"Recuperar o Minha Casa, Minha Vida", artigo de Bruno Araújo


Folha de S.Paulo

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Ao ser lançado em março de 2009, o programa Minha Casa, Minha Vida tinha como objetivo declarado não só combater o deficit habitacional brasileiro, mas reanimar a economia, afetada pela crise do subprime americano.

A proposta partiu do setor de construção juntamente com a Casa Civil, deixando ao Ministério das Cidades papel secundário.

Oito anos depois, inegavelmente, os números a apresentar são expressivos: 4,5 milhões de unidades contratadas e 3,6 milhões concluídas. O programa, no entanto, também recebe severas críticas, como as apontadas pelo estudo "Quanto Custa Morar Longe", do Instituto Escolhas.

Segundo texto publicado na Folha, o trabalho concluiria que os custos das unidades foram reduzidos a tal ponto que a construção só seria possível em locais distantes, segregando moradores. Concordo com a crítica.

Questionamentos como esse sempre foram comuns ao programa. Produção de várias universidades, a publicação "Minha Casa... E a Cidade?", de 2015, identificou fortes insatisfações dos moradores em relação ao transporte público, ao comércio, à segurança. Alertou para o risco de formação de guetos. Também concordei com as observações do trabalho.

Mais do que a contestação acadêmica, existe a vivência. Ao conhecer de perto a realidade do Minha Casa, Minha Vida em todo o Brasil, posso afirmar que o quadro é mais grave do que registram os estudos.

Quando sobrevoamos os empreendimentos, fica nítido que estão apartados das cidades. Ao conversar com os moradores, a certeza era de que o programa não poderia ficar como estava. Falta qualidade de vida, faltam meios para a manutenção adequada dos condomínios na pós-entrega. Foi necessário mudar.

Lançamos um novo Minha Casa, Minha Vida, com regras transparentes, que leva em conta, como critério de contratação, a urbanização em torno dos terrenos, o tamanho máximo dos conjuntos, a arborização, a proximidade de serviços públicos, entre outros fatores.

Já lançamos o primeiro lote de 25 mil casas a serem contratadas por essas regras. Somam-se às quase 50 mil unidades paralisadas no governo anterior e já retomadas.

A existência de escolas, iluminação, agências bancárias e pontos de ônibus será decisiva para um município obter um conjunto habitacional. Agora, levaremos para o mesmo empreendimento famílias que vivem em determinada comunidade e precisam ser socorridas por estarem em local que oferecia riscos a seus moradores.

Para se ter uma ideia de como esses critérios alteram a configuração do antigo programa, 61% dos projetos enviados para novas contrações não foram aceitos.

Cientes da necessidade de programas complementares de habitação além da entrega de casas, criamos o Cartão Reforma para combater a insalubridade das residências.

Outra iniciativa é o programa de Regularização Fundiária Urbana. Permitirá a milhões de brasileiros que hoje moram irregularmente obter de maneira gratuita seus títulos de propriedade. As iniciativas têm o mérito de manter as famílias nos locais em que sempre viveram. O próximo passo é implantar um programa de aluguel social.

As ações apresentadas aqui evidenciam que o Ministério das Cidades voltou a ter papel de proeminência nas políticas habitacionais do Brasil.

Não trata mais a questão da moradia como um problema apenas quantitativo, mas algo complexo, multifacetado, que precisa ser aprimorado por diversas ações simultâneas. O nosso norte tem sido a humanização das relações do Estado com quem precisa morar melhor.


*BRUNO ARAÚJO é ministro das Cidades. Foi deputado estadual e federal por Pernambuco (PSDB)

O real proprietário do tríplex era Lula, reafirma Léo Pinheiro à Justiça


ESTELITA HASS CARAZZAI - FOLHA.COM

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Lula e Leo Pinheiro no apartamento triplex no Guarujá

Em alegações finais à Justiça, a defesa do empresário Léo Pinheiro, sócio da construtora OAS, voltou a afirmar que "o real proprietário do tríplex [no Guarujá] era o ex-presidente Lula".

O documento, entregue nesta terça (20) ao juiz Sergio Moro, corrobora o depoimento de Pinheiro já prestado na ação na qual Lula é acusado de ter se beneficiado de vantagens indevidas na compra e reforma do apartamento.

A defesa ainda afirma que as provas apresentadas por Pinheiro, como agendas de encontros com Lula e registros telefônicos, demonstram "um perfeito encadeamento lógico e fático".

Para os advogados, as versões de Lula sobre as conversas que mantinha com Pinheiro -o ex-presidente nega que tenha conversado com o empreiteiro sobre o apartamento- não são "críveis".

Segundo o documento, todas as reformas feitas no imóvel atendiam a pedidos de Lula, e o empreiteiro foi orientado a encobrir a real propriedade do apartamento. Os valores gastos pela OAS no tríplex, de acordo com a defesa, foram "descontados da propina a ser paga ao PT por força das obras da Petrobras".

A defesa de Pinheiro pede que seja reconhecida a relevância da colaboração do empreiteiro na ação -ele negocia uma delação premiada com a Lava Jato, mas, mesmo sem acordo, admitiu os crimes espontaneamente a Moro.

Nesta terça (20), termina o prazo para que as defesas se manifestem sobre a acusação do tríplex. Em seguida, o juiz Sergio Moro já pode proferir sua sentença.