Governador Geraldo Alckmin rebate Lula: 'o riquinho não sou eu'


Alckmin ironizou saldo milionário em contas do ex-presidente


O governador Geraldo Alckmin respondeu nesta sexta-feira, 21, as críticas feitas a ele pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista divulgada na quinta-feira, 20, nas redes sociais disse que o tucano “parece que mamou até os 14 anos e empinou pipa em frente ao ventilador". 

“Meu pai era funcionário público, veterinário. Não tinha nem casa. Morava na fazenda onde trabalhava. Para fazer medicina eu dava aula. (Lula tem) R$ 9 milhões depositados para aposentadoria. O riquinho não sou eu”, disse o tucano após participar do lançamento das vigas da Linha 15- Prata do metrô, na Avenida Sapopemba.

A citação ao governador foi feita por Lula quando ele comparou as disputas para a Presidência contra José Serra (PSDB-SP) em 2002, que segundo o ex-presidente “foi civilizada”, e contra Alckmin em 2006, “que ficava bravo”.

Não há “nenhuma possibilidade” de disputar prévias com Alckmin, diz Doria


Vera Magalhães - Estadão

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O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., afirmou nesta quinta-feira que não disputará, em nenhuma hipótese, prévias contra o governador Geraldo Alckmin para definir quem será o candidato do PSDB à Presidência. Doria também descartou deixar o partido e se filiar a outra sigla para se candidatar no ano que vem.

É a primeira vez que ele diz textualmente que não disputará prévias contra seu padrinho político. A declaração foi feita a esta colunista durante o programa “Olho no Olho”, em que, semanalmente, o tucano responde, por meio de sua página no Facebook, a perguntas de convidados e internautas.

O prefeito não descartou, no entanto, a possibilidade de ser candidato. Voltou a criticar Lula e o PT e traçou um perfil do candidato que acredita ser o mais indicado em 2018 que muito se assemelha ao dele.

Conforme informei na coluna da última quarta-feira, Alckmin lançará a campanha pela realização de prévias justamente como uma forma de tirar Doria do páreo.

Doria chamou Lula de “Luiz Inácio Mentiroso da Silva”. Respondeu ao ex-prefeito, que o chamou de “um nada” em entrevista nesta quinta. Afirmou que prefere ser “um nada livre a ser ladrão”.

O prefeito foi incisivo também ao defender a saída de Aécio Neves em definitivo do comando do PSDB e a abertura de espaço na executiva da legenda para representantes dos prefeitos e dos deputados.

Afirmou que não é um político de “muito muro e pouca decisão”, ao criticar a hesitação do PSDB em ficar ou deixar o governo Michel Temer e a demora em definir a troca de comando.

“Tá na hora de mudar a direção do PSDB. Não desrespeito o senador Aécio Neves, reconheço sua biografia, mas não tem o menor sentido ele permanecer na presidência do PSDB mesmo afastado.”

Doria criticou duramente o suplente de senador José Anibal e o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. Disse que depois da “onda” de vitórias de prefeitos “jovens e modernos” do PSDB em 2016 não faz sentido não ter nenhum representante dos prefeitos na Executiva.

“O que faz lá o Zé Anibal? Não tem voto, nem mandato, e está na Executiva. O que faz lá o Alberto Goldman? Não tem voto, não tem mandato.”

Sobre a possibilidade de trocar de partido, disse que não fará isso em hipótese alguma. “Sou um homem de um só partido. Não vou fazer casuísmo”.

Diante da questão sobre prévias com Alckmin: “Não existe nenhuma possibilidade. Nenhuma. Eu não disputo contra Geraldo Alckmin. Alckmin é meu amigo há 37 anos. Prévia com Geraldo Alckmin não vou disputar, não existe hipótese”. Afirmou que “lealdade não se troca, não se negocia”.

Afirmou que “amanhã a gente pode avaliar circunstâncias”, abrindo uma brecha para uma eventual candidatura, mas nunca se precisar disputar com Alckmin. “Você não joga no lixo uma relação de 37 anos por nada.”

