'Início de governo é desordenado. O atual está abusando', diz FHC


Segundo FHC, a interferência da família do presidente Bolsonaro no governo é um fator de desestabilização

Gregory Prudenciano - O Estado de S.Paulo

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Fernando Henrique Cardoso 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o governo de Jair Bolsonaro está abusando da desorganização desde seu início, há um mês e meio. "Início de governo é desordenado. O atual está abusando", escreveu o tucano em sua conta no Twitter.

Segundo FHC, a interferência da família do presidente Bolsonaro no governo é um fator de desestabilização que afeta o país como um todo. Para o ex-presidente, "familiares" estão pondo "lenha na fogueira" ao invés de se ocuparem em debelar as dificuldades.

"Não dá para familiares porem lenha na fogueira. Problemas sempre há, de sobra. O Presidente, a família, os amigos e aliados que os atenuem, sem soprar nas brasas.", tuitou.

A publicação de FHC surge no contexto de uma crise que envolve o presidente Jair Bolsonaro, seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Pelo Twitter, Carlos desmentiu declarações do ministro e ainda publicou um áudio de Jair - compartilhado depois pelo próprio presidente - no qual o chefe do Executivo dispensa um diálogo com Bebianno.

As atitudes dos Bolsonaro têm gerado instabilidade no governo e críticas de parlamentares, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que julgam o imbróglio como prejudicial a andamento da reforma da Previdência, que deve ser levada ao Congresso na próxima semana.

Em seu tuíte, Fernando Henrique também alertou para a possibilidade da crise se espalhar para além do núcleo do governo. "O fogo depois atinge a todos, afeta o país. É tudo a evitar", concluiu o ex-presidente.

'Vocação para a picaretagem', artigo de Hélio Schwartsman


Reportagens mostraram que o PSL lançou candidatas de fachada

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Luciano Bivar, presidente do PSL, ao fundo, imagem de Bolsonaro


O PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, vai se revelando um partido bem picareta. Reportagens da Folha mostraram que a sigla lançou candidatas de fachada para manipular dinheiro do fundo público de financiamento de campanhas reservado para mulheres.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, sem ter como explicar as peculiaridades das operações, preferiu atacar a legislação, que estabelece uma cota mínima de 30% das candidaturas (e das verbas) para mulheres. Para Bivar, política é uma questão de vocação.

Cotas para Parlamentos funcionam? A literatura, como em tantos outros temas polêmicos, traz estudos que contentam a todas as freguesias. A comparação internacional é difícil, porque existem diferentes modelos de cotas. Há desde países, como Ruanda, que reservam cadeiras apenas para mulheres em eleições paralelas nas quais apenas mulheres podem votar, até nações como a Suécia, nas quais alguns partidos decidiram voluntariamente equilibrar melhor o gênero das candidaturas.

Para complicar mais as coisas, os efeitos de cada uma dessas alternativas variam conforme o sistema eleitoral. Uma cota partidária de candidatas significa uma coisa num modelo de listas abertas e outra, bem mais forte, num país que adota a lista fechada.

Se é lícito tirar uma lição geral dessa salada, acho que dá para afirmar que a adoção de algum tipo de cota tende a ampliar a participação das mulheres na política. Mas fazê-lo não é condição necessária para atingir um patamar elevado. Nos países escandinavos, mulheres já haviam superado a marca de 30% das cadeiras em 1990, antes da moda das cotas.

O Brasil está tão atrás na representação feminina (pouco mais de 10%, o que é menos da metade da média mundial) que eu penso que a utilização de uma cota “soft”, sem reserva de assentos, não nos fará mal. Ajudaria bastante se legendas como o PSL não pervertessem o sistema.


*Hélio Schwartsman - Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…".

'Intelectuais de posts e lives', artigo de Miguel de Almeida


Nova malta põe em cena somente o passado

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Folha de S.Paulo

A chegada de John Kennedy à Presidência dos Estados Unidos, em 1961, jogou luzes sobre vários novos intelectuais —a começar por Gore Vidal e seu “sparring”, Norman Mailer. Em geral, é assim que funciona: dentro do grupo político se destacam alguns pensadores. Ronald Reagan, em 1980, aumentou a potência de alcance do fero conservador William Buckley. No Brasil de JK, em 1956, houve a consagração de Celso Furtado e Helio Jaguaribe. Sob o derradeiro governo militar, apesar do chefe, vale dizer, brilhou José Guilherme Merquior. Na bagagem de FHC, em 1994, havia o filósofo José Arthur Giannotti. 

