vieira
Fotos: Roberto Setton


Geraldo Alckmim no Palácio dos Bandeirantes com os netos

Ao trocar o Palácio dos Bandeirantes por seu apartamento de cerca de 100 metros quadrados na zona sul de São Paulo, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin deixa para trás a mobília pesada e o conjunto algo irregular de quadros acadêmicos e modernistas, parte de um acervo de arte de que foi íntimo.

Mas se sai do Bandeirantes, o Bandeirantes não sai de Alckmin. Inquilino mais longevo da história do palácio, onde ficou por mais de 12 anos em quatro mandatos – fora os quase sete em que ali deu expediente como vice de Mário Covas –, o ex-governador ostenta valores que se confundem com a mitologia paulista: responsabilidade, autoridade, trabalho, pujança, efici-ência, assertividade, pressa – e um orgulho quase infantil de se considerar portador de tudo isso.

O mundo de Alckmin é 100% São Paulo, mas para ter chances de vitória na eleição presidencial, pleito em que se lança pela segunda vez na vida, é provável que precise incorporar novos ativos ao portfólio. Seu governo é avaliado pelos paulistas de maneira apenas regular, um downgrade em relação à média dos últimos sete anos, e nas pesquisas patina hoje com cerca de 7% das intenções de voto, bem atrás do deputado Jair Bolsonaro. Para piorar, o campo político em que Alckmin se situa, de centro, está congestionado. É verdade que as candidaturas só serão oficializadas no começo de agosto e até lá seu principal oponente, o ex-presidente Lula, deverá ter, preso ou não, limitada sua capacidade de transferir votos.

Foi contra Lula, aliás, que Alckmin disputou o segundo turno da eleição presidencial de 2006. Criticado por esconder na propaganda política o principal nome de seu partido à época, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e lutando para apagar a imagem que lhe foi pespegada na campanha, a de privatista – ou entreguista –, Alckmin naufragou, alcançando o prodígio inédito na história eleitoral brasileira de ter menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Considerado por seu “inner circle” como detalhista, a ponto de muitas vezes “enxergar a árvore, não a floresta”, o político recebeu a PODER na sala em que sempre despachou no Bandeirantes um dia após ter seu nome referendado pela Executiva Nacional do PSDB como candidato presidencial. À reportagem repetiu os números preocupantes do desemprego para marcar posição crítica em relação ao governo Temer – que seu partido apoia – e mostrou os mesmos gráficos que vem exibindo a outros jornalistas em inaugurações de fim de mandato. Nos diagramas, compara o desempenho de São Paulo com o Brasil em vetores como taxa de homicídios e responsabilidade fiscal. Também classificou de “fake news” discrepância apontada pelo jornal Folha de S.Paulo em seu discurso sobre a universalização das redes de esgoto nas cidades paulistas. Pelo andar da carruagem, irá usar a expressão da moda muitas vezes até outubro. A PODER ainda externou o desejo de, caso eleito, fazer logo em seu primeiro ano de mandato não uma, mas três reformas estruturantes: política (“a mãe de todas as reformas”), tributária e previdenciária.

Vê-se que Alckmin tem pressa, algo que nem mesmo o voraz bandeirante Raposo Tavares, mito fundador do paulistanismo, parece ter na cena retratada pelo pintor acadêmico Theodoro Braga no gigantesco tríptico que orna a sala de despachos do governador de São Paulo. No rumoroso atentado à caravana de Lula no Paraná, o ex-governador foi excessivamente veloz ao dizer que o petista “colhia o que plantava”. Não demorou um dia para emendar o soneto, tuitando que “toda forma de violência tem que ser condenada”.

O mundo de Alckmin é feito também de certa teimosia, em que as perguntas dos jornalistas são respondidas de maneira repetitiva, como se não passassem de mote para que o candidato possa declinar seu diagnóstico certeiro para o Brasil. Às vezes refuta, ou usa o expediente de chamar de fake news informações que embasam questões embaraçosas. Foi assim no Sábado de Aleluia, quando, ao inaugurar o ramal do trem que leva ao aeroporto de Cumbica, o político negou que a obra tivesse demorado 14 anos para ficar pronta, como apontaram os jornalistas presentes à cerimônia.Veja os principais trechos da entrevista.

