'Entre o ruim e o pior', editorial do Estadão


O Brasil que trabalha e preza a democracia certamente não se vê representado por Lula da Silva e Jair Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto

O ESTADO DE S.PAULO

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Lula da Silva e Jair Bolsonaro

Ainda há um longo caminho a percorrer até a eleição presidencial de 2018, quando então se saberá quais as reais chances de cada um dos postulantes, mas o cenário atual não sugere um futuro promissor para o País. O Brasil que trabalha e preza a democracia certamente não se vê representado por nenhum dos líderes nas pesquisas de intenção de voto – Lula da Silva e Jair Bolsonaro –, pois qualquer um deles, a julgar pelo que andaram prometendo na área econômica, constitui séria ameaça à recuperação do País. Essa tem de ser a principal motivação, neste momento, para que as forças vivas da Nação deixem suas divergências políticas de lado e se organizem em torno de um projeto eleitoral viável, capaz de interromper o que poderá ser uma marcha forçada rumo ao atraso.

Dizendo-se não uma pessoa, mas uma “ideia”, o demiurgo de Garanhuns pretende ser a própria encarnação do “povo”, apostando na falta de memória e de informação de muitos eleitores, sem consciência do desastre causado pelos governos petistas. É com essa desfaçatez que Lula se apresenta como salvador dos pobres, sacrificados por uma crise que ele mesmo criou, seja por sua própria iniciativa, seja pelos “méritos” do patético governo de sua sucessora, Dilma Rousseff. Não bastasse isso, as propostas que Lula tem feito até aqui para a superação dos graves problemas econômicos nada mais são do que uma versão ainda mais catastrófica dos erros cometidos por ele e Dilma.

Lula insiste que a saída para a crise é “colocar o pobre no Orçamento”. Sabe-se lá o que isso significa, pois quanto mais os pobres são citados por aqueles que dizem querer protegê-los, mais pobres eles ficam. Foi exatamente o que aconteceu nos governos petistas, eleitos sob a bandeira da “justiça social”: enquanto Lula e Dilma exaltavam seus supostos feitos nessa área, a desigualdade social no País permanecia intocada, conforme estudos recentes constataram. Mais do que isso: graças à irresponsabilidade dessa dupla, a vulnerabilidade dos mais pobres cresceu. E ainda assim, mesmo prometendo revogar os pilares sobre os quais se assenta a dura reconstrução do Brasil, entre os quais o teto dos gastos, Lula da Silva lidera as intenções de voto.

O segundo colocado nas pesquisas, o iracundo Jair Bolsonaro, não fica muito atrás de Lula quando se trata de explorar a apatia do eleitorado. Oferecendo-se como alternativa ao establishment político, Bolsonaro fez sua carreira gritando em público aquilo que seus admiradores só sussurram em privado. Foi com base em refinada boçalidade – que inclui a defesa da tortura – que Bolsonaro começou a se viabilizar como candidato à Presidência, mas, ciente de que isso não basta para ser realmente competitivo, o deputado quer agora convencer a opinião pública de que, além de defender a violência, é capaz de governar.

Para isso, começou a soltar comunicados “aos cidadãos do Brasil” nos quais assegura que está construindo “uma pauta propositiva moderna, dentro de parâmetros profissionais e éticos”. Depois de confessar que não entende nada de economia, cercou-se de alguns economistas para fazer crer que o País não correrá nenhum risco caso ele venha a ser eleito. No último desses comunicados, informou que defende “um Banco Central independente”.

Nem parece o mesmo Bolsonaro que, em entrevista ao Estado há apenas sete meses, disse que “você não pode dar independência” para o Banco Central, porque, “se deixar à vontade (...), esse pessoal vai inventar uma maneira de ajudar mais o sistema financeiro”. Na “metamorfose” de Jair Bolsonaro acredita quem quer.

Na prática, há muito pouca diferença entre Lula e Bolsonaro quando o tema é economia. Ambos defendem um nacional-desenvolvimentismo semelhante ao do regime militar, cuja adoção pelos governos petistas foi determinante para a catástrofe que se abateu sobre o País. E ambos falam em rever o limite estabelecido para os gastos públicos.