Em 2019, com a assunção de Jair Bolsonaro, em seu alforje vieram os intelectuais anônimos do Facebook, além do horoscopista Olavo de Carvalho e de pensadores como Ricardo Vélez e Ernesto Araújo. Para não ser acusado de misógino pela turma do #Metoo, poderia incluir Damares Alves, porém, ela ainda não ostenta uma obra com H maiúsculo.

Não se julga um governo apenas por seus atos (ou ausência deles). Muito do que ele provoca também integra seu corpo. A redemocratização de 1945 resultou no otimismo da bossa nova e na renovação do teatro brasileiro, ambos na década de 1950. Ou na glória suprema de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, de 1956.

O Brasil do PT, de longos 13 anos, teve uma partida inicial com galeria lindamente ilustrada por Aziz Ab’Saber e Paulo Freire, entre outros. Ao final e ao cabo, sobrou Gleisi Hoffmann e José de Abreu. Valha-me, Deus.

A pauta conservadora da atual gestão se equipara a uma missão evangelizadora, à semelhança da Companhia de Jesus. Como no Brasil Colonial, quando os jesuítas buscavam converter os gentios em cristãos e escravos, os intelectuais de turno orientam seus rebanhos sob a convicção pia de que suas ideias indicam o caminho ao paraíso —depois do dízimo.

A coligação “posts do Facebook e pastores” avança sobre os hábitos contemporâneos com uma sanha capaz de envergonhar os milicos de 64. Por certo o mundo andou muito rápido. Na década de 1970, discutia-se a chegada do divórcio ao Brasil (sob forte oposição da Igreja Católica). Hoje, fala-se da adoção de crianças por casais homossexuais com papel passado em cartório (duas vias autenticadas com testemunhas…). 

A nova malta intelectual põe em cena apenas o passado, ou a reinvenção do lampião. É creditado ao marxismo cultural a destruição da família. Até o papa Chico está em outra. E quem fala em fim da família, como o presidente Bolsonaro, encontra-se em seu segundo casamento (ao contrário de Haddad) e já se gabou de suas peripécias para “comer gente”, entre seus casamentos. Sexo não seria só para reprodução? Magoou.

Os posts ou lives dos novos intelectuais lutam por restaurar um mundo já em desuso. A retórica contra o comunismo escande oportunismo. Nunca antes neste país os bancos ganharam tanto como à época do petismo. 

A malta bolsonarista necessita ressuscitar os fantasmas do passado (mortos por própria incompetência) para buscar sobrevida. É como Trump, o ídolo deles: luta para construir o muro, só que sobre o muro continuarão passando os “bites” e "bytes" —estes, sim, inexoráveis e sediciosos. 


*Miguel de Almeida - Escritor e diretor dos documentários "Não Estávamos Ali para Fazer Amigos" e "Tunga, o Esquecimento das Paixões"

Agenda do governador João Doria 15/02 - São Paulo/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O Governador João Doria anuncia nesta sexta-feira (15/2), às 12h, a 1ª concessão rodoviária da atual gestão, em coletiva de imprensa após a reunião de secretariado.

Às 11h, a reunião será aberta para imagens.


Data: Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Horário: 11h (imagens) / 12h (coletiva)
Local: Palácio dos Bandeirantes - Sala de Imprensa - Av. Morumbi, 4.500 - São Paulo/SP

Bolsonaro aterrissa no laranjal do PSL e leva crise para o Planalto


Chamado de mentiroso pelo presidente, Bebianno pode cair atirando

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Bruno Boghossian - Folha.com

Liberado do hospital após 17 dias, Jair Bolsonaro embarcou no avião presidencial em São Paulo e pousou no meio do laranjal do PSL. As falcatruas dos aliados e as barbeiragens da família levaram para dentro do Palácio do Planalto as suspeitas sobre o esquema de candidaturas de fachada revelado pela Folha.

O novo governo mostrou mais uma vez sua inabilidade em construir barreiras para a contenção de crises. Acuado, Bolsonaro decidiu jogar na fogueira o ministro Gustavo Bebianno, que comandou o PSL durante a campanha eleitoral.

O auxiliar sofreu um ataque público inusual. Para negar rumores de que seria demitido, Bebianno declarou que havia conversado com Bolsonaro sobre os repasses financeiros feitos a candidatas suspeitas. O presidente e um de seus filhos fizeram questão de detonar a versão.

