'A pulverização de candidaturas só beneficiará a Bolsonaro', análise de Welbi Maia


União dos partidos de esquerda e de centro podem definir segundo turno 

Welbi Maia - Editor

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Apesar do que mostram as pesquisas, o quadro eleitoral, a quatro meses da eleição, é totalmente incerto. Não há uma candidatura, neste momento, que possa ser considerada favorita para vencer as eleições à presidência da República. 

São vários os fatores que mostram não haver nenhuma candidatura favorita há tão pouco tempo das eleições. O principal deles é a descrença da população com a classe política, devido aos sucessivos escândalos ocorridos na última década. A crise econômica, provocada pela crise política e por erros na condução da política econômica nos últimos anos, também agravam o quadro. 

Mas há questões pontuais que podem explicar a atual indefinição. A principal delas é o grande número de pré-candidatos. Não se sabe ao certo quem realmente disputará o pleito em outubro, nem quais alianças serão formadas. 

Sem a definição de candidaturas e de coligações fica quase impossível definir quem poderá estar em um eventual segundo turno, muito menos quem será eleito. No entanto, é possível ver quais possíveis coligações e candidatos têm mais chances. 

Entre as prováveis alianças, o principal candidato do bloco que se denomina como “centro-esquerda”, que lidera as intenções de voto, o ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva está preso e cumprindo pena. Por já ter sido condenado em segunda instância não poderá disputar as eleições. 

Mesmo assim, o PT mantém a candidatura de LULA e devem só retirá-la após a Justiça Eleitoral impugná-la oficialmente. Há ainda a alternativa do PT lançar Fernando Haddad. O ex-prefeito de São Paulo ainda não apresentou bom desempenho nas pesquisas publicadas. 

Com isso, o bloco de “centro-esquerda” passa a ter além da candidatura petista, ao menos, Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PC do B), Aldo Rebelo (SD) e Guilherme Boulos (PSol). 

Desses, somente Ciro Gomes parece ter viabilidade. Mas, sem conseguir aglutinar os demais partidos do campo, e sem apoio de outras legendas que lhe tragam tempo de TV e palanque nos Estados, pode não conseguir chegar ao segundo turno. 

Ainda no campo da “centro-esquerda”, temos o PSB, que não definiu ainda qual candidatura vai apoiar. Já ensaiou lançar Luciano Huck e Joaquim Barbosa. Nenhuma delas emplacou. 

Outra bem colocada nas pesquisas, neste momento, é de Marina Silva (Rede). Se não conseguir trazer o apoio partidos para sua candidatura, ficará sem tempo de TV relevante para divulgar suas propostas e não poderá participar dos debates de TV. Sem isso, não terá fôlego para chegar no segundo turno. 

No campo denominado “centro-direita”, há também uma grande pulverização de candidaturas. Entre elas, Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Rodrigo Maia (DEM), Álvaro Dias (Podemos), Josué Gomes (PR), João Amoêdo (Novo), Flávio Rocha (PRB), Fernando Collor (PTC), entre outros. 

O único candidato que parece ter musculatura para chegar ao segundo turno é Geraldo Alckmin. Pesa contra, neste momento, o baixo desempenho nas pesquisas. No entanto, o tucano é o que tem maior potencial de crescimento. Alckmin pode conseguir unificar os partidos de centro-direita, como DEM, MDB, PTB, PSD, entre outros, e da esquerda democrática como PPS, que já acenou apoio e do PSB. 

Unificando os partidos de centro-direita e da esquerda democrática, o candidato do PSDB pode ter o maior tempo de TV, palanques eleitorais e potencial eleitoral. Podendo ir para o segundo turno com muita força. Alckmin tem dito que já garantiu apoio de cinco partidos. 

O líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), coloca-se como o candidato de “direita”. Apesar disso, não conseguiu até o momento apoio de legendas que lhe deem tempo de TV e palanque nos estados. Não é possível medir ainda o quanto dessa intenção de votos Bolsonaro consegue levar até outubro, sem apoio de outros partidos e com pouco tempo de TV.

Dentro do atual cenário, se os partidos de esquerda se unirem em apoio a uma só  candidatura, Ciro Gomes ou Fernando Haddad, certamente estarão no segundo turno.

Da mesma forma, os candidatos de centro só terão como certa uma participação na próxima fase da eleição, com a unificação em nome de um só candidato. O mais provável é que seja o candidato do PSDB Geraldo Alckmin.

A pulverização das candidaturas só favorecerá a Bolsonaro, que até o momento tem se beneficiado dessa indefinição para liderar as pesquisas.


*Welbi Maia Brito é publicitário e editor do Blog do Welbi

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