'A arte de fazer política com mais amor', artigo de Gleuda Apolinário


A imagem pode conter: Gleuda Simone Apolinario
O partido que começa a praticar a falsa ideia da verdade absoluta e do totalitarismo partidário tende a caminhar pelo radicalismo e ao longo da sua história perde sua legitimidade ideológica e política. Olhe a armadilha que o PSDB está caminhando. O sinal amarelo esta aceso.  Importante  tratarmos aqui o conceito de participação e representação democrática.


Falta hoje na sociedade a tolerância para o diálogo sobre as diferenças de opiniões e as idéias políticas.

Praticar a arte de fazer política é exercitar o diálogo e a escuta. Percebam como as coisas internamente e externamente estão se seguindo no mundo da política e da sociedade brasileira, pensamentos e atitudes autoritárias e regras absolutas na prática de coagir, humilhar e constranger pessoas que pensam diferentes de nós. 

Exercitar a política partidária com sangue nos olhos e ódio no coração são práticas nada republicanas e sim autoritárias, digamos que expõe o lado sombra das pessoas que usam a política como instrumento do seu projeto de poder.

O exercício do diálogo entre as pessoas de maneira respeitosa ,inteligente , debater e argumentar fundamentos e teses ideológicas , retóricas fundamentadas no respeito e tolerância ao próximo estão se perdendo no dia a dia principalmente nas redes sociais (na armadilha do anonimato).

As decisões ideológicas e partidárias devem ser sempre fruto do amplo e transparente diálogo e defesas de teses.

Respeitar as diferentes opiniões é o exercício diário da Democracia Dialógica, um dever cívico, uma prática constante em qualquer ambiente que estejamos, e seja qual for a função pública ou política que ocupamos. 

O exercício do saber dialogar é antes de tudo  ouvir e garantir o direito do outro se expressar na sua opiniao divergente.

Saber ouvir e saber falar parecem simples ato da nossa vida cotidiana, porém,  acreditem, não são. Estamos vivendo tempos em que não exercitamos a prática de ouvir, diálogar e argumentar.

Com todo este movimento do discurso de ódio após a prisão do Lula, o país  faz uma divisão entre nós e eles, banalizando as questões políticas como se fossemos clubes de futebol, de torcidas organizadas, com frases debochadas, preconceituosas e irônicas contra a dignidade humana.

Infelizmente este efeito autoritário, constrangedor e ameaçador pulou os muros da Social Democracia de nosso partido. As pessoas assistem atônicos como se fosse "democrático" falar com dedo em risque, fazer bravatas impositivas, deixar a saliva sair pelos lábios, agredir nossos ouvidos com gritos e expressar raiva e agressões com palavras de ordem desagregadoras em nome de um partido político.

Com tristeza e muita angústia sinto que estamos nos perdendo enquanto identidade política, ideológica e partidária ,  estamos sendo contaminados pelo "clima" do personalismo e da revanche que tenta aniquilar e esmagar a nossa doce, frágil e alegre DEMOCRACIA.

Tenho a esperança de não nos limitarmos no raciocínio, no bom senso, na prática humanitária, na reflexão política, nos posicionamentos coerentes, consenso de teses e idéias.

Exercitar a democracia um aprendizado para todos que temos o dever sem a demagogia  de lutar e defender nossos direitos de pensar , falar e agir.

Não podemos aceitar nossa perda de identidade quando saímos do campo dos argumentos, das ideias, do protagonismo político e passamos para o campo da "vala comum" de fazer política, com um radicalismo medíocre e hipócrita, do pragmatismo político alienador. 

Temos que aprender que a arte de fazer política é um talento nato do ser humano em disseminar mais amor e menos a guerra... 

Por fim, em ano eleitoral... que fique a mensagem para todos : campanha eleitoral não é guerra de uns contra os outros, mas sim, um momento de esperança em nossas vidas de dias melhores  , com pessoas de bem e com programas de governos, teses ideológicas e defesas programáticas ,  uma governança descente, ética , de honradez e de  práticas humanitárias e solidárias.


*Gleuda Apolinário é Socióloga e Coordenadora Estadual de Políticas Sobre Drogas no Governo do Estado de São Paulo

5 comentários:

  1. Um artigo coeso e de facil compreensao...Obrigado

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  2. Poucos conseguem ter uma visão tão perfeita para escrever um texto como esse. Maravilhoso, muito bem escrito.

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  3. Adorei. Reflete nosso momento.

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  4. Dentro da artes, uma das que me move é a de transformar em texto, palavras lúcidas, frutos de muitas reflexões e experiências de Vida. Muito grata por estar aí, me representando como cidadã e pessoa. Grata por manter viva a esperança inteligente, de lutar com amor e dignidade, por questoes tão difíceis de serem resolvidas, mas que fará de nossa sociedade, pessoas mais humanizadas e respeitosas individual e coletivamente.

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  5. Excelente.Gostaria que todos nós pudéssemos pensar no melhor para a sociedade e parassemos de agir como torcedores em uma partida de futebol. O Brasil não é uma arena. Tá na hora de realmente trabalhar pelo conjunto seja de idéias,ações e trabalho em prol de um todo. Belíssimo texto mas vindo da Gleuds Apolinário não podia ser diferente!

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