Fundação FHC resgata entrevistas antigas com Mário Covas, Ulysses Guimarães e Lula; veja como assistir

Projeto ‘Cenas da Redemocratização’ digitalizou 126 gravações do programa ‘Vamos Sair da Crise’, exibido entre os anos 1980 e 1990


Juliano Galisi - Estadão

Entre os anos 1980 e 1990, o programa Vamos Sair da Crise, da TV Gazeta, recebeu políticos, intelectuais e artistas em debates sobre os rumos do Brasil em meio à redemocratização. A emissora não fez cópias dos episódios, e o acervo teria se perdido se o apresentador Alexandre Machado não tivesse os gravado com fitas VHS próprias. O material seguiu intocado por anos, “morando num quartinho” da casa de Machado, como conta o jornalista, até ser restaurado por um projeto da Fundação FHC lançado nesta segunda-feira, 23.

São 126 as gravações já disponíveis no site do instituto, e novas fitas serão digitalizadas nos próximos meses. Também foram produzidos nove minidocumentários sobre diferentes temas debatidos pelo programa, como as eleições de 1989, o Plano Collor e os movimentos indígena e negro.

“Foi um período muito rico da histórica política brasileira, ainda pegando o ‘rabo’ da Constituinte, da eleição de 1989. Tudo estava recomeçando em função da redemocratização”, disse Alexandre Machado, idealizador e coordenador do projeto.

O jornalista conta que, embora “de nicho”, o programa consolidou-se como um importante espaço de discussões na nova cena pública que emergia no País. “Estávamos numa emissora pequena e o público ainda não acompanhava política. Mas a nossa audiência era qualificada e o programa era muito conhecido em determinados meios”.

O Vamos Sair da Crise entrevistou os principais candidatos das eleições de 1989, como Fernando Collor, Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf e Ronaldo Caiado.

Em outros encontros, nomes como Bresser Pereira, Roberto Campos, Maílson da Nóbrega e Zélia Cardoso debatem, em pormenores, propostas para o crítico momento econômico do País. O programa também recebeu artistas e intelectuais, como Gianfrancesco Guarnieri, Esther Góes, Ricardo Petraglia, Antônio Houaiss e Francisco Weffort.

Para Machado, além de revisitar um momento importante da história política do Brasil, o projeto é o registro de um debate público anterior à polarização e à radicalização.

Como exemplo, o jornalista cita uma edição do programa cujos convidados foram o sociólogo marxista Florestan Fernandes e a deputada federal conservadora Sandra Cavalcanti. “São dois opostos. Mas é possível sentar e conversar”.

Onde assistir

Os 126 programas restaurados podem ser consultados e pesquisados no portal do acervo da Fundação FHC. Os minidocumentários temáticos estão disponíveis no canal do YouTube do instituto.

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