Mulher e ligada ao agronegócio, ex-ministra reúne características consideradas estratégicas para o governo Lula
Simone Tebet
O nome da ex-ministra Simone Tebet (PSB) passou a ser considerado nas articulações para o comando do Ministério das Relações Exteriores no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pelo menos esse foi o assunto durante todo o dia nos corredores do Itamaraty. A possibilidade de levar uma mulher com trajetória política ligada ao agronegócio para a pasta é vista como uma forma de combinar representatividade feminina, interlocução com o setor produtivo e experiência política em uma das pastas mais importantes da Esplanada dos Ministérios.
1ª mulher
A eventual escolha também teria um componente simbólico. Desde a criação do Ministério das Relações Exteriores, nenhuma mulher ocupou o posto de chanceler do Brasil. A indicação de Tebet representaria, portanto, uma mudança histórica no comando da diplomacia brasileira.
Agro
Outro aspecto considerado nas articulações é a relação da ex-ministra com o agronegócio. Ex-senadora por Mato Grosso do Sul, Tebet construiu parte de sua trajetória política em um estado com forte participação do setor agropecuário. Essa experiência poderia ganhar relevância em uma pasta responsável por negociações internacionais que envolvem comércio, meio ambiente e abertura de mercados para produtos brasileiros.
O peso do agronegócio nas relações exteriores ajuda a explicar a importância desse perfil. Somente entre janeiro e setembro de 2026, as exportações brasileiras do setor movimentaram US$ 133,6 bilhões. A China foi o principal destino, com US$ 44 bilhões, seguida pela União Europeia, com US$ 20,2 bilhões, e pelos Estados Unidos, com US$ 8 bilhões. Turquia e Índia também aparecem entre os principais compradores. O setor ocupa posição central nas negociações comerciais brasileiras, especialmente em um cenário de disputas tarifárias, exigências ambientais e busca por novos mercados.
Trajetória
A movimentação também permitiria ao presidente manter uma representante de perfil político de centro em posição de destaque no primeiro escalão, preservando a interlocução com setores que ultrapassam a base tradicional do PT. Tebet disputou a Presidência da República em 2022 pelo MDB, terminou em terceiro lugar e declarou apoio a Lula no segundo turno.
A aproximação abriu caminho para sua entrada no governo, em janeiro de 2023, quando assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento.
Tebet permaneceu à frente da pasta até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado por São Paulo. A candidatura, apoiada por Lula, terminou em derrota. A ex-ministra recebeu 8,3 milhões de votos, equivalentes a 19,23% dos votos válidos, e ficou em terceiro lugar, atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), eleitos para as duas vagas.
A possibilidade de assumir o Itamaraty representaria, assim, um retorno ao primeiro escalão do governo depois do revés eleitoral.
A disputa pelo comando da diplomacia brasileira, entretanto, não se restringe ao nome de Tebet. Nos bastidores do Itamaraty também circulam os nomes dos embaixadores Maurício Lyrio, atual secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, e André Corrêa do Lago, que presidiu a COP30. Há ainda a possibilidade de permanência do atual chanceler, Mauro Vieira. Caso ele deixe a pasta, a embaixada do Brasil em Paris seria um destino possível.
Fonte: Edilene Lopes - Itatiaia

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