Governador Geraldo Alckmin inaugura a principal obra de combate à crise hídrica da Grande São Paulo


Interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê vai transferir até 4 mil litros de água por segundo, beneficiando as zonas leste e norte da capital, além de São Caetano e parte de Guarulhos


O governador Geraldo Alckmin inaugurou nesta quarta-feira, 30, em Ribeirão Pires, a principal obra deste ano para garantir o abastecimento da Grande São Paulo. A interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê vai transferir 4.000 litros de água por segundo ao longo de 22 km. Esse bombeamento será responsável por aumentar ainda mais a capacidade de integração do sistema de abastecimento da Sabesp. Também participaram do evento o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

“Estamos entregando uma obra estruturante e extremamente importante, que é a ligação do Rio Grande com a represa de Taiaçupeba. A água vai por mais de 21 quilômetros, por duas grandes adutoras. Com isso, temos mais de 4 metros cúbicos por segundo, o que equivale a quase 1,2 milhão de pessoas abastecidas com água nova, aqui do Rio Grande, reforçando o Alto Tietê”, explicou o governador Geraldo Alckmin.

Com investimento de R$ 130 milhões, a obra é formada por quatro bombas com capacidade para empurrar a água 80 metros acima, superando o relevo acidentado que divide o ABC (onde fica o Sistema Rio Grande) até a sua chegada à estação de tratamento em Suzano (no Alto Tietê). Duas adutoras paralelas, cada uma com diâmetro de 1.200 milímetros, vão levar a água por 10,5 km até o córrego Taiaçupeba-Mirim. Por esse curso d’água o volume avançará mais 11,5 km, chegando até a represa Taiaçupeba, onde fica a estação de tratamento de água do Sistema Alto Tietê.

Para que a água seja transferida de uma represa para a outra, ao longo de todo o percurso, a Sabesp instalou 12 geradores. Cada gerador tem potência de 1,63 MVA, o que equivale a 1.600 cavalos. É potência maior do que a de um carro de Fórmula 1. Foram instaladas quatro bombas dentro da represa, que vão transferir a água até a margem, onde outras quatro bombas vão empurrar o volume ao longo de 10,5 km de tubos, superando até 80 metros de subida para transpor os morros.

O bombeamento será de 24 horas, dependendo das condições da represa. Haverá um controle automatizado dos níveis dos rios, tanto na captação como na descarga, respeitando padrões mínimos e máximos.

O Sistema Rio Grande está com mais de 85% de armazenamento de água. Para aproveitar esse estoque, a Sabesp vai bombear 4.000 litros por segundo para o Sistema Alto Tietê que, por sua vez, tem grande capacidade de tratamento – 15 mil litros por segundo –, porém suas represas estão com nível mais baixo. Com o bombeamento, a Sabesp levará a matéria-prima (água disponível no Rio Grande) até o local onde há maquinário suficiente para o tratamento (Sistema Alto Tietê).

O empreendimento beneficiará, diretamente, os bairros da Mooca, Parque da Mooca, Vila Oratório, Quarta Parada, Belenzinho, Tatuapé, Belém, Catumbi, Vila Maria, Chácara Bela Vista, Vila Guilherme, Parque Vila Maria, Parque Novo Mundo, Vila Medeiros, Jardim Japão, Vila Isolina Mazzei, Vila Munhoz e Vila Ede, em São Paulo; todo o município de São Caetano do Sul e 70% da cidade de Guarulhos (municípios permissionários).

Alta tecnologia


Além da sua importância no combate à crise hídrica, a interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê ficará marcada pelo uso de alta tecnologia. As duas adutoras de 1.200 milímetros são feitas de polietileno de alta densidade (PEAD), construídas para transportar a água por 10,5 km, parte deste trecho subaquático. Segundo a Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), não há estrutura aquática semelhante em locais como Europa e Estados Unidos. No Brasil, esta é a maior obra utilizando o PEAD e também executada em tempo recorde.

A Sabesp consultou o mercado nacional e internacional informando sobre a intenção da obra, quantidade de material e tempo necessários, o que demandou uma mobilização global no segmento de PEAD, já que para uma tubulação desse diâmetro e extensão é necessário um produto customizado.

Também pela primeira vez, a Sabesp está usando gás natural, em substituição ao diesel, para a geração de energia elétrica que vai alimentar as bombas. A Comgás construiu um gasoduto de 2,2 km de extensão, que fornecerá 1,2 milhão de m³/mês de gás natural – volume suficiente para suprir o consumo de aproximadamente 100 mil residências. Esta é a primeira usina de geração a gás do Brasil e vai alimentar 12 geradores com capacidade de gerar 19,5 MVA de eletricidade. Essa potência fará funcionar as oito bombas.

O gás natural tem diversos benefícios: além das qualidades ambientais, uma vez que se trata de um combustível limpo, que gera baixa emissão de poluentes, ele é notadamente mais econômico e confiável, valores fundamentais para a operação de saneamento. Outra vantagem é a garantia de fornecimento, via gasoduto, eliminando o transporte do diesel via caminhão e os riscos de atraso na entrega.

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