Para Alckmin, obras mudarão cenário pessimista sobre o Cantareira


Venceslau Borlina Filho - Folha.com


O governo de São Paulo trabalha com a possibilidade de a retirada de água do sistema Cantareira cair para até 8.000 litros por segundo durante o inverno, que começa em 21 de junho. A vazão seria a mínima registrada para o abastecimento da Grande São Paulo que, em condições normais, já chegou a receber 33 mil litros por segundo do conjunto de represas.

Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), porém, o cenário mais pessimista deve ser revertido com as obras emergenciais em andamento, que devem garantir 6.000 litros de água por segundo para o reforço do Cantareira. Com isso, a vazão para abastecimento de cerca de 6,5 milhões de pessoas se manteria na marca atual, de cerca de 14 mil litros por segundo.

De acordo com Alckmin, a primeira obra deve ser entregue até maio. Ela vai levar mil litros de água por segundo do rio Guaió para o Alto Tietê. A segunda, que é a reversão de 4.000 litros de água por segundo do sistema Rio Grande para o Alto Tietê, deve ser entregue até agosto. Além disso, ele conta com mais mil litros do sistema Guarapiranga.

O governador falou sobre o assunto nesta quinta-feira (19) durante lançamento de novas obras do corredor metropolitano de Campinas (a 93 km de São Paulo). Ele também afirmou que não será retirada água do "corpo" da represa Billings. Nesta quinta (19), a Folha revelou que Alckmin desistiu de utilizar a parte poluída da represa para abastecer a Grande São Paulo.

"Esses seis metros cúbicos por segundo [6.000 litros por segundo] são estratégicos. Como hoje tiramos 14 metros cúbicos por segundo do Cantareira [...], quanto será no inverno, 12? Vamos ser pessimistas, dez [metros cúbicos por segundo]? Vamos ser mais pessimistas, 20% a menos, 8? Então, se tiver uma afluência de 8 metros cúbicos por segundo e tira 14, vão faltar 6, que são esses 6 que estamos complementando", disse.

Alckmin considerou, no entanto, que será mantido o esforço pelo uso racional da água, com campanhas e o bônus para quem economizar, para recuperar o volume dos reservatórios. Atualmente, o sistema Cantareira opera com as duas cotas do volume morto. Decisão da Justiça Federal determinou no mês passado que o reservatório chegue ao final de abril com 10% do volume útil.

Sobre os mil litros do sistema Guarapiranga, o tucano afirmou que a água será tratada na ETA (estação de tratamento de água) Boa Vista por meio de membranas alto filtrantes. Isso porque a ETA já está na sua capacidade máxima para o tratamento convencional. Segundo Alckmin, serão dois equipamentos. Cada um trata 500 litros de água por segundo.

BILLINGS

O governador de São Paulo afirmou nesta quinta que não vai retirar água do corpo da represa Billings, considerada por ele próprio a "grande caixa d´água" da Grande São Paulo. Segundo o tucano, o que será feito é a reversão de água do sistema Rio Grande, "porque está mais perto do [sistema] Alto Tietê".

De acordo com reportagem da Folha, um dos motivos para a desistência seria o alto custo para o tratamento da água contaminada da represa. Questionado por jornalistas sobre o assunto, Alckmin não quis comentar o caso.

O plano inicial era transpor essa água para a represa do Rio Grande, que abastece o ABC. Para isso, seriam usadas bombas gigantes e tubulações para que a água passasse de uma represa para a outra, abaixo da rodovia Anchieta, que liga a capital ao litoral sul.

No Rio Grande, a água suja da Billings seria então diluída com a água mais limpa do local. Depois, poderia ser levada por adutoras ao sistema Alto Tietê e, com isso, atender bairros abastecidos pelo Cantareira.

VOLUME MORTO

Alckmin comentou a declaração do diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Andreu Guillo, nesta quarta-feira (18), após participar de uma palestra com pesquisadores estrangeiros sobre a crise hídrica no Estado. De acordo com Andreu, o termo "reserva técnica" foi uma "tucanada" –em referência ao partido do governador– dada no Brasil ao termo "volume morto".

"Olha, sobre isso não vou comentar porque não deve transformar coisa séria em futrica política", disse Alckmin, após ser questionado por um jornalista.

Nesta quarta, o subsecretário de Comunicação do governo do Estado, Márcio Aith, falou em nota sobre a declaração. "O sr. Andreu desrespeita novamente o governo de São Paulo, que trabalha há um ano, de forma ininterrupta, para garantir o abastecimento de água para a população.

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