Petrolão: Cunhada de Vaccari está foragida; tesoureiro foi preso em caminhada


Flávio Ferreira - Folha.com


A Polícia Federal informou que Marice Correia de Lima, cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é considerada foragida após não ter sido encontrada em São Paulo na manhã desta quarta-feira (15).

Vaccari foi preso nesta quarta em nova fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.

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A Justiça também decretou a prisão temporária de Marice, suspeita de ter participado do esquema de repasses de propinas ligadas a contratos na estatal. Segundo o delegado da PF Igor Romário de Paula, na casa dela foram encontradas correspondências que indicam que ela está em viagem há duas semanas.

A polícia e o MP querem a prisão dela por "operar junto com Vaccari operações de doações partidárias ilegais e operações financeiras relativas à Petrobras", disse de Paula.

O delegado informou que Vaccari, indagado sobre o destino de Marice, disse acreditar que ela esteja em viagem ao Panamá ou à Costa Rica. Porém, a PF afirmas que os registros de entrada e saída do país não registram viagem dela ao exterior.

Contra a mulher dele, Giselda Rose de Lima, a PF cumpriu mandado de condução coercitiva. Esse mandado foi cumprido na própria casa dela, por isso ela não precisou ser levada a depor na PF. De acordo com depoimento do doleiro Alberto Youssef, R$ 400 mil desviados pelo esquema de corrupção na Petrobras foram depositados na conta de Giselda, em 2008.

O tesoureiro do PT foi preso logo após as 6h, quando se preparava para fazer sua caminhada matinal, e não ofereceu resistência. Ele vestia camiseta e short. No momento da abordagem, se preparava para calçar seus tênis.

Vaccari está sendo levado de carro para a sede da PF em Curitiba. A previsão para sua chegada à capital paranaense é por volta das 13h.

DOAÇÕES

As doações ao PT estão sob suspeita porque, segundo o Ministério Público Federal, foram uma forma de pagamento da propina que empresas deviam ao PT para manter contratos com a Petrobras.

Segundo o despacho que determinou a prisão, Vaccari foi preso porque, como continuava na tesouraria do partido, poderia continuar incorrendo em crimes ou atrapalhar as investigações. "O mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário", afirmou, no despacho, o juiz Sérgio Moro.

"A manutenção dele [Vaccari] em liberdade ainda oferece um risco especial pois as informações disponíveis na data desta decisão são no sentido de que João Vaccari Neto, mesmo após o oferecimento contra ele de ação penal pelo Ministério Público Federal [...], remanesce no cargo de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Em tal posição de poder e de influência política, poderá persistir na prática de crimes ou mesmo perturbar as investigações e a instrução da ação penal", afirmou.

O juiz afirmou que o "mero afastamento" dele do cargo que ocupa no partido não seria suficiente para prevenir de todo os riscos, já que existem indícios de ter atuado no esquema criminoso de propinas na Petrobras "mesmo antes de ter a posição oficial de tesoureiro no partido".

"Quem responde por tão graves crimes, que incluem a utilização da posição de tesoureiro de partido político para angariar recursos criminosos e corromper o sistema político, oferece um risco a ordem pública, justificando a [prisão] preventiva", escreveu.

DEZ ANOS

De acordo com os investigadores, Vaccari Neto desviava recursos para o partido desde 2004. "Já sabíamos que doações oficiais na verdade escondiam operações de lavagem de dinheiro. Nós verificamos que Vaccari tem uma trajetória desse tipo de operação desde 2004", afirmou o procurador de Justiça Carlos Fernandes Santos Lima, em entrevista coletiva em Curitiba na manhã desta quarta.

Foram descobertos depósitos de mais de R$ 300 mil ao longo de três anos em contas dele.

Na última sexta-feira (9), Vaccari foi ouvido pela CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados. No depoimento, defendeu as doações que o partido recebeu de empresas investigadas pela Lava Jato e admitiu ter se encontrado com operadores do esquema de corrupção descoberto na estatal, mas evitou explicar os contatos.

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