Evento promovido pelo movimento Direitos Já! teve presença de políticos, intelectuais e lideranças que apoiam a candidatura de frente ampla
No Ato de Frente Ampla pela Democracia e pela Soberania, promovido pelo Direitos Já! Fórum pela Democracia na Casa de Portugal, nomes do PT, PSDB, MDB, PSD e União Brasil, ao lado de representantes da sociedade civil, declararam apoio à reeleição de Lula e Alckmin.
Coube ao vice-presidente Geraldo Alckmin encerrar o ato com um chamado à mobilização: “O povo não erra, ele precisa ter todas as informações. Cabe a nós esclarecer a população”.
Alckmin defendeu que a reta final da campanha seja dedicada ao diálogo direto com os eleitores. “Precisamos conversar com as pessoas e mostrar as enormes diferenças” entre as candidaturas, afirmou. Ao comparar os governos, o vice-presidente disse que a gestão anterior não fez nada pela educação e citou o negacionismo na saúde durante a pandemia: “Negaram vacina. Foram 720 mil mortos”. Ele também associou o governo anterior a casos de corrupção e autoritarismo e lembrou que o Banco Master nasceu no governo Bolsonaro.
O vice-presidente saudou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e recordou o ex- governador Mário Covas: “Covas dizia que as pessoas podem ser de esquerda, de direita, de centro, mas o que as diferencia é quem tem apreço e quem não tem apreço à democracia”. E concluiu: “Quem tem saudade da ditadura não deveria disputar eleição, porque não confia na população”.
Filha de FHC, a educadora Beatriz Cardoso, que já havia declarado voto em Lula, foi um dos nomes que discursou no palco. Ela defendeu a continuidade de programas de inclusão social.
"Eu estou aqui em nome de um legado de democracia. É sobre isso que se trata essa eleição", disse Beatriz.
O tucano Mario Covas Neto, ex-vereador e filho do ex-governador Mario Covas, também discursou e pediu votos de apoiadores e simpatizantes do PSDB em Lula.
"Houve um momento que a disputa entre PT e PSDB eram intensa, e algumas pessoas tem dificuldade de superar isso. Nós vivemos um momento absolutamente diferente. Flavio é filho de alguém que tentou um golpe e não conseguiu. Você eleitor do PSDB, filiado, pense bem", disse Covas Neto.
Também subiram ao palco figuras ligadas a outros partidos, como o deputado federal Fausto Pinato (União Brasil) e a ex-vice-prefeita de São Paulo na gestão Gilberto Kassab (PSD), Alda Marco Antônio.
Entre os intelectuais e artistas, compareceram ainda escritora Beatriz Bracher, a antropóloga Lilia Schwarcz e o ator Cássio Scarpin, além de políticos da base do governo, como a deputada federal Tabata Amaral (PSB).
Antes do início do evento, Alckmin falou com a imprensa e falou sobre a disputa entre Lula e Flávio em torno da abertura do sigilo e bancário, após provocação do petista no debate da Band, na semana passada.
"(Flávio) está dando desculpa para não quebrar o sigilo. Aliás, eu queria fazer uma observação. Isso nem deveria existir, porque, a rigor, quem ocupa o cargo de presidente da República, sai candidato a presidente da República, tem o dever de não ter sigilo nenhum, nem bancário, nem fiscal, nem telefônico", disse ele.
A deputada federal Tabata Amaral destacou que o apoio vai além das fileiras partidárias: “Não preciso ser petista, preciso ser mulher; preciso amar o Brasil”. Lilia Schwarcz falou em defesa das mulheres e de suas liberdades em um governo democrático. Alda Marco Antônio, ex-vice-governadora de São Paulo, alertou: “Tem gente querendo acabar com a democracia e nós não vamos deixar”.
A vice-governadora eleita do Ceará, Gabriella Aguiar, disse ser grata “pela esperança que Lula traz” e se declarou defensora da democracia, “sem ódio, sem medo”.
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva celebrou a “capacidade incrível de sermos pessoas diversas” e lembrou que a mobilização não pode parar: “Estamos num estado permanente de campanha”.
A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) relembrou a luta pela redemocratização, quando atos como este reuniam pessoas de direita e de esquerda. “Mal imaginávamos que estaríamos, em 2026, na mesma causa, com a mesma luta”, disse. Ao comparar aquele período com o atual, observou: “Éramos um país mais pobre, hoje somos majoritariamente classe média”. E concluiu: “Lula representa o país que nós queremos”.
“O ato pela frente ampla mostrou que a defesa da democracia está acima das diferenças partidárias. Ver ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin nomes como Mário Covas Neto, Bia Cardoso, José Eliton e Alda Marco Antônio, lideranças que não estiveram com o presidente Lula no primeiro turno, é um recado claro para quem ainda estava indeciso, mas não aceita correr o risco autoritário. As falas, os apoios anunciados e a repercussão nas redes vão ecoar nos próximos dias e serão decisivos para a virada”, afirma Fernando Guimarães Rodrigues, coordenador-geral do Direitos Já! Fórum pela Democracia.
Sobre o Direitos Já! Fórum pela Democracia
O Direitos Já! surgiu em 2019 como resposta cívica à escalada autoritária no país. Inspirado nas Diretas Já, reúne partidos de diferentes campos políticos, organizações e personalidades da sociedade civil em defesa da democracia, da Constituição de 1988 e das liberdades fundamentais. É coordenado por seu idealizador, o cientista social Fernando Guimarães Rodrigues. Em 2022, o fórum participou da articulação da frente ampla em torno da chapa Lula-Alckmin.

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