Geraldo Alckmim em seus últimos dias no Palácio dos Bandeirantes

A hora é essa

“É um momento excepcional este que estamos vivendo, porque o PIB mundial deve crescer [em 2018] 3,9%, e o PIB dos países em desenvolvimento, de 6% a 7%. É um momento de grande liquidez internacional, e o país tem que crescer com sustentabilidade, não aquele crescimento cíclico, que você cai, cai, cai e daí dá uma subidinha.”

O legado e o diagnóstico

“A questão fiscal ainda não está resolvida, teve um déficit primário no ano passado de R$ 120 bilhões, em São Paulo tem 3 milhões de jovens na fila para aprendiz ou estagiário. O desemprego para o jovem é mais alto, então eu acho que se o país fizer as reformas, se tiver uma agenda de produtividade, de inserção internacional, dá para ter crescimento econômico sustentável. Mas há um grande risco de cairmos no populismo inconsequente. Quem paga a conta da irresponsabilidade fiscal não é o governante, é o povo, chegamos aí a mais de 12 milhões de desempregados.”

Reforma, reforma, reforma

Quem for eleito vai ter mais de 60 milhões de votos, a legitimidade é muito grande. O início de um novo governo é a hora de aprovar as medidas que demandam emendas constitucionais [que são aprovadas com três quintos da Câmara]. Pretendemos logo no início apresentar a reforma política, que é a mãe das reformas, a reforma tributária [em que vamos] transformar cinco tributos (IPI, ICMS, ISS, PIS e Cofins) num único IVA (Imposto de Valor Agregado). Só a reforma tributária pode, em dez, 12 anos, gerar 1,5% do PIB; e [também vamos apresentar] a reforma previdenciária, para fazer justiça com o trabalhador de menor renda, que é quem, por meio dos impostos indiretos, financia os altos salários do setor público. Nosso tempo é o da mudança.”

Geraldo Alckmim em seus últimos dias no Palácio dos Bandeirantes

Candidato da paz

“Queremos o apoio de toda a população, eu não vou fazer campanha contra A, B ou C, eu me inspiro no [ex-presidente] Juscelino Kubitschek quando ele dizia: ‘Percorrerei o Brasil de norte a sul pregando nas praças públicas a união nacional’. O povo está um pouco cansado de briga, quer que as coisas se resolvam, quer que o país avance.”

O apoio do PSDB a Temer

“O PSDB participou do processo dentro das normas constitucionais do impeachment [de Dilma], portanto tinha responsabilidade com o governo Temer, apoiou e continuará apoiando todas as medidas de interesse do Brasil. Eu fui contrário à indicação de ministros, achei que nós deveríamos dar apoio parlamentar, hoje é comum nos temas parlamentaristas você apoiar um novo governo. Vemos de forma recorrente, na Espanha e agora na Alemanha, a dificuldade de formar gabinete. Não precisávamos indicar ministros, mas a posição do partido foi indicar, não tem problema. Acho que houve avanços, você tem um quadro melhor, a inflação reduziu, a economia começou a dar sinais de recuperação. Agora os grandes desafios vão ser feitos pelo novo governo, você precisa ter responsabilidade fiscal, tem de fazer o Brasil crescer, não é voluntarismo, é trabalho e perseverança, [precisamos] melhorar políticas públicas, segurança, saúde, educação e diminuir a desigualdade.”

A diferença de 2006

“Acho que estou mais preparado, mais amadurecido. Quando eu era estudante de medicina fui fazer o Projeto Rondon, em Goiás, e num domingo eu e meus colegas fomos visitar Cora Coralina em Goiás Velho [hoje cidade de Goiás], tomamos um café com a poetisa e, no fim, na hora de ir embora, ela falou: ‘Meninos, guardem: todos nós estamos matriculados na escola da vida, onde o professor é o tempo. O tempo ensina’. Eu estou muito mais preparado hoje do que há 12 anos, as realidades brasileiras são muito distintas, o quadro hoje é mais grave, tem déficit primário. Gostei muito daquela eleição porque eu fiz pós-graduação em Brasil, percorri o país inteiro.”

