Em bate-papo no Twitter, Alckmin afirma que quer ser candidato a presidente em 2018


UOL


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (23) que quer disputar a Presidência da República nas eleições do ano que vem. A declaração foi dada durante uma sessão de perguntas e respostas feita com usuários do Twitter.

"Candidatura a cargo majoritário, como presidente da República, não é uma decisão pessoal. Ela é uma decisão coletiva, que começa pelo partido, tem que ouvir as alianças, a sociedade, esse é o bom caminho. Se você me perguntar se eu quero ser, eu vou dizer para você, olhando aqui nos seus olhos, que sim, e estou preparado para ser candidato", disse o governador. "Mas essa é uma decisão coletiva para o final deste ano."

O usuário do Twitter que perguntou a Alckmin sobre a candidatura também o questionou sobre um possível apoio do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), de quem o governador é padrinho político. No entanto, Alckmin não respondeu sobre o assunto. Doria tem viajado pelo Brasil, fazendo crescer especulações sobre uma possível candidatura presidencial. 

Ainda respondendo à pergunta sobre a candidatura presidencial, Alckmin disse que "não vai ser fácil o futuro, mas o Brasil tem tudo para se recuperar. Uma boa política fiscal que deixe espaço também para investimentos; juros, como o mundo inteiro hoje, é baixíssimo, até negativo; e câmbio que permita o Brasil saber jogar o jogo do século 21, uma grande inserção internacional em comércio exterior."

"Alckmin tem as virtudes de não gerar ruído e de não entrar em bola dividida", artigo de Alberto Carlos Almeida


Governador de SP vem buscando o centro político

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AS VIRTUDES DE ALCKMIN

Diante do espaço de mídia dedicado a Lula e Doria, pode-se afirmar que Geraldo Alckmin, o atual governador do Estado mais importante do Brasil, vem sendo esquecido. Certamente a principal razão deste esquecimento é a combinação do fato de ele não ser novidade, com a derrota sofrida em 2006 na reeleição de Lula. Isto ofusca as virtudes e méritos de Alckmin.

Quando se trata de compreender os resultados eleitorais, as visões de senso comum em geral predominam sobre as análises científicas. Graças a este fenômeno, critica-se o desempenho de Alckmin nas eleições de 2006 por ter tido mais votos no primeiro do que no segundo turno. Trata-se de um julgamento tão equivocado quanto injusto. Tais críticos dizem ainda que o pior desempenho eleitoral no segundo turno se deveu ao fato de Alckmin ter buscado caminhar para o centro político ao aceitar o apoio de Garotinho, que teve em torno de 10% dos votos no primeiro turno, e também porque o candidato tucano vestiu a camisa e o chapéu, literalmente, de empresas estatais como os Correios, o Banco do Brasil e a Petrobras. Trata-se de um engano.

As pesquisas realizadas nas semanas e dias finais do primeiro turno indicaram uma queda de Lula e crescimento de Alckmin logo após a ampla divulgação pela mídia do episódio que ficou conhecido como o dos aloprados, quando foi associado a figuras do PT a compra de um dossiê falso que envolvia José Serra, candidato a governador, com um grande escândalo de corrupção. O escândalo dos aloprados eclodiu a partir de 15 de setembro, portanto duas semanas antes da eleição. O que aconteceu com as candidaturas de Lula e Alckmin foi resultado do que na literatura especializada se convencionou denominar de efeito de mídia. Em função da reiterada divulgação da compra do dossiê, Lula perdeu votos e Alckmin cresceu junto ao eleitorado. No segundo turno este efeito de mídia não esteve presente, o que possibilitou que os dois candidatos voltassem ao patamar de votos anterior a 15 de setembro. O charme desta explicação é inversamente proporcional a sua razoabilidade, daí não ter muita aceitação. Adicionalmente, a outra explicação, que enfatiza eventuais erros de Alckmin, é útil para seus adversários dentro e fora do PSDB.

