Senador José Serra quer empenho de governo por reforma política


Coluna do Estadão

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O senador José Serra (PSDB-SP) procurou ontem o presidente Michel Temer para defender que o governo se empenhe na votação da reforma política. Serra é cotado para ser relator da comissão que tratará do tema no Senado, tendo como pontos centrais parlamentarismo, voto distrital misto, cláusula de barreira e fim das coligações. A tendência é de que a comissão seja instalada em até duas semanas. Michel Temer se mostrou interessado na possibilidade de implantação do parlamentarismo, com a figura de primeiro-ministro, a partir de 2019.

Os 9 elementos que ligam Lula ao sítio de Atibaia


Ao abrir terceiro processo contra ex-presidente na Lava Jato, em Curitiba, Moro listou itens apresentados pelo MPF, como contrato, notas fiscais, troca de e-mails e bens apreendidos, que indicam vínculo com propriedade rural

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Julia Affonso - Folha.com

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O juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, listou nove “elementos probatórios expressivos” sobre a relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o sítio de Atibaia (SP) e as reformas realizadas nele por empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás, ao abrir o terceiro processo criminal contra o petista, nesta segunda-feira, 1.

Documento

São elementos como o contrato de gaveta de compra e vendo do imóvel e notas fiscais de bens e serviços relacionados à proriedade, apreendidos pela Polícia Federal na casa de Lula, em São Bernando do Campo (SP), no dia 4 de março de 2016 – quando foram feitas buscas no local e o ex-presidente foi levado coercitivamente para depor -, a apreensão de diversos bens pessoas do casal no sítio, mensagens e e-mails sobre as obras entre outros.

Esta é a terceira denúncia contra Lula que Moro recebe. Ao todo, na Lava Jato e também nas Operações Zelotes e Janus, o ex-presidente Lula é réu em seis ações penais. Na ação do caso triplex, o petista foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9 anos e 6 meses de prisão.

Segundo a nova acusação contra Lula, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobrás. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.


“Os elementos probatórios juntados pelo MPF e também colacionados pela Polícia Federal permitem, em cognição sumária, conclusão de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comportava-se como proprietário do Sítio de Atibaia e que pessoas e empresas envolvidas em acertos de corrupção em contratos da Petrobrás, como José Carlos Cosa Marques Bumlai, o Grupo Odebrecht e o Grupo OAS, custearam reformas na referida propriedade, tendo por propósito beneficiar o ex-residente”, afirma Moro, na decisão em que aceitou denúncia dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.


OS ELEMENTOS PROBATÓRIOS DO ELO LULA E SÍTIO DA DENÚNCIA

A proximidade dos formais proprietários com Luiz Inácio Lula da Silva e seus familiares

A informação de que veículos de utilização do ex-Presidente teriam comparecido cerca de 270 vezes no Sítio de Atibaia entre 2011 a 2016 e que agentes de segurança pessoal dele também lá estiveram em mais de uma centena de oportunidades

A colocação de câmaras de segurança no Sítio de Atibaia por ação dos agentes de segurança pessoal do ex-Presidente

As mensagens eletrônicas trocadas entre o caseiro da propriedade rural e o Instituto Lula, inclusive acerca de obras e eventos corriqueiros no sítio

A localização, na busca e apreensão autorizada judicialmente, de diversos bens pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva e de seus familiares, inclusive vestuários com o nome do ex-Presidente, na suíte do Sitio

A apreensão de notas fiscais emitidas contra a esposa do exPresidente relativamente a bens encontrados no Síti

A apreensão de notas fiscais emitidas contra auxiliares do exPresidente e empregados da Odebrecht no apartamento dele em São Bernardo relativamente a bens encontrados no Sítio de Atibaia

Mensagens eletrônicas relativas à reforma do Sítio de Atibaia encaminhadas a auxiliares do ex-Presidente

A apreensão no apartamento em São Bernardo do ex-Presidente de minuta de escritura de compra e venda do imóvel de matrícula 55.422, ou seja, parte do Sítio de Atibaia, de Fernando Bittar para o ex-presidente

O juiz da Lava Jato destacou em seu despacho que “nessa fase processual, não cabe exame aprofundado das provas, algo só viável após a instrução e especialmente o exercício do direito de defesa”.

“Basta, nessa fase, analisar se a denúncia tem justa causa, ou seja, se ampara-se em substrato probatório razoável”, escreveu Moro. “Juízo de admissibilidade da denúncia não significa juízo conclusivo quanto à presença da responsabilidade criminal.”


Defesa. O defensor de Lula, o criminalista Cristinao Zanin Martins, afirmou que “a nova decisão” de Moro “é mais um atentado ao Estado de Direito praticado por esse agente público”. O advogado acusa o juiz de ser suspeito e imparcial e que não há provas de corrupção ou lavagem de dinheiro.