Assim, uma eventual vitória de um ou outro teria como resultado não apenas uma profunda cisão na sociedade, o que já seria em si terrível, mas também a retomada do mais grosseiro populismo. Ainda há tempo para evitar esse funesto desfecho.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 21/11 - São Paulo/SP


AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin participa nesta terça-feira, 21, da cerimônia de posse de 1.240 policiais civis, entre delegados, investigadores e escrivães. O efetivo, nomeado no dia 1º, ingressará nos cursos de formação da Academia de Polícia Civil (Acadepol) e, após a formatura, reforçará o efetivo da instituição nas regiões do Estado. A cerimônia de posse será realizada no Palácio dos Bandeirantes e contará com a participação do secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho.



Evento: Posse de 1240 policiais civis
Data: Terça-feira, 21 de novembro de 2017
Horário: 17h
Local: Palácio dos Bandeirantes- Auditório Ulysses Guimarães e Hall Nobre
- São Paulo/SP

'Não faremos sugestão ou indicação para lugar nenhum', diz Goldman sobre reforma ministerial


Presidente interino do PSDB desautorizou qualquer articulação de bastidor em nome do partido

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

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O ex-governador de São Paulo Alberto Goldman assumiu interinamente o PSDB 

A executiva nacional do PSDB vai se reunir na quarta-feira, 22, para formalizar institucionalmente o apoio à reforma da Previdência e, assim, espantar os rumores de que o partido vai para a oposição ao governo de Michel Temer (PMDB) depois de entregar seus cargos na Esplanada dos Ministérios.

Apesar do gesto, o presidente interino da legenda, Alberto Goldman, desautorizou qualquer articulação de bastidor em nome do PSDB para uma eventual reforma ministerial de Michel Temer. "Se existe alguém no partido fazendo sugestões de nomes eu não sei. Mas uma coisa é certa: não faremos, institucionalmente, indicação ou sugestão de nome para lugar nenhum", disse o dirigente ao jornal O Estado de S. Paulo.

Sobre a reforma da Previdência, Goldman disse que o partido precisa ter uma posição sobre ela. "É uma obrigação do PSDB dizer o que pensa sobre as coisas. Na bancada cada um vota conforme seu interesse. Faz o que bem entende. Infelizmente é assim. Como órgão coletivo nunca houve uma posição", disse.

Goldman embarcou nesta segunda-feira, 20, para Brasília, onde vai fazer uma imersão de três semanas na máquina partidária tucana. Além de organizar a convenção nacional do dia 9 de dezembro na capital federal, ele tentará nesse período costurar uma chapa única para o diretório do partido, que tem mais de 100 membros.

Se conseguir, esse colegiado vai buscar uma saída consensual para a formação da executiva do PSDB que definirá o nome do presidente efetivo da sigla no decisivo ano eleitoral de 2018. Trata-se de um esforço para evitar que a convenção se torne uma batalha campal.

Governador Alckmin testa popularidade na capital pernambucana e se reúne com viúva de Campos


No Recife, agenda de Alckmin inclui missa e favela

Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo



Alckmin vai à missa na igreja Madre de Deus no Recife Foto: PEU RICARDO/ESTADÃO

Foi como um teste de popularidade. Ciente de que precisa ampliar seu eleitorado no Nordeste para ter chance de vencer a disputa pelo Planalto em 2018, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), cada vez mais confiante de que será o escolhido do partido ao pleito, cumpriu agenda de candidato, neste domingo, no Recife. 

Ciceroneado pelo tucanato local, o governador paulista seguiu o roteiro de um dia de campanha, com direito a missa pela manhã, almoço em um mercado popular e visita a uma favela.

Disposto, Alckmin fez política desde às 8h30, quando desembarcou na capital pernambucana após quase três horas de voo em avião de carreira. Já no aeroporto, foi recebido por uma comitiva chefiada pelo deputado federal Bruno Araújo, primeiro tucano a deixar o governo de Michel Temer. 

Ex-ministro das Cidades, Araújo quer disputar o governo do Estado ou o Senado e busca apoio de Alckmin, que, além de pré-candidato à Presidência, é cotado para também assumir o comando do PSDB ano que vem.

Sobre esse desafio, o paulista, mais uma vez, não deixou clara sua intenção, mas deu pistas de que a possibilidade existe e é cada vez mais forte entre o grupo que o apoia, como a deputada federal Terezinha Nunes (PSDB-PE), presente na comitiva pró-Alckmin. “Falta ele aceitar, mas é claro que seu nome é o mais apropriado.”

Aos jornalistas, o governador afirmou que não precisa ser o presidente do partido. “O que o PSDB precisa é de unidade para mudar o Brasil.” Acompanhado apenas por José Aníbal e Samuel Moreira – seguindo sua estratégia de passar a imagem da austeridade, Alckmin não levou assessores –, o governador posou de candidato, mas com o cuidado de não tocar no tema eleição e muitos menos pedir votos.

