'Tese do impeachment não se enfraqueceu, apenas mudou de data', diz Geraldo Alckmin



Governador de São Paulo afirma que análise de pedidos de afastamento de Dilma foi adiada para 2016 devido à crise envolvendo Eduardo Cunha, entre outros motivos 

RICARDO CHAPOLA E ANA FERNANDES - O ESTADO DE S.PAULO 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin 

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesse domingo, 30, que pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff não perderam força no Congresso, mas que sua análise pelos parlamentares "mudou de data". "Eu acho que o impeachment não enfraqueceu. Mudou de data. O que poderia ser feito neste ano vai ser feito depois da Páscoa", disse o governador, em entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes.

Alckmin atribuiu a mudança de data, entre outros motivos, à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no mês passado, que suspendeu o rito do processo do impeachment definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após a decisão, o peemedebista revogou o entendimento questionado pela Corte.

"Mudou em razão do rito que foi estabelecido pelo STF e em razão também da crise na Câmara, do presidente da Câmara", afirmou Alckmin. Cunha é alvo de investigações no âmbito da Operação Lava Jato devido a suspeitas de que ele recebeu propina com dinheiro desviado da Petrobrás por meio de contas na Suíça. Ele também é alvo de pedido de cassação feito ao Conselho de Ética pelo PSOL.

O governador afirmou que a proposta do impeachment, se for votada, tem chance de avançar. "Acho que o dia em que colocar em votação não vai ser uma questão descartada", disse ele, ao citar como exemplo o processo contra então presidente Fernando Collor de Melo, em 1992. "Na época do presidente Collor, ninguém acreditava que pudesse (ter impeachment). Em 30 dias, tudo mudou."

Durante a entrevista, o governador também disse que Dilma é uma pessoa "séria", mas ponderou que, em crime de responsabilidade, "não precisa que a pessoa ponha dinheiro no bolso". "Eu tenho a impressão pessoal, de seriedade da presidente. Quando se fala em crime de responsabilidade, não é que a pessoa pôs dinheiro no bolso", afirmou.

Paralisia. Alckmin defendeu que se investigue e que se julgue os indícios contra a presidente e afirmou que o mais importante é que haja decisões rápidas, seja no processo das contas do governo de 2014 no Tribunal de Contas da União (TCU), em relação às chamadas "pedaladas fiscais", seja da campanha por suspeita de abuso de poder político e econômico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou do impeachment no Congresso. "O País não aguenta ficar mais um ano parado, a economia não resiste a isso", disse.

O governador de São Paulo afirmou ainda que, na eventualidade de Dilma ser afastada e haver uma gestão do vice-presidente Michel Temer, o PSDB não precisaria participar do governo para dar sua contribuição ao País. O tucano evitou uma resposta direta, mas deu a entender ter uma postura diferente de outros líderes do seu partido. "Primeiro tem que saber se vai ter impeachment. Na hipótese de um governo de Michel Temer ver se ele vai convidar o PSDB ou não", ponderou.

O governador paulista disse que, a seu ver, o PSDB tem que ter responsabilidade e deve ajudar o governo - seja qual for de Dilma ou de Temer - nas questões nacionais. Ele defendeu a separação das questões partidárias daquilo que é interesse do Estado brasileiro e que essa contribuição o partido poderia dar sem integrar um eventual governo Temer. "Não precisa participar de governo pra isso", afirmou.

Candidatura. Alckmin desconversou também sobre a possibilidade de ser candidato à Presidência em 2018, dizendo que a data "está muito longe". "Três anos nessa circunstância (de crise política) são três séculos", disse. Sobre ter sido praticamente lançado candidato presidencial por aliados, na convenção estadual do PSDB paulista em junho, minimizou. "Foi generosidade, tudo tem seu tempo." 

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