Defeitos e virtudes

“[Uma virtude é que] Eu gosto de trabalhar, para mim não é sacrifício. Defeito? Às vezes sou meio impulsivo, você sempre deve respirar duas vezes, mas tem coisas na política que irritam. Tinha dias que eu achava que o [ex-governador] Mário Covas ia enfartar aqui.”

Minas Gerais

Minas é o segundo colégio eleitoral do Brasil, e nós tivemos uma grande notícia lá, o [Antonio] Anastasia, que eu chamaria de candidato natural, um dos melhores quadros que conheci, de formação técnica e espírito público, uma figura excepcional, acabou atendendo a convocação e vai ser candidato a governador [pelo PSDB] mesmo no meio de seu mandato de senador. Acho que é uma eleição muito provável. Sobre o Aécio [Neves], ele fez o que tinha que fazer, se afastou da presidência do PSDB, vai se defender, vai decidir se vai ser candidato ou não, eu diria que ele tem um serviço prestado a Minas Gerais. Se ele quiser participar [da minha campanha], poderá participar sem nenhum problema.”

Polícia

“A OMS [Organização Mundial da Saúde] diz que acima de dez [vítimas de homicídios por 100 mil habitantes] é epidemia. Fechamos no ano passado com 8,02 e no mês de janeiro 7,0. É a menor taxa do país. Nós temos 118 mil policiais, mais que as Forças Armadas da Argentina, e numa instituição desse tamanho você pode ter desvios, você tem que ter uma corregedoria duríssima, é impressionante o número de policiais demitidos a bem do serviço público. Temos uma corregedoria rigorosa, se tem algum desvio, pune, ela é conhecida no Brasil inteiro. O caso de Barueri [em que 17 pessoas foram mortas em 2015 numa ação da PM e de guardas civis municipais] não é regra, é exceção da exceção.”

Geraldo Alckmim em seus últimos dias no Palácio dos Bandeirantes

Narcos

“O grande problema hoje é o tráfico de drogas e de armas. Um dia uma senhora foi presa, ela estava grávida e deu à luz no hospital, ela não tinha antecedentes criminais, foi pega com 19 gramas de maconha e um papelote de cocaína. O que temos que fazer é combater o narcotraficante, e o contrabando também, junto com ele vem arma ou droga. O Brasil tem 17 mil quilômetros de fronteira seca com os principais produtores de droga no mundo. Por isso propus uma agência unindo inteligência, polícias Federal e Rodoviária, Forças Armadas, Abin [Agência Brasileira de Inteligência] e inteligência dos estados. Vamos chamar os países vi-zinhos, o crime não tem fronteira, não é problema do Rio, é do Brasil inteiro.”

A mudança do palácio

“Mudança é por conta da Lu [Alckmin], no armário não tem mais terno, camisa, já foi tudo embora. Foi um período de trabalho duro, sem sábado, domingo ou feriado. Tem uma vantagem de morar aqui, você atravessa o corredor e está em casa, moro dentro de uma repartição pública. Mas é um período da vida, ninguém é governador, você está [governador].”

Dona Lu

“A Lu trabalha como voluntária há 39 anos, nunca foi funcionária de nada. Lá em Pindamonhangaba [quando Alckmin foi prefeito, entre 1977 e 1982], fez a Feira da Fraternidade, movimentou a área social, sempre ajudou. Ela vai ter todo o papel nesta campanha.”

Paz de cemitério

Um dos índices preferidos de Alckmin em São Paulo é o da redução da taxa de homicídios, que era de 35 por 100 mil habitantes, em 2001, e caiu para menos de um quarto disso, em 2017, segundo dados oficiais. Mas as justificativas de praxe, como o investimento em inteligência policial, o combate sem tréguas às lideranças do crime etc., não são suficientes segundo especialistas. “A explicação para a redução dos homicídios é multifatorial, mas é preciso con-siderar o PCC nisso”, diz Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência, da USP. Para o pesquisador, o PCC, principal organização criminosa do Brasil, que tem em São Paulo seu grande balcão de negócios, é também responsável por uma certa “paz de cemitério” que ajuda a manter a violência em níveis menos escandalosos. A PODER Alckmin falou que facções criminosas formadas nas prisões vêm desde pelo menos os anos 1950 e que uma maneira de tentar resolver o problema é fazer um controle rígido do tráfico de armas e de drogas nas fronteiras.