Ao fim da missa das 11h da Igreja Madre de Deus, no Recife antigo, foi aplaudido, tirou selfie com potenciais eleitores, ganhou uma pintura das mãos do frei Rinaldo (famoso entre os católicos da cidade) e, em seguida, o acompanhou em visita à Comunidade do Pilar. Lá, ouviu questionamentos da população sobre programas habitacionais, mas sem opinar ou apresentar qualquer proposta.

O local escolhido para o almoço foi um restaurante simples no Mercado da Madalena, na zona oeste. No cardápio, baião de dois, macaxeira e cerveja – um copo apenas, para combater o calor de 31 graus.


Governador Geraldo Alckmin bebe cerveja durante almoço no Recife 
Foto: PEU RICARDO/ESTADÃO

O café foi na casa da viúva do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo na campanha de 2014. A conversa com Renata Campos durou cerca de uma hora e serviu como uma aproximação com o PSB local, que ainda tem forte influência da família Campos e é disputado também pelo PT.

Antes de jantar com empresários, o tucano conversou com o deputado federal e ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). “Apoio Alckmin para presidente, dou palanque para ele com o PMDB nacional ou sem, como uma dissidência”, afirmou.

Empresa de Lula recebeu em conta R$ 27 milhões por palestras em quatro anos


Ex-presidente diz não ter R$ 24 milhões que PGR quer bloquear por suposto envolvimento em esquema de MPs e caças; Coaf mostrou que LILS chegou a investir R$ 35 milhões em fundos de investimento entre 2011 e 2015

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Julia Lindner - Estadão

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em conta de sua empresa de palestras, a Lils Palestras, Eventos e Publicações, R$ 27 milhões em quatro anos. Multi investigado pelas operações Lava Jato, Zelotes e Janus, o petista afirmou neste domingo, 19, não possuir os R$ 24 milhões que a Procuradoria da República pretende bloquear. Em pedido encaminhado à Justiça Federal os procuradores pediram para confiscar R$ 21,4 milhões em bens e mais R$ 2,5 milhões de seu filho, Luiz Cláudio.

Dono de 98% do negócio – os 2% restantes são de Paulo Okamotto, seu braço direito e presidente do Instituto Lula -, a Lils movimentou R$ 52 milhões entre 2011 e 2015.

Resultado das palestras dada pelo petista após deixar o Planalto – foram 72 ao custo de US$ 200 mil cada -, quase a totalidade dos valores que entraram na conta da LILS do Banco do Brasil em São Paulo, entre abril de 2011 e maio de 2015, saiu: exatos R$ 25.269.235,53.


A movimentação foi considerada suspeita pelo Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, que enquadrou o caso em “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”. O documento integra o material dos autos da Zelotes e da Lava Jato.

“Às vezes fico chateado com todas essas bobagens que falam a meu respeito, mas, como sou católico, acho que é uma provação. Já provei minha inocência, quero agora que eles provem. O cidadão deveria ter a decência de dizer onde tenho R$ 24 milhões“, reclamou durante o 14º Congresso do PCdoB.

O ex-presidente esteve em Brasília para participar do 14º Congresso do PCdoB, iniciado na última sexta-feira. Lula chegou por volta das 11h em Brasília, em um avião privativo, e foi recebido pela presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR).


Segundo documento do Coaf, a Lils aplicou entre 2011 e 2015 um total de R$ 35.177.093,99 em fundos de investimentos, via BB Gestão de Recursos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.. Foram feitos ainda investimentos de R$ 5 milhões na Brasilprev. Em 2015, a Lils informou faturamento de R$ 2.923.993,50.

Os técnicos alertam sobre possível ocorrência de “operações cujos valores se afiguram objetivamente incompatíveis com a ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial/financeira de qualquer das partes envolvidas”.

Quando o documento do Coaf foi gerado, a informação era de que R$ 17.926.078,39 era “o saldo atual distribuído em fundos de investimento e previdência privada”.


Documento

Documento


O ex-presidente apresentou documentos para comprovar que realizou as palestras para qual foi contratado. Segundo o Instituto Lula, que registrou publicamente todos os serviços, foram 72.

Não há irregularidades em se dar palestras, registram os investigadores, porém os pagamentos das empreiteiras do cartel chamam a atenção.

Em julho, o Banco Central bloqueou R$ 606 mil de contas de Lula por ordem do juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato em Curitiba, decorrente da condenação do petista a 9 anos e 3 meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

A Brasilprev também executou o bloqueio de R$ 9 milhões de duas previdências, uma empresarial da Lils e outra pessoal de Lula, em julho.

