PSDB quer apuração sobre dinheiro de Angola usado na campanha do PT


Mariana Haubert - Folha.com


O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), anunciou que o partido ingressará nesta quarta-feira (20) com uma representação junto à Procuradoria-Geral Eleitoral para pedir a investigação sobre a denúncia feita pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró de que o PT recebeu R$ 50 milhões de propina de Angola para abastecer a campanha à reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Caso a investigação comprove que o dinheiro estrangeiro foi usado na campanha eleitoral, os tucanos pedirão a cassação do registro do PT, o que poderá levar à extinção da sigla.

Isso porque a Constituição proíbe os partidos políticos de receberem de entidades e governos estrangeiros quaisquer recursos financeiros e também o uso de dinheiro proveniente do exterior em campanhas eleitorais. De acordo com Sampaio, esta é a primeira vez que um partido pode pedir a extinção de outro por ter recebido recursos de outra nação.

Cerveró afirmou que a campanha de Lula à reeleição, em 2006, teria recebido até R$ 50 milhões de propina proveniente da compra de US$ 300 milhões de blocos de exploração de petróleo na África. As informações de Cerveró, que já dirigiu a área Internacional da estatal, foram dadas a investigadores da Operação Lava Jato durante negociações para fechar seu acordo de delação premiada e foram reveladas pelo jornal "Valor Econômico".

"É uma denúncia grave feita por um integrante da quadrilha que atuou na Petrobras. O que está em jogo não é o ex-presidente Lula mas sim o recebimento pelo Partido dos Trabalhadores de recursos do exterior", afirmou Sampaio, vice-presidente jurídico do PSDB.

"O que a lei veda é que partidos recebam recursos do exterior, o que é uma ofensa à soberania nacional e à democracia brasileira. A consequência é direta para o seu partido, o PT", completou.

As declarações sobre a propina são citadas em anexo de informações elaborado por advogados de Cerveró. No documento, ele afirma que soube do repasse por meio de Manuel Domingos Vicente, ex-presidente do conselho de administração da estatal petrolífera de Angola, a Sonangol, que hoje é vice-presidente do país.

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