"O roteiro de Alckmin para 2018", artigo de Vera Magalhães


Governador de São Paulo se preocupa mais com a convenção que definirá o novo comando do PSDB do que com o dilema hamletiano de ser ou não ser aliado ao governo Michel Temer

O Estado de S.Paulo


Principal beneficiado, no PSDB, da queda em desgraça de Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, se preocupa mais com a convenção que definirá o novo comando da sigla do que com o dilema hamletiano de ser ou não ser aliado ao governo Michel Temer.

Alckmin usa como trunfo o fato de ter sido o único grão-tucano a defender, desde a queda de Dilma Rousseff, que o partido apoiasse as reformas sem ocupar cargos na Esplanada. Portanto, não poderá ser cobrado por incoerência, tem dito a quem lhe pergunta.

Em recente encontro em São Paulo com representantes do empresariado e economistas, Alckmin se apresentou com a desenvoltura de quem acredita que voltou ao início da fila dos presidenciáveis tucanos. E fez a defesa da aprovação das reformas mesmo em caso de desembarque. 

Os presentes ao encontro, na sua maioria entusiasta de uma candidatura de João Doria Jr., saíram de lá com a impressão de que o criador enredou politicamente a criatura.

Isso porque, depois de influir na escolha do novo comando do PSDB, Alckmin se lançará na defesa incondicional das prévias. Com isso acha que liquida qualquer pretensão secreta que Aécio ainda possa alimentar de ser candidato.

E, de quebra, intimida Doria, que não poderá nem ser contra as prévias – afinal, foi por meio delas que se sagrou candidato a prefeito – nem disputar com seu padrinho.

Já o prefeito tem dois trunfos a seu favor: a expectativa de se tornar um fato consumado por meio da liderança nas pesquisas e o perfil que o eleitor demonstra querer para os candidatos em 2018, distante da política tradicional.

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