Delator diz que em 2004 buscou sacola com dinheiro para doação ao PT


Fernando de Moura, operador de propinas ligado ao ex-ministro José Dirceu, afirmou em sua delação que retirou R$ 650 mil em escritório de lobista e na sede da Camargo Corrêa a pedido de Silvio Pereira, referente a obra de refinaria da Petrobrás

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso - Estadão


O operador de propinas Fernando de Moura – que segundo a Operação Lava Jato era um dos braços do ex-ministro José Dirceu no esquema de corrupção na Petrobrás – revelou em sua delação premiada que buscou sacolas de dinheiro da empreiteira Camargo Corrêa que era recursos para a campanha eleitoral de 2004. Os valores foram , no escritório do lobista Julio Camargo e na sede da empresa.

“Recebeu das próprias mãos de Julio Camargo algo em torno de R$ 350 mil em uma sacola”, confessou Moura. “Depois de recolher o dinheiro o declarante entregou a quantia a Silvio Pereira, que lhe disse que utilizaria o dinheiro para a campanha de 2004″, registrou a delegada Miliak Marena, da equipe da Lava Jato.


Em 2004, Silvio Pereira – que era secretário-geral do PT – solicitou que Moura fosse ao escritório de Julio Camargo “buscar uma quantia em dinheiro que a Camargo Corrêa estava doando ao Partido dos Trabalhadores em razão de uma obra na Repar (Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná)”, registra a Polícia Federal no termo de delação 10, de Moura.


Nesse mesmo ano, Silvio Pereira pediu novamente que Moura fosse retirar um dinheiro no escritório da Camargo Corrêa, na Avenida Juscelino Kubitschek. “Ao chegar lá, foi recebido por João Auler
(executivo da empreiteira), que lhe entregou a quantia de R$ 300 mil.” O delator diz que a visita pode ser comprovada com o registro que fez na portaria do prédio.

“Em seguida, o declarante essa quantia a Silvio Pereira, que lhe disse que os valores seria para pagar despesas da campanha de 2004″, registrou a PF, em depoimento colhido no dia 28 de agosto.

Fernando Moura foi preso no dia 3 de agosto na Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato, que pegou também o ex-ministro Dirceu. Em troca de benefícios, o empresário fechou acordo de delação premiada, homologado nesta segunda-feira, 21, pelo juiz federal Sérgio Moro.

Em um trecho de sua delação, o lobista citou a distribuição de recursos ao PT pelo ex-secretário-geral Silvio Pereira. “A parte do dinheiro destinada ao Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores era entregue em espécie e depois era distribuída para as campanhas; que o declarante chegou a voar com Silvio Pereira para levar dinheiro para as campanhas municipais; que nessa viagem Silvio entregou quantias em espécie para representantes dos Diretórios Regionais do Rio de Janeiro, de Vitória e de Fortaleza; que o dinheiro nunca ia direto das empresas para os Diretórios Regionais, eram operações distintas”, declarou Fernando Moura.

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