Campanha de Alckmin se mostra otimista e diz que pesquisa é retrato o momento


"O eleitor começará a definir o seu voto a partir de agosto", diz nota oficial da campanha tucana

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Geraldo Alckmin 

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin oscila entre 6% e 8% das intenções de voto nos diferentes cenários testados. E em alguns dos cenários, Alckmin aparece ainda atrás do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB mas ainda não decidiu-se se será ou não candidato. Barbosa oscila entre 9% e 10% nos vário cenários apresentados aos eleitores.

Mesmo assim, os tucanos viram um dado positivo na pesquisa: sem o ex-presidente Lula candidato, Alckmin é o único nome capaz de vencer o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Nesse cenário sem Lula, se chegar ao segundo turno, Alckmin também empataria com Ciro Gomes (PDT) .Os tucanos criticam o fato de a pesquisa incluir no questionário de consultas candidaturas ainda não colocadas, como a de Joaquim Barbosa, e de Lula, inelegível pela lei da ficha limpa.

— A eleição está longe, mas um bom dado é que Geraldo vence Bolsonaro num provável segundo turno — avalia o ex-líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), vice-presidente nacional do PSDB e pré-candidato ao Senado na chapa de Alckmin.

Os integrantes do comando da campanha de Alckmin apostam que ele irá aglutinar alianças de partidos de centro, o que poderia ser reforçado com Joaquim Barbosa, de perfil de centro-esquerda. O tesoureiro nacional do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), diz que a pesquisa precisa ser vista com cautela neste quadro em que candidaturas seguras misturam-se a meras possibilidades — caso de Lula e Barbosa — criando cenários e números de relevância questionável.

— Números, aliás, que não permitem inferir qualquer tipo de evolução, já que todos os cenários apresentados diferem dos apresentados na pesquisa anterior do mesmo instituto. A campanha de Geraldo Alckmin está otimista com a receptividade encontrada nesse início de pré-campanha e com as alianças já encaminhadas. Pesquisas são retratos do momento. E o momento é de completa indefinição. O eleitor começará a definir o seu voto a partir de agosto — critica Sílvio Torres.

Já o secretário geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG), diz que o jogo está completamente aberto e o quadro sem Lula fragmentado. Ele acha que até julho não haverá grandes mudanças e só a o início da campanha na TV poderá introduzir mudanças substantivas.

— O Joaquim Barbosa primeiro tem que convencer o PSB, que não tem mostrado muito interesse em lançá-lo a partir de outras prioridades. Se conseguir legenda teremos um outsider competitivo, mas que não tem perfil conhecido, agrada a direita por conta do mensalão e desagrada por suas posições contra o impeachment e outras comportamentais. Só a TV mexerá com os números. Hoje a dispersão é grande, a mobilização pouca e o interesse do cidadão quase nenhum. O candidato do PT e o Geraldo crescerão — avalia Pestana.

A Assessoria do pré-candidato tucano Geraldo Alckmin, divulgou nota neste domingo na qual minimiza os resultados da pesquisa DataFolha. A nota diz ainda que o candidato está "otimista" com a receptividade que tem encontrado neste início de pré-campanha, e que os eleitores apenas começarão a definir o voto a partir de agosto.

"A pesquisa precisa ser vista com cautela neste quadro em que candidaturas seguras misturam-se a meras possibilidades, criando cenários e números de relevância questionável. Números, aliás, que não permitem inferir qualquer tipo de evolução, já que todos os cenários apresentados diferem dos divulgados na pesquisa anterior do mesmo instituto", diz a nota, acrescentando: "A campanha de Geraldo Alckmin está otimista com a receptividade encontrada nesse início de pré-campanha e com as alianças já encaminhadas. Pesquisas são retratos do momento. E o momento é de completa indefinição. O eleitor começará a definir o seu voto a partir de agosto".

