Por falta de creches, Haddad fica sem selo 'amigo da criança'


Fábio Takahashi - Folha.com

Luiz Carlos Murauskas - Folhapress 
Prefeito Fernando Haddad (PT) em visita a creche na Cohab Água Branca

A Fundação Abrinq decidiu não conceder a Fernando Haddad (PT) o selo de "Prefeito Amigo da Criança" após ele reconhecer que não entregará parte das 243 creches prometidas para o mandato.

Criado em 1996, o título é dado a gestores que cumprem ações previamente estabelecidas com a fundação.

Haddad assinou o compromisso quando ainda era candidato a prefeito, em 2012.

Em geral, a avaliação do cumprimento das metas para a concessão do selo é feita ao fim do mandato. No caso de Haddad, seria em 2016.

A organização decidiu anunciar já que ele não obterá o título porque reconheceu, semana passada, que cerca de 40% das creches não ficarão prontas até o ano que vem.

Segundo a fundação, a prefeitura também não cumpriu outras ações, previstas no compromisso, como a elaboração de plano municipal para a infância e adolescência.


OUTRO LADO

A gestão Haddad rebateu. Afirmou que "a Abrinq perdeu a legitimidade porque nenhum dos seus principais filiados se dispôs a doar uma única creche à prefeitura".

Em março, Haddad reuniu 170 empresários para pedir ajuda na construção das unidades. Até o momento, nenhuma obra ficou pronta.

A Abrinq é uma organização sem fins lucrativos, cujos maiores patrocinadores são grandes empresas dos setores bancário, tecnológico e alimentício, entre outros.

A prefeitura reclamou também que a Fiesp (federação das indústrias) ganhou pedido na Justiça que impediu aumento do IPTU em 2014.

Recursos adicionais, disse a gestão, seriam usados justamente para construir creches. A Fiesp alegou à época que o reajuste era abusivo (até 20% para residências e até 35% para comércios).

CONVÊNIOS

Na semana passada, a gestão Haddad disse que deve entregar ao fim do mandato no máximo 147 das 243 creches previstas. Ela afirmou não ter recursos suficientes.

Por outro lado, a prefeitura disse que tentará acelerar a criação de vagas via convênios. Nesta modalidade, a gestão paga entidades privadas por criança atendida.

"Entendemos que apenas a construção de unidades assegura a qualidade necessária para as crianças", disse Carlos Tilkian, presidente da Fundação Abrinq e da empresa de brinquedos Estrela.

"Não entregar as creches mostra erro tremendo de prioridade orçamentária", disse o representante da Abrinq.

No último balanço oficial, havia 106 mil crianças na fila por creches na capital paulista. Para zerá-la só com unidades construídas, seria preciso em torno de 500 creches.

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