Em uma publicação nas redes sociais, Carlos acusou Bebianno de mentir sobre esses diálogos. Reproduziu ainda uma gravação em que Bolsonaro dizia ao ministro que não trataria do assunto. No fim do dia, o presidente repetiu essa informação.

Chamado de mentiroso pelo chefe, Bebianno perde condições de ficar no cargo, mas diz que não deixará o governo. É vergonhoso, aliás, que Bolsonaro escolha queimar um auxiliar em vez de apenas demiti-lo.

Uma eventual saída de Bebianno seria insuficiente para estancar a crise. Sua dimensão pode até crescer. O ministro sabe que tem responsabilidade pelos cheques que assinou pelo partido, mas também conhece o caminho do dinheiro. Exposto em praça pública, ele pode cair atirando.

Os primeiros alvos seriam o ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, que direcionaram os recursos para as candidaturas laranjas. Se a lei da gravidade funcionar, a queda da dupla será inevitável.

As sequelas do conflito podem ainda causar novas dores de cabeça em Bolsonaro. Homem de confiança do presidente na disputa eleitoral, Bebianno conhece como poucos aliados os segredos de sua campanha.

*Bruno Boghossian - Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).

Governo de SP realiza operação para transferência de presos


A transferência ocorre em cumprimento à decisão da Justiça do Estado de São Paulo após pedido do Ministério Público de São Paulo

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O Governo do Estado de São Paulo e o Governo Federal realizam, na manhã desta quarta-feira (13), operação integrada para inclusão de 22 presos no sistema Penitenciário Federal.

Os presos, líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), custodiados em São Paulo, estão sendo transferidos com a escolta do Departamento Penitenciário Federal (Depen) e da Polícia Militar de São Paulo para as penitenciárias federais. O isolamento de lideranças é estratégia necessária para o enfrentamento e o desmantelamento de organizações criminosas.

O trabalho integrado conta com a atuação da Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Força Aérea Brasileira (FAB), Exército Brasileiro, Coordenação de Aviação Operacional e Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O trabalho também envolve ações de inteligência em conjunto com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

'Governar não é tuitar', editorial do Estadão


Demanda presença, articulação, lucidez - isto é, tudo o que Bolsonaro, convalescente e a reboque dos filhos e dos aliados mais radicais, ainda não conseguiu oferecer ao País

O Estado de S.Paulo

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Jair Bolsonaro

A Constituição, em seu artigo 79, estabelece que o vice-presidente da República tem apenas uma função relevante: substituir temporariamente o presidente, se este se encontrar doente ou em viagem, ou suceder-lhe, se o cargo ficar vago. No caso de doença, por exemplo, a função presidencial obviamente deve ser exercida pelo vice enquanto o presidente não estiver restabelecido a ponto de conseguir retornar ao trabalho. Há uma razão comezinha para ser dessa forma: a administração do País e a tomada de decisões do governo não podem depender da plena recuperação da saúde do presidente, que pode demorar dias ou até meses.

É preciso que haja alguém com autoridade constitucionalmente reconhecida no exercício do cargo para deliberar sobre os assuntos do governo e orientar os ministros. Do contrário, haverá indesejável paralisia administrativa - como a que o País assiste agora em razão da prolongada internação do presidente Jair Bolsonaro.

Inexplicavelmente, Bolsonaro reassumiu seu cargo apenas 48 horas depois de uma cirurgia de sete horas de duração, realizada no dia 28 de janeiro, para a reconstituição do intestino, atingido no atentado à faca que sofreu ainda na campanha eleitoral, em setembro do ano passado. Conforme os boletins médicos, a operação foi bem-sucedida, e a equipe que o atendeu estabeleceu inicialmente um prazo de dez dias para a recuperação do presidente, mas mesmo esse prazo se mostrou otimista demais. Jair Bolsonaro continuava internado duas semanas depois da cirurgia, período em que o presidente apresentou quadro de pneumonia e febre.

Nesse meio tempo, em vez de delegar suas funções para o vice-presidente Hamilton Mourão, conforme estabelece a Constituição e manda o bom senso, Bolsonaro julgou que poderia logo retomar a dura rotina presidencial - até mesmo uma espécie de gabinete foi montado no quarto do hospital para que ele pudesse despachar. No dia 31 de janeiro, Bolsonaro chegou a fazer uma videoconferência com um ministro e a telefonar para outros, mas logo teve de interromper esse trabalho por ordens médicas - o presidente não poderia nem sequer falar, que dirá encontrar-se com ministros e tomar decisões de Estado. O repouso deveria ser absoluto.

