Governo Dilma promete pacote anticorrupção 'em breve'; cidades respondem com panelaço


Anúncio foi feito em coletiva com os ministros José Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto

SIMONE IGLESIAS - O GLOBO

Moradores da região de Pinheiros fazem protesto batendo em panelas nas sacadas durante fala dos ministros- Fernando Donasci

O governo Dilma Rousseff respondeu às manifestações das ruas com a promessa de que encaminhará ao Congresso "em breve" um pacote anticorrupção e defendeu reforma política com o fim do financiamento de empresas às campanhas eleitorais. Durante pronunciamento, moradores de várias cidades brasileiras fizerampanelaços. Nas redes sociais, se espalharam vídeos feitos em capitais como Rio, Recife, Curitiba, São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Cidades do interior do país também aderiram - no estado de São Paulo, por exemplo.

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) falou que todos têm o direito de protestar e defendeu as manifestações como "democráticas". Já o ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) disse que os que foram ás ruas neste domingo majoritariamente não votaram na presidente Dilma. Cardozo ressalvou, no entanto, que o governo deve atuar para todos os 200 milhões de brasileiros. Os dois foram designados pela presidente a darem uma entrevista coletiva em instantes para fazer uma avaliação das manifestações contra o governo que tomaram conta do país neste domingo.

Os ministros Miguel Rossetto (a esquerda) e José Eduardo Cardozo - Jorge William

Durante a coletiva de imprensa, vários panelaços foram registrados pelo país. Nas redes sociais, se espalharam vídeos feitos em capitais como Rio, Recife, Curitiba, São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Cidades do interior do país também aderiram - no estado de São Paulo, por exemplo.

Dilma chamou ao Palácio do Alvorada ministros do núcleo político para fazer uma análise dos protestos.Integrantes do governo demonstraram preocupação com o tamanho das manifestações. O grupo ainda está reunido e é integrado, além de Cardozo e Rossetto, por Aloizio Mercadante (Casa Civil), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Thomas Traumann (Secretaria de Comunicação Social), Jaques Wagner (Defesa), e Giles Azevedo, assessor especial da presidente.

Na entrevista, ficaram claros dois posicionamentos distintos dentro do governo. Um, manifestado por Cardozo, de respeito às manifestações; e outro, por Rossetto, de que os que foram para as ruas votaram em Aécio Neves. O ministro da Secretaria-Geral faz um discurso para dentro do PT e para os movimentos sociais.

- O governo ressalta que o Brasil assistiu hoje e nos últimos dias manifestações, tirando alguns poucos incidentes, realizadas dentro da ordem democrática, dentro dos padrões da legalidade, e com absoluto respeito às autoridades - disse Cardozo. O ministro ressaltou que o estado democrático permite a divergência e opiniões contrárias estão longe de "qualquer alternativa golpista".

O ministro da Justiça disse que o governo quer dialogar com Congresso e até mesmo com a oposição, para buscar, em conjunto, alternativas.

- O Brasil está muito longe de golpismos. A manifestação democrática de hoje revela claramente isso. O governo está atento e revela a disposição que sempre teve de ouvir a voz das ruas. Não há democracia sem diálogo, sem tolerância de posições divergentes - afirmou Cardozo.

Ao falar no pacote anticorrupção e em reforma política, o governo demonstra a necessidade de diálogo com o Congresso. O pacote deverá ser anunciado entre terça e quarta-feira. Quanto à reforma política, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já instalou uma comissão especial para discuti-la em fevereiro.


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