"O que está por trás da ocupação das escolas em SP", artigo de José Fucs


Estimulada pela Apeoesp e pelo MTST, a invasão está longe de ser uma iniciativa que brotou da insatisfação genuína dos alunos com a reestruturação da rede escolar

Época

Cartazes colados no centro de São Paulo em meados de novembro. Será que foram produzidos por estudantes secundaristas? (Foto: José Fucs)

Dê uma lida nos cartazes acima, que eu mesmo fotografei no centro de São Paulo na quarta-feira da semana passada, ao passar de carro pela região a caminho de uma entrevista.

Eles fazem uma convocação de professores, alunos, pais, funcionários e da comunidade “contra o fechamento de escolas e a bagunça na rede estadual de ensino”. 

Se perguntar não ofende, como diz o velho dito popular, então responda à seguinte pergunta: você acredita que esses cartazes, que estão espalhados por toda a cidade, foram realmente produzidos, distribuídos e colados por aí pelos estudantes secundaristas? Ou será que você, como eu, pensa que esse movimento de protesto contra a reestruturação da rede escolar paulista, que já resultou na ocupação ilegal de quase 100 escolas no Estado, tem pouco ou nada a ver com os alunos?

Não sou um especialista na área de educação, nem advogado do governador Geraldo Alckmin, mas não precisa ser muito inteligente para perceber que há algo estranho, muito estranho, por trás das ocupações em série de escolas em São Paulo nas últimas semanas.

É difícil acreditar que uma medida administrativa -- destinada a separar os alunos por escolas de acordo com o ciclo, como acontece em vários países desenvolvidos, e a adaptar a rede escolar, que perdeu dois milhões de alunos desde 1998, à demanda atual -- tenha motivado uma reação desse calibre.

Com base nas informações divulgadas até agora pela mídia, não tenho dúvida de que as ocupações são uma ação articulada por grupos ligados ao PT e pelas chamadas "organizações sociais” que lhe dão apoio, inclusive as entidades que reúnem os secundaristas, aparelhadas pelo partido.

Não por acaso, logo nas primeiras ocupações de escolas, pipocaram “alunos” do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), os maiores ocupantes ilegais de propriedades públicas e privadas do país, tradicionalmente adulados por Dilma, Lula e pelo PT.

Desde os primeiros protestos contra a decisão, também era possível detectar o protagonismo assumido por professores ligados à Apeoesp (a entidade que reúne os professores do ensino oficial de São Paulo), sob o pretexto de apoiar as "reivindicações" dos secundaristas.

Derrotada no primeiro semestre deste ano na mais longa greve de professores da história de São Paulo, com duração de 92 dias, a Apeosp esperava apenas um pretexto para poder “dar o troco” em Alckmin – e ele veio agora com a reestruturação da rede escolar.

Além de criar um fato político, em meio ao petrolão e à recessão recorde gerada pelo governo federal, a Apeoesp, uma das mais truculentas entidades sindicais do país, está usando a reestruturação das escolas para manter seus privilégios corporativistas. Ela quer evitar a adoção da meritocracia no ensino, a avaliação dos professores e a elaboração de um diagnóstico claro para melhorar a qualidade das escolas de São Paulo, que deveria ser o principal objetivo de qualquer professor digno do nome. 

Com o apoio digital dos autodenominados “blogueiros independentes”, que de independentes não têm nada, a ocupação das escolas em São Paulo passou a ser glorificada nas redes sociais, sem que ninguém tenha sequer se preocupado em discutir seriamente o assunto do ponto de vista pedagógico. Agora, até a legítima reintegração de posse dos prédios está sendo considerada pelas milícias digitais do PT como uma ação “antidemocrática” do governo paulista. 

Infelizmente, neste caso, o que menos importa para os ocupantes das escolas é a melhoria da educação no Estado e de sua eficiência. Por isso, o que deveria ser uma questão técnica tornou-se um conflito ideológico. É o que o PT e seus satélites costumam fazer com tudo que é implementado por quem não tem ligação com eles.

Um comentário:

  1. Que tudo seja de fato Justo e Perfeito .
    Vários são os acontecimentos que nos levam a refletir.
    SENADOR PRESO :- diante de tanta evidencia ficam duvidas, quanto ao demais que estariam envolvidos e estão sendo "protegidos, blindados" e surpresas podem vir a acontecer.
    Que assim seja e que a classe política tenha a coragem de reverem conceitos e de promoverem mudanças efetivas para que a sociedade brasileira, tenha a esperança de melhores dias.
    ESTUDANTES :- menores de idade , que são manipulados e conduzidos aos protestos relativos as questões da EDUCAÇÃO.
    Precisamos voltar a termos coragem em reavaliar esta participação que é feita com a colaboração de PROFESSORES , de DIRIGENTES SINDICAIS e que por isto e toda a metodologia aplicada a estes movimentos, nos mostram que os interesses podem vir a serem outros e não o de proporcionarem MELHORIA DA QUALIDADE DE ENSINO .
    O incrível nisto tudo é que , as DE MENORES , em atos equivocados , não podem ser punidos . Os Pais , que colaboram e ou que são OMISSOS , também não são responsabilizados e quanto aos PROFESSORES , que participam em razão de ideais políticos , não nos convencem de que o que eles desejam é a melhoria do ensino, mas de impor o que cartilhas (segundo consta) comunistas dão a devida instrução a todos .
    Até quando vamos ter que conviver com isto ?
    O Estudante , NÃO ESTUDA ,NÃO SE DÁ AO RESPEITO, NÃO RESPEITA OS PROFESSORES ,PARTICIPAM DE MOVIMENTOS POLÍTICOS, COMENTEM ILÍCITOS E NADA CONTINUA ACONTECENDO .
    Porque somente alguns "tontos" é que continuam a ser obedientes à legislação em vigor ? Porque somente alguns continuam a caminhar pelos caminhos que a sociedade entende ser o correto?
    Quando é que o Justo e Perfeito, vai efetivamente prevalecer ?
    Quando é que o cidadão de bem, que respeita para ser respeitado, e que cumpre com os seus deveres para ter direitos vai merecer os frutos que vem plantando ?
    Ou o que vale na verdade é não ligar para nada , fazer o que bem entende e está tudo certo ?
    e tenho dito .'.

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