"Baderna financiada", editorial do Estadão



O Estado de S.Paulo


Desde que o PT chegou ao governo federal, o poder público vem financiando “movimentos sociais” que, mais do que oferecer soluções para problemas sociais concretos, estão sempre prontos para tumultuar o cotidiano dos brasileiros e o funcionamento das instituições.

Embora seus nomes e siglas expressem uma determinada finalidade social, isso é apenas uma fachada para uma contínua e multifacetária intervenção nos mais variados assuntos. Essa aparente indeterminação de causas não é, no entanto, resultado de um descuido de seus líderes ou de falta de planejamento. Ao contrário, sua incansável – e aparentemente aleatória – atividade evidencia uma precisa disposição de atuar politicamente.

Entre esses “movimentos sociais” tem destaque cada vez maior o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Nascido no fim dos anos 1990 a partir das fileiras do MST, seu objetivo é “combater a máquina de produção de miséria nos centros urbanos, formar militantes e acumular forças no sentido de construir uma nova sociedade”, segundo o site da organização.

O MTST não tem personalidade jurídica e utiliza associações para receber aportes do governo federal. A Associação de Moradores do Acampamento Esperança de Um Novo Milênio, vinculada ao MTST, é a que mais recebeu dinheiro público do “Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades” no Estado de São Paulo. Foram mais de R$ 81 milhões, quase cinco vezes mais que a segunda colocada entre as entidades beneficiadas pelo programa federal.

Na lista aparece o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra Leste 1, com repasses de quase R$ 8 milhões. Entidades assim compõem aquilo que Lula gosta de chamar, genericamente, de “exército de Stédile”, obviamente financiado pelo Estado para solapar e, se possível, derrubar os alicerces democráticos desse mesmo Estado.

O “Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades” levanta controvérsias desde a sua criação, em 2009. Ao repassar dinheiro público para entidades cujos fins são políticos e ideológicos, ele fortalece essas organizações. Ao mesmo tempo, é uma forma de favorecer as “famílias organizadas por meio de cooperativas habitacionais, associações e entidades privadas sem fins lucrativos”, que têm acesso mais fácil à moradia do que as famílias não vinculadas a esses movimentos.

Se não cabe ao Estado fazer distinções entre cidadãos, com base no envolvimento de cada um com organizações sociais ou políticas – pois isso fere a indispensável isenção do poder público –, menos ainda cabe a ele financiar movimentos que atuam fora da lei. A cartilha do MTST prega a “luta contra o capital e o Estado que representa os interesses capitalistas” e diz abertamente que uma de suas formas prediletas de atuação é o bloqueio de rodovias. Em sua ótica, tal ação vai muito além de “chamar a atenção para a reivindicação dos trabalhadores. (...) Ao bloquearmos uma via importante estamos gerando um imenso prejuízo aos capitalistas. (...) Imaginem todas as principais vias paradas! E paradas não por horas, mas por dias! Conseguiríamos impor uma grande derrota ao capital e avançar na transformação que queremos. Este é um grande objetivo do MTST”.

Não satisfeito em bloquear rodovias e avenidas, o MTST acaba de acrescentar a suas formas de atuação a invasão de escolas. O movimento de Guilherme Castro Boulos entendeu que não podia ficar de fora da discussão a respeito da reestruturação da rede de ensino estadual e pôs em prática sua técnica de ocupação. Conforme noticiou o Estado, o MTST coordenou algumas das recentes invasões de escolas estaduais.

A intromissão no tema da educação – assunto sério, que afeta muitas famílias e não deve ser manipulado com fins ideológicos – evidencia mais uma vez a finalidade política do MTST. Sua preocupação não é a moradia popular. Seu objetivo é intimidar para “derrotar o capital”, conforme manda sua cartilha.

Em tempos de aperto econômico, é mais do que hora de revisar os repasses públicos a esses “movimentos sociais”. Não tem por que a sociedade bancar baderneiros.

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