Fonte: O Globo

Datafolha: Doria lidera disputa pelo governo de São Paulo

Paulo Skaf (MDB)
34
João Doria (PSDB)
33
Luiz Marinho (PT)
27
Marcio França (PSB)
22
Rogério Chequer (PARTIDO NOVO)
21
Lisete Arelaro (PSOL)
20
Alexandre Zeitune (REDE)
19
Rejeita todos/não votaria em nenhum
10
Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum
3
Não sabe
7

'Lula atrás das grades', artigo de Mario Vargas Llosa


Ex-presidente não foi levado à cadeia pelas coisas boas que fez, mas pelas más, a corrupção

O Estado de S.Paulo

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Que Lula, o ex-presidente do Brasil, tenha dado entrada em uma prisão em Curitiba cumprindo uma pena de doze anos de prisão por corrupção, e originado protestos organizados pelo Partido dos Trabalhadores e homenagens de governos latino-americanos tão pouco democráticos como os da Venezuela ou da Nicarágua, era algo previsível. Mas é menos previsível que tantas pessoas honestas, socialistas, social-democratas e até mesmo os liberais tenham considerado que foi cometida uma injustiça contra um ex-mandatário que muito se preocupou em combater a pobreza e realizou a proeza de tirar, aparentemente, cerca de 30 milhões de brasileiros de extrema pobreza quando esteve no poder.

Aqueles que pensam assim estão convencidos, aparentemente, que ser um bom governante tem a ver apenas com a execução de políticas sociais avançadas, e isso o isenta de cumprir as leis e agir com probidade. Porque Lula não foi levado à cadeia pelas coisas boas que fez durante seu governo, mas pelas más, e entre estas figura, por exemplo, a corrupção espantosa da companhia estatal Petrobrás e de seus empreiteiros, que custou ao castigado povo brasileiro nada menos que três bilhões de dólares (dois bilhões deles em subornos).

Além disso, aqueles que têm Lula em tão alta consideração esquecem o papel feio de alguém “que corre de um canto para outro levando fofocas” que atuou como um emissário e cúmplice em várias operações da Odebrecht – no Peru, Peru, entre outros países – corrompendo com milhões de dólares presidentes corruptos e ministros para que favorecessem essa transnacional com contratos multimilionários de obras públicas.

É por este motivo e outros casos que Lula tem não um, mas sete processos por corrupção em curso e que dezenas de seus colaboradores mais próximos durante seu governo, como João Vaccari ou José Dirceu, seu chefe de gabinete, tenham sido condenados a longas penas de prisão por roubos, golpes e outras operações criminosas. Entre as mais recentes acusações que recaem sobre ele, está a de ter recebido da construtora OAS, em troca de contratos públicos, um apartamento de três andares em uma praia do Guarujá (São Paulo).

Os protestos pela prisão de Lula não levam em conta que, desde a grande mobilização popular contra a corrupção que ameaçava sufocar todo o Brasil, e em grande parte graças à coragem dos juízes e promotores liderados por Sérgio Moro, juiz federal de Curitiba, centenas de políticos, empresários, funcionários públicos e banqueiros, foram presos ou estão sendo investigados e têm processos abertos. Mais de cento e oitenta já foram condenados e há várias dezenas deles que o serão em futuro próximo.

Nunca na história da América Latina havia acontecido algo semelhante: um levante popular, apoiado por todos os setores sociais, que, a partir de São Paulo, se espalhou pelo País, não contra uma empresa, um caudilho, mas contra a desonestidade, as más ações, os roubos, os subornos, toda a corrupção gigantesca que gangrenava as instituições, o comércio, a indústria, a prática política, em todo o país. Um movimento popular cujo objetivo não era nem a revolução socialista nem derrubar um governo, mas sim a regeneração da democracia, para que as leis deixassem de ser letra morta e fossem verdadeiramente aplicadas a todos igualmente, ricos e pobres, poderosos e pessoas comuns.