Está claro que, nessas circunstâncias, o vice Hamilton Mourão deveria ter assumido o cargo, pois há diversas decisões à espera do aval do presidente, como a formatação da reforma da Previdência, para ficar só na mais importante. No entanto, Bolsonaro optou por manter-se no cargo mesmo sem ter condições para isso.

Não se conhecem as razões de tal decisão, mas consta que os filhos de Bolsonaro, cuja opinião é determinante para o presidente, não se dão bem com o vice-presidente. O ruído entre eles ficou ainda mais acentuado quando Hamilton Mourão resolveu dar opiniões sobre temas caros aos Bolsonaros - disse, por exemplo, que era contra a mudança da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, uma promessa de campanha. Além disso, Mourão está tentando construir uma boa relação com a imprensa, contra a qual os filhos de Bolsonaro dedicam grande virulência. Em resumo, a relação do entorno do presidente com Mourão é de desconfiança. Num país em que tantos vices assumiram o cargo de presidente por vacância, isso tende a alimentar todo tipo de especulação.

Assim, o governo hoje é exercido por alguém sem condições de saúde para tal, sofrendo influência direta e ampla dos filhos - que não receberam um único voto para presidente nem ocupam cargos de ministros. O exercício da Presidência pelo vice-presidente deve respeitar o que diz a Constituição, e não o que ditam os filhos do presidente. Não se trata de uma questão familiar, mas institucional.

Bolsonaro precisa o quanto antes se dar conta de que não está mais em campanha, quando todos os problemas do País podiam ser “resolvidos” por meio de slogans digitados em redes sociais, sob orientação dos filhos. Governar é muito diferente de tuitar: demanda presença, articulação, lucidez - isto é, tudo o que Bolsonaro, convalescente e a reboque dos filhos e dos aliados mais radicais, ainda não conseguiu oferecer ao País.

Agenda do governador João Doria 12/02 - Nova Lima/MG

AGENDA DO GOVERNADOR


O Governador João Doria se reúne nesta terça-feira (12/2), às 12h, em Nova Lima (MG), com empresários mineiros durante o encontro “Conexão Empresarial”.


Data: Terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Horário: 12h
Local: Shopping Serena Mall (Espaço Conexão) - MG-030 - Rodovia Januário Carneiro, 8.625 (Torre 2, Nível 4) - Vale do Sereno - Nova Lima/MG

'Não vejo o PSDB integrado ao governo', diz senador Tasso Jereissati


Tucano critica ‘visão de extrema-direita’ de ministros de Bolsonaro, mas fala em ‘momento propício’ para reformas

Renan Truffi - O Estado de S. Paulo

Tasso Jereissati, senador pelo PSDB do Ceará 
Foto: Dida Sampaio/ Estadão

 No ano passado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) liderou um movimento para que o seu partido desembarcasse da gestão de Michel Temer. Agora, em meio à aproximação entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), e o presidente Jair Bolsonaro, o tucano volta a defender que o partido deva se afastar “de visões de extrema-direita” presentes no Palácio do Planalto. Para Jereissati, a única afinidade entre tucanos e bolsonaristas é na política econômica, em prol da reforma da Previdência. “Eu não enxergo o PSDB totalmente integrado ao governo, até pelas diferenças que nós temos. A grande afinidade que nós temos é em relação à política econômica”, afirmou Jereissati ao Estadão/Broadcast. Neste ponto, o senador disse que “nunca houve um momento tão propício” no Senado para a aprovação da reforma e que entre os senadores tucanos existe “a convicção” sobre uma reforma “imediata” e “de certa profundidade”.


Entrevista com Tasso Jereissati, senador (PSDB-CE)

O que o sr. achou da eleição para a Mesa do Senado? Houve desgaste de imagem da Casa?
Foi o ápice do desgaste, mas o ponto mais alto da crise do Senado foi necessária para a ruptura com o passado. Com certeza, foi um espetáculo degradante, que desnudou alguns personagens para o Brasil, mas foi um momento em que foi rompido o predomínio de um grupo depois de quase 30 anos. Acho que consolidou o fim do monopólio desse grupo no Senado durante esses anos.

Preocupa o fato de o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ter o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como padrinho?
Ele, com certeza, teve o apoio do ministro Onyx, mas a teia de compromissos que ele firmou aqui dentro do Senado vai dar a independência que ele necessita e, com certeza, quer.

