Bolsonaro é 'igualzinho ao PT', diz Alckmin


Tucano descartou aliança com MDB e disse que Temer foi 'escolhido' pelo PT

CRISTIANE JUNGBLUT - O GLOBO


O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, reforçou nesta quarta-feira os ataques a Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL e escolhido como alvo prioritário de sua campanha. O tucano afirmou que Bolsonaro é "igualzinho ao PT", destacando que "os extremos se atraem". Ao descartar uma aliança com o MDB, ele também vinculou o presidente Michel Temer ao PT, afirmando que ele foi "escolhido" pelo partido.

— O nosso adversário é fruto do corporativismo, da deturpação da política brasileira, sempre foi eleito para defender uma corporação, salários. É igualzinho ao PT, os extremos se atraem. É aquela coisa atrasada, corporativa. Ele não representa o sentimento de crescimento que o Brasil precisa. Os votos de Bolsonaro e PT são iguais — disse Alckmin, em entrevista ao portal "Metrópoles".

O tucano voltou ao discurso, mais uma vez contra Bolsonaro, de que não se resolverá os problemas do país "à bala". Ele repetiu diversas vezes a expressão. Ele disse que o crescimento do adversário é fruto de 3,5 anos de "recessão do governo petista".

— Quero voto dos conservadores, progressistas, jovens, homem, mulher. Mas não vamos resolver a bala: criar emprego, fazer UTI, criar vaga em creche à bala. Ao contrário, pretendo unir ao Brasil. O JK dizia: vou percorrer o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Tem que diminuir um pouco essa raiva. Não temos dois Brasis. Não sou da ribalta, de fazer espetáculo. Não tem uma bala de prata, tem um conjunto, uma agenda que precisa ser feita e que fará a diferença — disparou o tucano.

Alckmin negou que esteja querendo uma aliança formal com o MDB, afirmando que o presidente Michel Temer foi escolhido pelo próprio PT para ser vice de Dilma Rousseff na eleição de 2014.

— Não estamos discutindo com o MDB. Não vamos discutir o governo (Temer), até porque quem escolheu o Temer foi o PT e não eu. Eles que são os responsáveis — disse ele.

O tucano despistou ao ser perguntado sobre a aproximação do DEM com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, afirmando que, como médico anestesista, sabe lidar bem com o estresse e não perde o sono com isso. O comando do partido esteve com Ciro Gomes na noite de terça-feira e com o próprio Alckmin nesta manhã de quarta-feira. Ele fez questão de elogiar o pré-candidato do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ).

— Rodrigo Maia é um dos melhores quadros desta nova geração. Queremos estar juntos, como em São Paulo. A gente tem que administrar a ansiedade. E tem dois ansiosos: os políticos e os jornalistas. Sou médico anestesista, então médico sabe controlar estresse — disse Alckmin.

Ele repetiu que está discutindo com outros quatro partidos. Apesar de ter se encontrado com o comando do DEM, disse que apenas com partidos que não teriam candidato. E elogiou o presidenciável do Podemos, Alvaro Dias.

— Sempre tive uma boa relação com o Alvaro, é um bom quadro. É pré-candidato. Estamos procurando fazer uma aliança com quem não vai ter candidato a presidente. Já temos cinco partidos (incluindo o PSDB ) e nenhum pré-candidato tem dois (partidos) — disse ele.

Alckmin repetiu que não venderá a Petrobras, mas ressaltou que poderá vender os setores de distribuição, transporte e ainda quebrar o monopólio de refino do óleo.

— A pesquisa, prospecção e produção são da Petrobras, e não vou privatizar a Petrobras. O que precisa é privatizar a distribuição, o transporte e quebrar o monopólio do refino. Pedro Parente foi um bom presidente da Petrobras — disse ele.

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