PSDB cresce e PT encolhe com troca de partidos


JOSÉ MARQUES E THIAGO AMÂNCIO - FOLHA.COM

Silva Junior - Folhapress 
Silvio Torres, Deputado Federal e Secretário Nacional do PSDB


Mais de 20% dos deputados estaduais e distritais de todo o país trocaram de partido no último mês durante a janela eleitoral liberada pelo Congresso. No saldo final, o PSDB é o partido com mais adesões, e o PT, mais perdas.

O partido da presidente Dilma Rousseff não conseguiu filiar nenhum novo deputado, mesmo nos Estados onde governa (como Minas Gerais, Bahia e Ceará).

Em sete Estados mais de um terço do parlamento trocou de partido, como Mato Grosso, Maranhão e Rondônia. Alagoas foi a recordista: dois terços da Assembleia se filiou a uma nova legenda.


O levantamento foi feito pela Folha nas 26 Assembleias Legislativas do país e na Câmara Distrital, do DF. No levantamento, foram considerados apenas deputados que estão em exercício de mandato. A janela de filiações foi aprovada na minirreforma eleitoral e permitiu o troca-troca de partidos durante o período sem risco de cassação por infidelidade.

Para Florisvaldo de Souza, secretário nacional do PT, a perda de deputados "não é tão expressiva nem chega a ser como muitos previam". "O PT é um partido que tem sofrido muitos ataques", diz.

Ele diz que, mesmo com as reacomodações no Legislativo e "com a situação que o país vive", o partido ainda continua filiando "o dobro de pessoas que têm saído".

Já o secretário-geral do PSDB, Silvio Torres, acredita que as novas filiações decorrem das eleições de 2014, "que projetaram o partido como alternativa de poder" ao governo PT. As eleições municipais, diz, serão reflexo disso: enquanto o partido tinha 11 candidatos a prefeituras no Rio de Janeiro, Estado onde tem menor força, neste ano deve lançar mais de 60.


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Pré-candidato em Queimados, na Baixada Fluminense, o deputado Zaqueu Teixeira afirma que trocou o PT pelo PDT por conta das eleições municipais, e não pela rejeição ao PT. Segundo ele, havia um acordo para que seu nome fosse lançado neste ano, que não foi cumprido.

A filiação ao PDT, afirma Teixeira, foi feita por conta da "proximidade ideológica" que a legenda tem com causas trabalhistas.

Outro motivo que impulsionou o troca-troca é fazer parte da bancada governista.

Em Alagoas, o PMDB, do governador Renan Filho, saltou de três para 11 parlamentares –com adesão inclusive do líder do governo, Ronaldo Medeiros, que deixou o PT.

O líder da oposição, Rodrigo Cunha (PSDB), reclama das mudanças, que diz ser "péssimo para a democracia". "Seduz muito ir para o governo porque na teoria eles têm mais benefícios, mas o que acontece no fim é a pobreza do debate", afirma.

No período da janela, o PMDB é a sigla que mais teve novas adesões (29), mas também a que mais perdeu deputados (21). O partido se consolidou como a maior bancada em Minas Gerais, governada por Fernando Pimentel (PT), e tem pressionado a administração por cargos e maior participação, sob ameaça de deixar a base.

No Ceará, embora o governador Camilo Santana seja petista, o troca-troca privilegiou o PDT, partido de seu padrinho político, o ex-governador pedetista Cid Gomes. A maioria dos recém-filiados ao PDT debandou do PROS, mesmo movimento feito por Cid no ano passado.

Em Brasília, o PSB do governador Rodrigo Rollemberg não elegeu nenhum distrital nas últimas eleições. Em outubro, estreou após um suplente assumir. Agora, ganhou dois novos filiados e já divide o posto de maior legenda da Câmara com o PT.

A situação é a mesma em Goiás e Mato Grosso do Sul, governados pelo PSDB, onde o partido angariou quatro deputados em cada Estado, consolidando maioria.

Já a Bahia praticamente refundou o nanico PSL, que pulou de um para oito deputados após o presidente da Casa, Marcelo Nilo, próximo ao governador Rui Costa (PT), romper com o PDT.

A região com menos trocas foi o Sul, onde apenas 10% mudou de legenda. Contribuiu para a contagem a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que não registrou nenhuma mudança.

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