O governo tem condições de aprovar uma reforma da Previdência no Senado?
O governo sozinho não tem essa maioria no Senado. O governo, inclusive, é muito heterogêneo, tem alas diferentes e visões diferentes. É difícil você quantificar. Agora, nunca houve um momento tão propício dentro do Senado para fazer essas reformas. Não podemos desperdiçar essa oportunidade. 

Na gestão Temer, o PSDB ficou dividido sobre proposta de reforma da Previdência. E agora?
É uma boa vontade unânime aqui dentro do PSDB do Senado. Evidentemente que tem pontos aqui e ali, ninguém é unânime em todos os pontos. Mas a convicção de que tem de haver uma reforma da Previdência, de certa profundidade e imediata, isso é unânime dentro do partido aqui no Senado.

Qual será a posição do PSDB em relação ao governo? No ano passado, o sr. defendeu desembarcar da gestão Temer e, este ano, Doria tem se movimentado em direção ao governo...
Não enxergo o PSDB integrado totalmente no governo, até pelas diferenças que nós temos, que eu já fiz referência. A grande afinidade que nós temos é em relação à política econômica. Mas, com certeza, estamos bastante afastados de visões de extrema-direita que estão sendo externadas aí por alguns grupos.

Como o sr. avalia o primeiro mês de gestão do governo Bolsonaro?
É muito cedo, temos um pouco mais de um mês com um presidente afastado por uma cirurgia, internado num hospital. Evidentemente, há uma falta de organização no governo ainda. Não dá para identificar para onde o governo vai, porque tem muito bate-cabeça entre as próprias lideranças que dão apoio ao governo. Há grupos diferentes dentro do governo: um grupo ligado a fulano, um grupo ligado a sicrano. Há impressão de que esses grupos não se entendem. Mas acho que naturalmente, com o tempo e a consolidação do governo, essas coisas vão tendo maior organicidade. Eu não digo (que o governo precisa) acelerar, mas ter uma coordenação, ter uma organicidade desses diferentes grupos.

Na Câmara, por exemplo, o líder do governo está sendo muito questionado. Aqui no Senado, ainda não definiram isso...
Faz parte dessa aparente desorganização do governo hoje. 

Como o sr. avalia a política externa do governo nesse período?
Algumas declarações do ministro (Ernesto Araújo) não só me preocupam, me cheiram a delírio, altamente fora do mundo terrestre. Evidente que estamos (o PSDB) completamente afastados da linha que ele diz, do que ele pensa. O problema não é só a imagem externa arranhada. O País está sendo levado ao ridículo. É uma visão inclusive diferente da visão do (ministro da Economia) Paulo Guedes, que é totalmente globalista. O ministro das Relações Exteriores é oposto de tudo isso. Vejo com o mesmo rigor e espanto as declarações da ministra (da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves). Algumas, eu não quero nem comentar.


“Há uma falta de organização no governo ainda. Não dá para identificar para onde o governo vai, porque tem muito bate-cabeça entre as próprias lideranças que dão apoio ao governo.”
Tasso Jereissati, Senador (PSDB-CE)


Qual será a posição do sr. na eleição do PSDB?
Eu defendo renovação. Tem de vir um nome ajustado a essa renovação. E que tenha liberdade, independência para liderar essa visão de futuro que o partido vai ter. Volto a defender uma autocrítica. O partido tem de rever, assumir os erros do passado e assumir o compromisso com a sociedade de não aceitar conviver com esses erros.

Doria é essa nova cara?
O governador João Doria é uma das caras do partido. Tivemos também a eleição do Anastasia (como vice-presidente do Senado), que é um nome relativamente novo, vem de uma outra geração, já é muito respeitado no Senado e no Brasil. E outros também: o Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, é uma esperança que a gente tem, uma cara nova, ideias novas.

Agenda do governador João Doria 11/02 - São Paulo/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O Governador João Doria homenageia nesta segunda-feira (11/2), às 12h, policiais selecionados pelo programa de valorização “Policial Nota 10”. Entre eles, estão os policiais da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente que prenderam um cardiologista acusado de abusar sexualmente de pacientes mulheres em seu consultório. Também serão homenageados os policiais que atuaram no desastre de Brumadinho (MG). 

Data: Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Horário: 12h
Local: Palácio dos Bandeirantes – Salão Anchieta - Av. Morumbi, 4.500 - São Paulo/SP