Desistência de Barbosa poderá beneficiar a candidatura de Alckmin


Sem o ex-ministro do Supremo na disputa sucessória, ex-governador tucano teria mais chance de recuperar o voto que é tipicamente do PSDB: o do eleitorado com altas renda e escolaridade

ABNOR GONDIM • DCI

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Se não pegou o PSB de surpresa, a desistência do ex-ministro Joaquim Barbosa, anunciada ontem (8), no Twitter, deixa o partido na incerteza entre lançar um nome próprio para seguir na disputa presidencial - mas quem ? - , ou apoiar os que já estão disponíveis na corrida sucessória.

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo DCI, o candidato mais beneficiado com a saída de Barbosa seria o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Políticos veteranos, mas com uma imagem de candidaturas “anti-políticas”, como a ex-senadora Marina Silva (Rede-AC) e o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) também herdariam esses votos.

Esse elenco de consequências foi expressada pela consultoria política Arko Advice. Filiado, mas sem ter a candidatura lançada, Barbosa tem o perfil associado ao enfrentamento da corrupção e despontou com 10% das intenções de votos em pesquisa do DataFolha de 18 de abril. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Barbosa se tornou conhecido ao conduzir o processo do “mensalão”, no qual apontou o envolvimento do PT em propinas, no governo Lula.

Para os cientistas políticos da Arko, embora Alckmin continue estagnado ao centro, a saída de Barbosa é positiva para o candidato tucano, que poderá recuperar os votos perdidos. “Isso porque Barbosa havia conquistado parcela do eleitorado da região Sudeste, onde Alckmin é mais forte, sobretudo os segmentos de maior renda e escolaridade”, avalia a consultoria Arko.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, os principais favorecidos são Alckmin e Marina. A ex-senadora porque deixa de ter entre os adversários uma candidatura com perfil semelhante: contra o PT e em busca de eleitores tucanos. Já Alckmin deixa de ter um nome que tinha capacidade de recrutar o eleitor típico do PSDB: altas renda e escolaridade.

A saída de Barbosa da corrida sucessória será negativa, avalia o cientista político Alexandre Bandeira. “Ficou mais evidente, após a participação de Barbosa na disputa, seguida da desistência, que o cenário é de instabilidade”, disse. “Não há uma ideia clara sequer de quem serão os atores que vão polarizar o pleito. E ainda há, por mais difícil que seja, a possibilidade de que outros nomes desistam de participar também”, alertou Bandeira.

De acordo com o especialista, esse grau de imprecisão na corrida presidencial vem acompanhado de um comportamento diferente do eleitor, destacado com a participação de Barbosa nas pesquisas. “Percebemos que o eleitor está flexível, ponderando aceitar novos nomes para participar do processo eleitoral, com condições de ganhar e que não estejam dentro dos grupos que polarizaram as últimas disputas para o Palácio do Planalto, como o PT e o PSDB.”

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