Oposição quer investigação de marqueteiro do PT


Folha.com


Líderes da oposição defenderam neste domingo (3) que os antecedentes históricos do PT legitimam o inquérito da Polícia Federal que investiga o marqueteiro do partido, João Santana.

O jornalista é alvo de investigação, conforme revelou a a Folha, por ter trazido por meio de suas empresas US$ 16 milhões para o Brasil em 2012 em uma operação sobre a qual os investigadores suspeitam de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT.

Ao comentar o fato, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), evocou os escândalos do mensalão e do petrolão que, segundo ele, "foram arquitetados para desviar dinheiro público e financiar o projeto do PT para se manter no poder".

Assim, disse o tucano, "sendo o marqueteiro João Santana uma peça importante nessa obsessão petista do poder pelo poder, é provável, como desconfia a Polícia Federal, que os recursos trazidos para o Brasil de Angola tenham como origem empresas brasileiras que prestam serviço no país africano".

O vice-líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), defendeu que a lavagem de dinheiro se tornou uma prática petista.

"A informação não me surpreendeu. Está se revelando rotina do partido a lavagem de dinheiro via despesas eleitorais", afirmou o senador.

Para o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro, o fato também pode ser reincidente. "Lembremos que o esquema do mensalão foi desvendado a partir da relação do PT, seu publicitário [Marcos Valério] e empresas privadas com depósitos no exterior", disse.

Já o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), chamou atenção para a importância de apurar a origem do dinheiro. "O pagamento dos impostos poderia ter servido apenas para esquentar um dinheiro de origem duvidosa. É um caso que não pode cair no esquecimento como aconteceu com os pagamentos feitos pelo PT no exterior ao marqueteiro Duda Mendonça na época do mensalão."

RETRATAÇÃO

No domingo, o PT divulgou nota em defesa de Santana. O partido considerou "satisfatórias as explicações e provas documentais divulgadas pela Pólis", empresa do marqueteiro investigada pela PF.

Para responder às denuncias, Santana criou um site (www.averdadesobreapolis.com.br) com documentos referentes a contratos e pagamentos das campanhas do prefeito Fernando Haddad e do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Ambas foram feitas em 2012, ano da remessa do exterior.

Ele também gravou um vídeo em que pede retratação à PF. "Confio na Justiça, mas espero retratação futura pelos danos possíveis causados a minha imagem".

O site também declara que não procede informação publicada pela Folha de que parte do dinheiro entrou no Brasil pela Pólis Caribe, na República Dominicana. "A remessa oriunda de Angola para o Brasil foi totalmente realizada pela Pólis Propaganda & Marketing [sediada no Brasil]", diz a nota. O marqueteiro tem ainda empresas em El Salvador e Argentina.

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