Um mérito evidente de Alckmin foi a sua capacidade de governar São Paulo por quatro mandatos. É curioso que se fale em vários recordes de políticos, tais como eleições ganhas consecutivamente, longevidade no controle de seus partidos, mas se esqueça que Geraldo Alckmin vem tendo a capacidade de ser o político que mais tempo governou o principal Estado do Brasil. Há que admitir que isto é sinal de capacidade política. Somente alguém que controla o seu partido, lidera, constrói consensos, atinge esta marca.

Governar quatro vezes um Estado da magnitude de São Paulo permite que se constitua uma ampla e sólida rede de relacionamentos políticos. Causa-me espécie quando vejo alguém comemorando a eventual candidatura de Bernardinho ao governo do Rio de Janeiro. Ser jogador e técnico de vôlei não socializa ninguém na arte da política. O treino político é prático, do dia a dia, tem a ver com decidir sobre leis e regulamentos cujo impacto é amplo, é público. Isto exige acordos feitos no fio do bigode e que terão de ser cumpridos. Na medida que tais acordo são realizados a reputação do político vai sendo construída em seu meio, e ele vai formando o seu grupo, assim como vai sendo respeitado pelos adversários. Alckmin fez isso de sobra em função dos vários mandatos à frente do Palácio dos Bandeirantes.

É interessante acompanhar Alckmin pela mídia durante a turbulenta conjuntura que o país tem passado. Ele não gera ruído e não entra em bola dividida. Indo além, Alckmin vem buscando o centro político. O seu vice é do PSB (Partido Socialista Brasileiro), um sinal claro de que ele sabe que precisa ter um pé na esquerda, como Lula sabia em 2002 que precisava de um vice que o colocasse com um pé na direita. A nossa eleição presidencial é em dois turnos, assim, por definição, ela favorece o candidato que fizer o discurso de centro. No caso de um candidato tucano, ir para a direita é o mesmo que dar um tiro no pé, é o mesmo que ir para a esquerda no caso de um candidato petista.

Há aqueles que fazem muito barulho por nada. Alckmin é o oposto, não faz barulho. O estilo de Alckmin é este. Alckmin segue o mantra de que o pior erro na política é fazer aquilo que não é necessário.



*Alberto Carlos Almeida, 51 anos, é diretor do InteliGov e do Instituto Análise. Foi articulista do Jornal Valor Econômico por 10 anos. Autor do best-seller “A cabeça do Brasileiro” e diversos outros livros.

FHC prevê que PSDB lançará Alckmin à Presidência



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O ex-presidente tem dito a interlocutores que o mais provável é que o PSDB lance Geraldo Alckmin a presidente, e não o prefeito de São Paulo, João Doria. O governador teria mais história e estofo para enfrentar uma campanha e, acima de tudo, a prolongada crise política do país caso seja eleito.

As informações são da colunista do jornal Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo.

FHC diz que reforma política permitirá reequilíbrio entre os três poderes


ANA LUIZA ALBUQUERQUE - FOLHA.COM

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Em um cenário de crescente judicialização da política, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) diz acreditar que a reforma política permitirá que o Congresso seja aceito pela sociedade como seu representante.

"Enquanto isso não for aceito, o Judiciário vai avançando", afirmou em debate sobre a Lava Jato no instituto que leva seu nome, nesta terça (22), em São Paulo.

"Quem o povo acha que pode ser presidente? Os juízes. Se for para a Presidência, vai ser um desastre."

FHC ressaltou que o país já passou por momentos piores e afirmou que é preciso "reequilibrar os poderes". "Hoje sabemos os nomes de todos os ministros. No passado, sabíamos de todos os comandantes. A tensão era permanente porque os militares que tomariam a decisão. Isso acabou. Agora temos que reequilibrar os poderes."

Também sobre a reforma política, FHC disse que a Constituição de 1988 preocupou-se em criar um "sistema de distribuição de poder bastante amplo", visando as liberdades em um momento pós-ditadura, mas que não discutiu como financiar a democracia.

