'Lava Jato está próxima da campanha de Dilma', diz senador Aloysio Nunes sobre decisão do TSE


Para Aloysio Nunes, candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, abertura de investigação sobre contas do PT é um sinal de que as suspeitas de desvios da Petrobrás aproximam-se da presidente

PEDRO VENCESLAU - O ESTADO DE S.PAULO


Candidato a vice presidente na chapa de Aécio Neves em 2014, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirma que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de reabrir uma ação do PSDB que pede a impugnação dos mandatos da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico na eleição mostra que a Operação Lava Jato “está chegando” na campanha da petista. 

“A decisão do TSE, que está corretíssima, é um fato que causa extrema dificuldade política para Dilma. É a (Operação) Lava Jato chegando na campanha presidencial”, disse o tucano aoEstado. É a primeira vez que o TSE abre uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo contra um presidente da República. 

Na ação, os tucanos alegam que os supostos abusos tornariam "ilegítima" a eleição de Dilma, que teria vencido o pleito com "financiamento de campanha mediante doações oficiais de empreiteiras contratadas pela Petrobrás como parte da distribuição de propinas". 

Nessa terça-feira, 6, por cinco votos a dois, o TSE decidiu abrir a ação de impugnação dos mandatos de Dilma e Temer. Caberá ao ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, decidir quem vai conduzir a ação, que deverá contar com diligências para tentar comprovar as suspeitas e prazo para que a presidente e o vice apresentem defesa. 

Contas. O senador também comentou a decisão do governo de apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar a análise das contas de Dilma do ano passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Essa tentativa de bombardear a reunião do TCU é umas das coisas mais ineptas e estúpidas que eu já vi em matéria de operação política. Estava fadado ao fracasso desde o início”, disse o senador. 

O governo recorreu ao STF para evitar o julgamento das contas do governo de 2014 nesta terça-feira pelo TCU que podem embasar eventual pedido de impeachment de Dilma por crime de responsabilidade. No pedido de liminar feito pelo advogado-geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, o governo alegou que o tribunal descumpriu o rito previsto no Código do Processo Civil (CPC) ao tratar do pedido de suspeição e afastamento do relator, Augusto Nardes. Na segunda-feira, o governo pediu a substituição do ministro com o argumento de que ele agiu com parcialidade e antecipou seu voto em entrevistas à imprensa sobre o processo. Com isso, teria descumprindo a Lei Orgânica da Magistratura e normativos do próprio TCU.

O ministro do STF Luiz Fux negou, nesta terça, o pedido do governo para suspender a sessão. Ele apontou que a "simples manifestação" de um relator sobre a causa não gera a suspeição.

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