Ataques. Em seu discurso, Lula voltou a desafiar os procuradores e o juiz federal Sergio Moro “a provar um real de sua vida que não seja legal”. Para Lula, os investigadores inventaram mentiras sobre ele, e agora “não conseguem mais sair”. “Se tem político com rabo preso por causa do que a (Operação) Lava Jato está fazendo, eu não tenho rabo para prender. Não estou acima da lei, só quero respeito”, disse.

“Quando a polícia entra na casa de alguém, adora mostrar dinheiro, joia, mas quando entra na minha e dos meus quatro filhos, revira tudo, levanta colchão, e não encontra nada, esses sacanas deveriam ter coragem de chamar a imprensa e dizer que na casa do Lula não tinha nada”, afirmou.

Defesa. Lula tem reiterado, por meio de sua defesa, que é vítima de ‘lawfare’.

“Todas as palestras do ex-presidente foram feitas e pagas com as devidas emissões de notas e pagamento de impostos.

Todas as informações sobre elas encontram-se em relatório disponível na internet.

Tudo da mesma forma que outros ex-presidentes e dentro da lei, cobrando o mesmo valor e condições de palestras para mais de 40 empresas e setores, incluindo, por exemplo, Microsoft e InfoGlobo.”

No Recife, Alckmin diz que não precisa ser presidente do PSDB, mas pede unidade do partido


Governador de São Paulo vai a Recife e ressalta importância do apoio do PSB para candidatura ao Planalto em 2018

Adriana Ferraz - Estadão

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Geraldo Alckmin e Bruno Araújo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou na manhã deste domingo, 19, que não precisa ser presidente do partido, mas que a sigla deve alcançar a unidade para poder mudar o Brasil. Nas últimas semanas, a possibilidade de o governador assumir a presidência da sigla foi cogitada por tucanos importantes, como o ex-senador José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em visita a Recife, Alckmin falou como candidato ao Planalto em 2018. O paulista disse que gostaria de ter o apoio do PSB, partido que comanda Pernambuco há 11 anos, e afirmou, diante de lideranças tucanas locais, que o Nordeste estará no centro, no coração de seu projeto para o País.

Cicerioniado pelo deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE), que deixou o Ministério das Cidades no início deste mês, Alckmin vai se encontrar com a viúva do ex-governador Eduardo Campos, Renata Campos, em busca de apoio para uma eventual aliança com o PSB. O atual governador pernambucano, Paulo Câmara, foi secretário de Eduardo Campos e eleito com o apoio de Renata e da família. 

Aos jornalistas, Alckmin disse se tratar apenas de uma visita cordial, já que ele e o ex-governador pernambucano são amigos. Aliados do paulista, no entanto, veem a oportunidade de o encontro abrir uma rodada de negociações para as eleições de 2018. O vice-governador de São Paulo, Márcio França, também é filiado ao PSB.

"Claro que nós queremos ter uma aliança com o PSB. Mas isso não depende só de nós", disse Alckmin. "Os partidos que não tiverem candidatos e quiserem compor uma aliança, discutir um bom projeto para o Brasil, são bem-vindos."

Em preparação para campanha, Alckmin aposta em humanização de redes sociais


JULIANA BRAGA - O GLOBO



A equipe de Geraldo Alckmin percebeu que o lado mais humano do governador rende cliques na internet.

Há quatro dias, foi publicado um vídeo de Alckmin jogando baralho com os netos.

A legenda era:

— Pude aproveitar um pouco do feriado com meus netos. Antes de governador, sou marido, pai e avô.

Foi recorde de acessos: 15,4 mil visualizações, 138 comentários, 4.347 curtidas. Os demais vídeos da página têm, em média, cinco mil visualizações e mil curtidas.

Fotos antigas também estão fazendo sucesso. No início do mês, o governador postou uma imagem do dia do seu casamento ao lado da esposa, Lu Alckmin, e brincou com a quantidade de cabelos que ainda tinha na época. Passou de 10 mil curtidas, enquanto as demais fotos do perfil ficam, em média, entre 400 e 1,2 mil avaliações positivas.

Com a aproximação das eleições, esse tipo de postagem se tornará mais frequente. A tática é semelhante à usada por João Dória na campanha à prefeitura.