O extraordinário é que esse movimento plural tenha encontrado juízes e promotores como Sérgio Moro, que, encorajados por essa mobilização, deram-lhe um canal judicial, investigando, denunciando, mandando para a prisão uma série de executivos, empresários, industriais, parlamentares, funcionários, homens e mulheres de todas as condições, mostrando que é viável, que qualquer país pode fazê-lo, que a decência e a honestidade são possíveis também no terceiro mundo, se houver vontade e apoio popular para fazê-lo. Sempre cito Sérgio Moro, mas seu caso não é único, nestes últimos anos, temos visto no Brasil como seu exemplo foi seguido por inúmeros juízes e promotores que se atreveram a enfrentar os supostos intocáveis, aplicando a lei e devolvendo pouco a pouco ao povo brasileiro uma confiança na legalidade e liberdade que quase tinha sido perdida.

Existem muitas pessoas admiráveis no Brasil; grandes escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa ou minha querida amiga Nélida Piñon; políticos como Fernando Henrique Cardoso, que, durante sua presidência, salvou a economia brasileira da hecatombe e fez um modelo de governo democrático, sem jamais ser acusado de ação punível; e atletas e desportistas cujos nomes deram a volta pelo mundo. Mas se eu tivesse que escolher um deles como um modelo exemplar para o resto do planeta, não hesitaria um segundo para escolher Sérgio Moro, este modesto advogado natural do Paraná, que, após sua formatura, entrou na magistratura por concurso, em 1996. Segundo comentou, o que aconteceu na Itália na década de noventa, o famoso processo Operação Mãos Limpas, deu-lhe ideias e entusiasmo para combater a corrupção em seu país, usando instrumentos semelhantes aos dos juízes italianos de então, ou seja, a prisão preventiva, a delação premiada e a colaboração da imprensa dos meios de comunicação em troca da redução da sentença. Eles tentaram corrompê-lo, é claro, e é certamente um milagre que ainda esteja vivo, em um país onde os assassinatos políticos não são, infelizmente, excepcionais. Mas lá está ele, fazendo parte de uma verdadeira – embora ninguém a tenha chama disso – revolução silenciosa: o retorno à legalidade, ao império da lei, em uma sociedade na qual a corrupção generalizada a estava desintegrando impedindo de o “grande país do futuro” que sempre foi ao ser o grande país do presente.

A corrupção é o grande inimigo do progresso latino-americano. Faz estragos nos governos da direita ou da esquerda e um grande número de latino-americanos chegou a acreditar que é inevitável, algo como os fenômenos naturais contra os quais não existe defesa: terremotos, tempestades, relâmpagos. Mas a verdade é que existe e de fato o Brasil está demonstrando que é possível combatê-lo, se há juízes e promotores arrojados e responsáveis, e, claro, uma opinião pública e os meios de comunicação que os apoiam.

Por isso, é bom, para a América Latina, que pessoas como Marcelo Odebrecht ou Lula da Silva tenham sido presos depois de terem sido processados, concedendo a eles todos os direitos de defesa que existem em um país democrático. É muito importante mostrar em termos práticos que a justiça é a mesma para todos, os pobres diabos que são a imensa maioria e os poderosos que estão no topo graças ao seu dinheiro ou suas posições. E são precisamente estes últimos que têm maior obrigação moral de obedecer a lei e para mostrar, em suas vidas diárias, que não são necessárias transgressões para preencher essas posições de prestígio e poder que eles têm alcançado, pois isso é possível dentro da legalidade. É a única maneira pela qual uma sociedade acredita em instituições, rejeita o apocalipse e as fantasias utópicas, sustenta a democracia e vive com o sentimento de que as leis existem para protegê-la e humanizá-la mais a cada dia. /TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Número 2 do PT, José Dirceu pode ser preso esta semana


Os embargos apresentados por ele no TRF-4 serão julgados na quinta (19)

Folha.com

Ex-ministro José Dirceu sai da penitenciária para o segundo dia de trabalho 
Foto: Joel Rodrigues - Folhapress

O ex-ministro José Dirceu pode ser preso até o fim da desta semana. Os embargos apresentados por ele no TRF-4 (Tribunal Regional da 4a Região) serão julgados na quinta (19). Se negados, a detenção pode ser imediata.