“Mais uma vez trabalha com conceito de ‘propriedade de fato’ embora o sítio referido na denúncia tenha proprietários conhecidos, que constam na matrícula do imóvel e que provaram a utilização de recursos próprios e lícitos para a compra do bem, e, ainda, que suportam despesas de sua manutenção”, alegou a defesa, em nota pública.




Acusação. A acusação formal contra Lula foi apresentada pelo MPF em maio.

Moro disse que Lula se comportava como dono do sítio. O juiz destacou que ‘até o momento, não se ouviu, em princípio, uma explicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do motivo de José Carlos Cosa Marques Bumlai, do Grupo Odebrecht e do Grupo OAS, terem custeado reformas de cerca de R$ 1.020.500,00 no Sítio de Atibaia, este de sua frequente utilização, e que se iniciaram ainda durante o mandato presidencial’.

Sérgio Moro apontou para o interrogatório a que o petista foi submetido em março de 2016, quando a Polícia Federal o conduziu coercitivamente na Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato.

“Rigorosamente, quando ouvido na fase de investigações, após a condução coercitiva, afirmou, em princípio, desconhecer as reformas (‘essa pergunta tem que ser feita aos proprietários’), o que, em princípio, não parece convergir com as provas”, destacou o magistrado.


O juiz afirmou ainda que o processo é a oportunidade de Lula de provar sua inocência. Mas destacou que “até o momento, não se ouviu, em princípio, uma explicação do ex-presidente do motivo de José Carlos Cosa Marques Bumlai, do Grupo Odebrecht e do Grupo OAS, terem custeado reformas de cerca de R$ 1.020.500,00 no Sítio de Atibaia, este de sua frequente utilização, e que se iniciaram ainda durante o mandato presidencial”.

No processo, Moro colocou também o compadre e defensor de Lula, o advogado Roberto Teixeira, no banco dos réus. Sogro e sócio do criminalista Cristinao Zanin Martins, que encabeça a defesa no processo, ele afirmou que “a decisão revela mais uma clara tentativa do juiz Sérgio Moro de intimidar a defesa do ex-presidente Lula ao abrir uma ação penal contra mim, que sou um dos seus advogados, e sempre atuei de acordo com a lei e a ética profissional”


"Inovar para expandir", artigo de Daniel Annenberg


Folha de S.Paulo

Resultado de imagem para Daniel Annenberg prefeituraO programa de wi-fi da cidade de São Paulo oferece internet gratuita e de qualidade em 120 localidades, aliando inclusão digital à ocupação dos espaços públicos.

A meta do prefeito João Doria (PSDB) e da nova administração municipal é ousada. Prevê a expansão desta rede de conectividade, em 2018, para mais de 500 equipamentos públicos, como bibliotecas, centros culturais e desportivos, unidades básicas de saúde, pontos turísticos, praças e parques.

Levaremos o acesso às pessoas que mais precisam dele, formando a maior rede de wi-fi livre do país.

Uma grande barreira para essa expansão é o custo do serviço. Cada ponto de wi-fi é mantido pelos cofres públicos a um valor médio de quase R$ 9.000 mensais, totalizando cerca de R$ 13 milhões ao ano.

O momento de restrição orçamentária não apenas limita a capacidade de ampliação do programa como coloca em risco sua continuidade.

Por isso, é importante buscar soluções alternativas de financiamento e modelos de negócios que garantam sua perenidade e sustentabilidade, em parceria com a iniciativa privada.

A Prefeitura de São Paulo avalia custear o provimento do wi-fi público por meio de publicidade, prática largamente utilizada em metrópoles como Paris e Nova York.

Nesta última, por exemplo, o formato de monetização é pautado pela exploração publicitária na paisagem urbana. Cada totem possui dois painéis digitais de 55 polegadas, veiculando publicidade o tempo todo.

Os projetos em análise para a expansão da rede de conectividade em São Paulo não ferem a privacidade dos usuários, pois não preveem a coleta e o monitoramento de dados pessoais, em consonância com o marco civil da internet.

Seguem formato similar ao sistema atualmente disponibilizado em outros espaços de circulação pública - como metrôs, aeroportos, terminais rodoviários, shoppings-,solicitando dados mínimos para o cadastro, como nome e e-mail.

As informações privadas dos usuários ou o perfil de navegação não poderão ser compartilhados sob hipótese alguma, inclusive para uso comercial, publicitário ou estatístico. Assim, a alegação de que a prefeitura poderia "analisar a navegação de cada pessoa e vender esses dados para a iniciativa privada" não procede.

Após meses de estudos técnicos e contatos com especialistas, convocamos a sociedade civil a debater o assunto por meio de uma consulta pública, lançada em 18 de julho, oferecendo a oportunidade para esclarecer dúvidas e receber subsídios para o aprimoramento do projeto.

Convidamos todas as pessoas que se interessam pelo tema a participar desta discussão e a ajudar a levar o wi-fi público a quem mais necessita desse serviço.


*DANIEL ANNENBERG é secretário de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo. Foi diretor-presidente do Detran-SP