'Duas falsas narrativas', artigo de Sergio Fausto


A esquerda populista e a direita truculenta ao menos têm as suas. O centro não se articula

O Estado de S.Paulo

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Na disputa político-eleitoral brasileira se destacam, até o momento, duas narrativas. Ambas falsas. De um lado, a vitimização de Lula. De outro, a normalização de Bolsonaro. A primeira consiste em transformar o ex-presidente em alvo de uma conspiração armada pelas “elites” para levá-lo à condenação judicial e à inabilitação eleitoral. “Elites”, como sabemos, é uma figura de retórica deliberadamente imprecisa com a qual o PT joga segundo as suas conveniências (não me lembro de o termo ter sido empregado para designar empreiteiras ou frigoríficos amigos do rei). A segunda narrativa reside em travestir de liberal convicto um político notório por declarações e projetos de lei que nada têm que ver com o liberalismo, nem econômico, muito menos político.

Tanto uma narrativa como a outra respondem a cálculos político-eleitorais perfeitamente racionais do ponto de vista dessas candidaturas. Se prosperarem, ambas causarão grave dano ao País.

Estou convencido de que, ao fim e ao cabo, Lula será barrado pela lei das inelegibilidades, que proíbe a candidatura de indivíduos com a “ficha suja”, ou seja, condenados em segunda instância por crimes previstos na Lei Complementar 135/2010, entre eles os de corrupção, lavagem de dinheiro, etc. As lideranças do PT devem saber disso. Apostam na candidatura de Lula porque ela é a única capaz de manter a perspectiva da volta rápida do partido ao poder. Trata-se de uma ilusão necessária, sem a qual a crise e as divisões do partido se aprofundariam. Mais ainda, nessa linha de raciocínio, a transmutação de Lula em líder proscrito atende aos interesses de conservação do PT a prazo mais longo. Partidos, assim como as nações, necessitam de mitos que permitam produzir sentido de pertencimento e coesão entre seus membros, sobretudo quando confrontados por dissidências internas ou ameaças externas (neste caso, o castigo eleitoral).

Mesmo sem levá-lo de volta ao poder agora, a vitimização de Lula poderá ajudar o PT a conservar a sua unidade, a manter parte de sua força de atração sobre outros partidos e grupos de esquerda e a preservar algo de sua conexão com o eleitorado “lulista”, maior que o petista. Ao menos é no que parecem crer e apostar os dirigentes do PT, pouco dispostos aos riscos da autocrítica e da renovação partidária. Mal comparando, o objetivo último dessa estratégia é converter o lulismo num peronismo tropical. O defeito da comparação, indicativo do caráter farsesco da narrativa, é que Perón foi de fato apeado do poder por um golpe de Estado, em 1955, e proscrito da vida política argentina por quase 20 anos. Nada semelhante aconteceu aqui.

Não creio que a estratégia petista venha a produzir os frutos pretendidos. Mas fará estragos no meio do caminho. O mais grave será pôr em xeque a independência do Poder Judiciário e, por essa via, a legitimidade do regime democrático. Chegará o partido ao ponto de não reconhecer o(a) presidente(a) eleito(a) em outubro de 2018 se Lula for legalmente impedido de disputar as eleições? Promoverá uma campanha internacional de denúncia sobre a suposta ilegitimidade das eleições presidenciais brasileiras, o que seria risível, não fosse perturbador, dado o apoio do PT às arbitrariedades do governo Maduro? Como se não bastasse, a vitimização de Lula dificultará ainda mais a necessária criação de uma necessária força de esquerda, democrática e não populista, capaz de destilar a experiência do PT e (re)lançar-se na política brasileira.

Passemos a Bolsonaro, que merece menos parágrafos por sua menor relevância. Ele é sintoma do medo que se disseminou pelo Brasil, sentimento em parte derivado de fatores reais, em parte instrumentalizado para provocar pânico na sociedade e assim gerar dividendos políticos em favor de uma agenda ultraconservadora.

O apoio pré-eleitoral ao deputado não reflete apenas a deterioração das condições de segurança pública. Os que o apoiam se sentem ameaçados também pelo que consideram perturbações de uma ordem tradicional idealizada. O que os une é a adesão à truculência na área da segurança pública e à reação a mudanças no plano do comportamento (parte delas refletidas em direitos, como o casamento gay). Bolsonaro sustenta orgulhosamente uma agenda reacionária em relação às drogas (não distinção entre pequenos consumidores e traficantes), à liberdade de expressão (cerceamento, em nome dos bons costumes) e à definição de família (restritiva dos direitos dos homossexuais). Defende armar a população e criar a figura penal da legítima defesa do patrimônio para inocentar quem cometer homicídios para proteger bens de sua propriedade. Quer abrir definitivamente as portas ao faroeste caboclo, na cidade e no campo.