"Não houve clareza no modo de fazer e isso gerou uma corrupção que passou a ser quase a base de sustentação do poder", afirmou.

O ex-presidente disse que a Lava Jato tem importância "enorme", mas afirmou que é preciso "equilíbrio".

"Justiça não é só acusação, só delação, ainda que premiada. Há um sentimento na sociedade de vingança, que também não é aceitável."

Participaram do debate os advogados Beto Ferreira, Heloísa Estellita e Pierpaolo Bottini e a procuradora regional do MPF-RJ Silvana Batini.


VITÓRIAS E TROPEÇOS

Palestrantes durante debate no Instituto Fernando Henrique Cardoso, nesta terça
Giovanni Bello/Folhapress 

Em um primeiro momento, os palestrantes foram convidados a fazer um balanço da Lava Jato. Bottini destacou o uso e aprimoramento de institutos como os acordos de leniência e as delações premiadas, assim como um "avanço da organização do Ministério Público e do Judiciário".

Entre os problemas, listou o que entende como um esgarçamento nos fundamentos da prisão preventiva, uma "inconstitucionalidade" no uso da condução coercitiva e dificuldades nas colaborações premiadas. Segundo o advogado, o perigo é a delação ser tratada como prova. Ele também ressaltou que o "uso exagerado" da colaboração e da leniência pode causar "injustiças graves" ao sistema.

Estellita enalteceu a importância da delação premiada. "Se tivesse que escolher só uma causa para o sucesso da operação, seria essa", disse. Ela afirmou ver um retrocesso em relação à admissão da prisão preventiva no âmbito da Lava Jato. "Seria muito importante reconduzir a prisão preventiva à excepcionalidade."

Batini disse que a Lava Jato não é mais somente uma operação. "É uma marca, um padrão de enfrentamento desse tipo de criminalidade", afirmou. Segundo a procuradora-regional, entre as características deste padrão está o trabalho em equipe integrado verticalmente e integrado a outras instituições (como a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal) e o uso da tecnologia.

Ferreira afirmou que a operação teve um resultado positivo na transparência, "mas que requer bastante equilíbrio em um momento de tensionamento econômico, político e institucional".


JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA

Bottini respondeu afirmativamente a uma pergunta da plateia que questionou se o STF (Supremo Tribunal Federal) é sensível à opinião pública. Ferreira falou em um processo de "ativismo judicial".

Estellita foi mais enfática e defendeu que juízes não devem se manifestar porque em sua essência deve estar a imparcialidade. "Sempre vi com muita reserva o uso da TV Justiça. É pernicioso e contraproducente a transmissão das decisões do STF", acrescentou.

Do outro lado, Batini afirmou que a exposição do Judiciário era "inevitável". "Reconheço que é preciso buscar um equilíbrio. A figura do juiz exige recato, mas não gosto da ideia de excluir essas categorias do debate público", disse.


2ª INSTÂNCIA

Os palestrantes também discordaram sobre a decisão do STF que permitiu a execução da pena a partir da condenação em 2ª instância. Batini disse que considera a medida um "avanço" e que a decisão está "em perigo". Para ela, um novo entendimento geraria um descrédito "muito grande" para o Supremo. "A jurisprudência do STF não pode mudar quando muda o réu. Se voltar, é um golpe muito grande."

Ferreira, Bottini e Estellita, por outro lado, condenaram a decisão do Supremo ao afirmar que era papel do Legislativo promover a mudança.

Estellita afirmou que a medida foi "inconstitucional". "A Constituição diz que não pode cumprir pena se não foi transitado em julgado [quando se esgotam todos os recursos]. Está ruim? Manda um projeto de emenda. Sou contra o Supremo legislar, não os elegi."

Bottini se disse preocupado com momentos em que a sociedade desconfia do Legislativo e atribui decisões "a quem quer que seja que não foi eleito".