"Os afastados e os provisórios", artigo de Artur Xexéo


O problema é manter a TVE... ops... TV Brasil com essa programação medíocre

O GLOBO

Artur Xexéo Foto: O GloboHá muito de ridículo nesta briga entre o governo afastado e o governo provisório. Basta ver o vídeo que a atriz Tássia Camargo postou na internet pedindo que o povo leve comida à “exilada” Dilma para ficar claro que não estou exagerando. Mas quase nada é tão ridículo quanto a questão que se instalou na TV Brasil. Dilma deve ser chamada de “presidenta” ou de “presidente”?

Criada em 2007, pelo governo Lula, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) tinha a missão de gerir as emissoras de rádio e televisão públicas federais. Gerir, como tudo no governo Lula, significou “aparelhar”. E foi assim que a Rádio MEC perdeu importância, a Rádio Nacional... ainda existe a Rádio Nacional? E a TVE virou TV Brasil. Aqui no Rio, o rosto mais evidente da EBC é a TVE. Ou TV Brasil. Para ser justo, ela nunca soube muito bem para que servia. Tentou ser educativa, tentou ser cultural. De qualquer maneira, sempre houve o empenho de manter no ar uma programação classuda. Imagino que a TVE... ops... TV Brasil tenha um excelente acervo de música popular, embora não o use para nada. Com a honrosa exceção do sempre ótimo “Sem censura”, comandado por Leda Nagle, a TV Brasil foi arrendada para “amigos” do governo, amadores em questão de televisão. Chegou ao absurdo de comprar uma telenovela angolana dentro da política de boa vizinhança que Lula implantou com os países africanos. Com se sabe, sobrava dinheiro no governo do PT até para comprar telenovelas africanas. O resultado foi o que se esperava: traço de audiência. Agora, a EBC vive um momento em que espelha a situação do país: um presidente afastado, levado ao cargo pelo governo provisório, e um presidente em exercício, que chegou lá por uma canetada do governo afastado. O presidente afastado baixou uma norma exigindo que Dilma fosse chamada de “presidente”. Quando o presidente em exercício retomou o poder, baixou outra norma exigindo que Dilma voltasse a ser chamada de “presidenta”. Por mim, enquanto ela continuar sendo chamada de “afastada”, está tudo bem. O problema é qualquer governo manter a TVE com essa programação medíocre.



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