É esse personagem, que fez elogio a um conhecido torturador, abundou sempre em declarações homofóbicas e sexistas e se disse favorável ao fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso por causa da privatização de empresas estatais, é esse personagem, repito, que pretende apresentar-se agora com os trajes de um adepto do liberalismo. Nessa operação transformista conta com a assessoria de alguns economistas, de pouca importância, é verdade, e com certa complacência do chamado “mercado”. Essa complacência mostra como o liberalismo econômico, quando desacompanhado do liberalismo político, corre o risco de perder a bússola democrática e cair no colo de forças políticas de extrema direita.

A “normalização” de Bolsonaro se alimenta do espectro que ronda o horizonte eleitoral, Lula, e, sobretudo, da incapacidade que as forças de centro têm demonstrado para se articular em torno de uma candidatura e de um programa para 2018.

As narrativas da esquerda populista e da direita truculenta são falsas. Mas ao menos elas têm uma. O centro precisa elaborar a sua. Antes que seja tarde.


*SERGIO FAUSTO É SUPERINTENDENTE EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO FHC, COLABORADOR DO LATIN AMERICAN PROGRAM DO BAKER INSTITUTE OF PUBLIC POLICY DA RICE UNIVERSITY, MEMBRO DO GACINT-USP

Ministério Público pede bloqueio de R$ 24 milhões do ex-presidente Lula e do filho Luís Cláudio


Pedido se refere a uma ação dentro da Operação Zelotes em que Lula e o filho são réus. Valor do bloqueio para Lula é de R$ 21,4 milhões e, para Luís Cláudio, de R$ 2,5 milhões.

Camila Bomfim - TV Globo

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O Ministério Público Federal em Brasília pediu para a Justiça o bloqueio de R$ 24 milhões em bens e valores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu filho caçula, Luís Cláudio.

O valor de bloqueio solicitado pra Lula é de R$ 21,4 milhões e o do filho, Luís Cláudio, de R$ 2,5 milhões.

O pedido do MP foi feito dentro de uma ação da Operação Zelotes em que Lula e o filho são réus.

Lula é acusado de editar uma medida provisória para favorecer empresas do setor automotivo em troca de recebimento de propina. Luís Cláudio era ligado às empresas, de acordo com apurações da polícia.

Lula e o filho são investigados também por suspeita de favorecimento a um grupo sueco nas negociações que levaram à compra pelo governo brasileiro de 36 caças do modelo Gripen.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 16/11 - São Vicente, São José do Rio Preto e São Paulo/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin entrega nesta quinta-feira, 16, com seis meses de antecedência, novo trecho de faixa adicional da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055). Quem descer para o litoral sul para as festas de fim de ano já contará com a nova pista em sua viagem. A ampliação também beneficia os moradores da Baixada Santista, que passam a contar com maior fluidez para seus deslocamentos pela região.

Às 13h, em São José do Rio Preto, o governador inaugura a ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Estadual Prof. Eribelto Manoel Reino. A obra teve investimento de R$ 19 milhões. O evento contará com a presença do secretário estadual de Logística e Transportes, Laurence Casagrande Lourenço, e do superintendente do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP), Fábio Calloni.

Às 17h, no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin autoriza a contratação das obras de implantação da nova Estação Francisco Morato, na Linha 7-Rubi. O evento contará com a presença do secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, e do presidente da CPTM, Paulo Magalhães.


Evento: Inauguração de trecho de 3ª faixa da SP-055 (Rodovia Padre Manoel da Nóbrega)
Data: Quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Horário: 10h
Local: SP-055 (Rodovia Padre Manoel da Nóbrega), km 281+100 - Acesso à via marginal pelo km 280+500 - Sentido Praia Grande, Pista Oeste - Jardim Humaitá - São Vicente/SP

Evento: Inauguração do terminal de passageiros e estacionamento do Aeroporto de São José do Rio Preto
Data: Quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Horário: 13h
Local: Avenida dos Estudantes, 3.505 - Jardim Novo Aeroporto - São José do Rio Preto/SP

Evento: Assinatura do contrato da reconstrução da Estação Francisco Morato + Contratação de serviços de obras visando a instalação de escadas rolantes
Data: Quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Horário: 17h
Local: Palácio dos Bandeirantes - Avenida Morumbi, 4.500 - São Paulo/SP