Petista Fernando Haddad deixou menos verba em caixa que encontrou


AGÊNCIA LUPA

Moacyr Lopes Junior/Folhapress 
O petista Fernando Haddad e o prefeito tucano João Doria, em encontro em 2016

Em entrevista à Folha na segunda (17), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad falou sobre orçamento que legou ao sucessor e mencionou o tamanho derrota do PT na eleição de 2016

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"O Tribunal de Contas do Município [de SP] deu a última palavra. Tinha R$ 5,5 bilhões em caixa."

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EXAGERADO 

O relatório de fiscalização das contas de 2016 diz que o caixa bruto da Prefeitura no fim do ano passado realmente era de R$ 5,34 bilhões. Porém, depois de descontadas as despesas que deveriam ser quitadas no curto prazo, o saldo restante era de R$ 3,15 bi. No documento, foi descrito que "as disponibilidades financeiras da Prefeitura em 31.12.16 eram suficientes para saldar as obrigações de curto prazo. Se todas essas obrigações fossem pagas, restaria um saldo da ordem de R$ 3 bilhões".

Portanto, um superavit. Mas o TCM-SP ressaltou que, desse montante, apenas R$ 305,7 milhões seriam recursos livres, ou seja, aqueles que poderiam ser usados para pagamento de qualquer despesa. Em comparação, Gilberto Kassab deixou a Prefeitura de São Paulo em 2012 com mais verba livre: R$ 494,9 milhões.

Haddad informou por sua assessoria que deixou R$ 5,5 bilhões em caixa e que o dinheiro era mais do que o suficiente para pagar as despesas de curto prazo. Segundo ele, até dentro das verbas vinculadas seria possível fazer investimentos na operação urbana.

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"O PT perdeu 60% dos votos entre 2012 e 2016."

VERDADEIRO 

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o PT obteve 17,2 milhões de votos em todos os municípios do país no primeiro turno de 2012.

Já no ano passado, o partido recebeu 6,8 milhões na disputa municipal. Os dados, portanto, mostram uma queda de 60%, como mencionado por Fernando Haddad. A redução se traduziu também na diminuição do número de candidatos e de eleitos pelo partido. Em 2012, o PT lançou 1.779 candidatos a diversas prefeituras pelo país -630 foram eleitos. Quatro anos depois, o número de candidatos petistas caiu para 981 e, o número de eleitos, para 225.

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"Em São Paulo, [a perda de votos do PT foi de] 40%."

VERDADEIRO 

Na cidade de São Paulo, em 2012, o PT teve no primeiro turno 1.776.317 votos para prefeito. Naquele pleito, os vereadores petistas alcançaram ainda 1.122.486 votos. Assim, o total foi de 2.898.803. Os números caíram vertiginosamente em 2016. Haddad, que perdeu a reeleição, recebeu 967.190 votos. E os vereadores, 853.808 -total de 1.814.998. A redução, como mencionado pelo ex-prefeito, foi de 37,3%.

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"Tive praticamente todas as rádios contra a administração. Crítica eu soube ouvir (...) não há registro de que eu tenha me queixado de jornalista."

EXAGERADO 

Haddad criticou a imprensa em diferentes oportunidades. Em meados de 2016, disse em entrevistas que foi feita uma campanha contra o programa Paulista Aberta, que sua gestão "apanhou" devido ao programa de redução de velocidade das marginais e que reportagens eram "partidarizadas".

Na mesma época, Haddad postou no Facebook um texto intitulado "Mentira e Hiprocrisia" onde se queixava de reportagens publicadas sobre a atuação da prefeitura em meio a mortes de moradores de rua. Haddad escreveu, na ocasião, que "a grande imprensa foi tomada por uma inédita preocupação com higienismo e moradores em situação de rua". O ex-prefeito também se envolveu em discussões com o historiador Marco Antônio Villa, comentarista da Rádio Jovem Pan, devido à divulgação de sua agenda.

Por meio de sua assessoria, Haddad disse que estava se referindo "ao que o Doria fez no Facebook nominando um jornalista [da Folha] especificamente. Uma coisa é eu criticar um jornal, mas aquilo eu nunca fiz." Com relação a Villa, o ex-prefeito de São Paulo afirmou que não o qualifica como jornalista e que o historiador responde a um processo por calúnia.