Tasso diz que PSDB tomará decisão definitiva sobre rompimento com governo na semana que vem


Parlamentares tucanos podem assumir posição independente em votações no Congresso

MARIA LIMA E CATARINA ALENCASTRO - O GLOBO

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Senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB

Diante da pressão de deputados federais e estaduais — principalmente da ala jovem tucana — para um rompimento com o governo do presidente Michel Temer, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissatti (CE), disse nesta quinta-feira, pela primeira vez de forma assertiva, que semana que vem, independente do resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido vai se reunir e tomar uma decisão definitiva precisa ser resolvida. O Palácio do Planalto já contabiliza uma debandada parcial dos tucanos na próxima semana.

Porém, houve um recuo em relação ao dia 6 de junho, data do início do julgamento da ação de cassação da chapa no TSE, visto como o dia “D” para o PSDB decidir se rompe ou continua sustentando o governo, já que a saída de Temer pode demorar até quatro meses. O julgamento deve durar três dias. A única diretriz de sua presidência, diz Tasso, é que a decisão não rache o partido.

— Nós do PSDB vamos ter que tomar uma decisão, que eu não sei qual será, seja qual for o resultado do TSE. Semana que vem vamos nos reunir e resolver. O partido não pode se dividir. Vou fazer o possível e o impossível para que, na minha presidência interina, o PSDB não se divida — disse Tasso.


SAÍDA PODE SER ASSUMIR POSIÇÃO INDEPENDENTE

Fontes do partido na Câmara disseram ao GLOBO que a posição pelo desembarque, antes generalizada na bancada tucana, mudou nos últimos dias. Esse movimento, segundo um interlocutor tucano, agora seria restrito a uma parte pequena da bancada, algo em torno de 10 deputados. Entre os poucos que defendem o rompimento, alguns falam em criar um novo partido. Porém, se a sigla optar por não romper com o governo Temer, uma saída pode ser assumir uma posição independente nas votações no Congresso.

Enquanto deputados e setores mais jovens do partido defendem o rompimento, os ministros e integrantes da cúpula defendem que o PSDB deve continuar dando sustentação do governo para aprovar as reformas e alcançar a recuperação econômica mesmo com a crise política.

— A posição da direção do partido e da maioria dos membros do partido — evidentemente nós não pensamos com a mesma cabeça, existem sensibilidades diferentes, realidades regionais diferentes — na sua linha dominante, é de um partido que está no governo, que apoia o governo e que sustentará o governo — disse o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, durante encontro de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington.


CRÍTICAS A EVENTUAL PEDIDO DE VISTA

Tasso também criticou eventuais manobras no governo para que haja um pedido de vista e arraste o julgamento de Temer no TSE, agravando a insegurança e a crise política. Ele e o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), dizem ser fundamental para a superação da crise política um desfecho rápido do processo no TSE.

— O país não pode ficar o tempo todo nessa expectativa de que vai explodir uma crise (caso Temer seja cassado). Se tiver que haver uma crise, que ela venha logo e trabalhemos para resolvê-la. Um pedido de vistas agora seria péssimo para o país, para os 14 milhões de desempregados, só vai prolongar a crise: ninguém compra, ninguém vende, ninguém investe. O governo tem que governar, não se pode continuar com essa expectativa de que sempre haverá um fato novo. Os deputados vão para as suas bases e voltam nervosos. O governo tem avaliação que ganha por 4 a 3 então que se resolva logo — disse Tasso.

— Um pedido de vista ampliaria a instabilidade do quadro político com reflexo na economia. Os ministros do TSE já tiveram tempo suficiente para amadurecer os convencimentos sobre o processo — concordou Cássio.


O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), também defende um desfecho rápido do processo no TSE:

— Eu torço por um resultado rápido para que o País tenha clareza de rumos. Mas o TSE é o senhor do tempo.

Conta de Mantega é ‘detalhe perto do que virá’, diz petista


O coordenador da tendência Articulação de Esquerda do PT, Valter Pomar, previu novos problemas para o partido

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Ex-ministro da Fazenda Guido Mantega

Em mensagem de WhatsApp enviada a dirigentes do PT no início desta semana, o coordenador da tendência Articulação de Esquerda do partido, Valter Pomar, disse considerar “muito grave” a informação de que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega possuía uma conta não declarada à Receita Federal, na Suíça, e previu novos problemas para o partido.

“(…) Minha impressão é que isto é um detalhe perto do que está por vir nos próximos dias. Motivo pelo qual – sem prejuízo de tudo o que eu escrevi antes – temos que manter a calma e segurar mais esta onda”, afirmou Pomar no texto.

Na mensagem, o dirigente petista afirmou que Mantega deveria ter percebido “há bastante tempo” que a existência da conta na Suíça seria usada contra todo o PT. “O Guido foi ministro da Fazenda. Dele se esperaria um comportamento tributário exemplar. Guardadas as devidas proporções, seria como descobrirmos um ministro do Trabalho que publicamente defende a PEC das Domésticas, mas que na sua própria casa não registra!!!”, disse.

As comparações não pararam por aí. “Ou um ministro de Direitos Humanos que faz belos discursos, mas no cotidiano é machista, racista e homofóbico. Ou um ministro do Desenvolvimento Agrário que é dono de terras griladas”, completou. Na segunda-feira passada, Mantega disse, em petição enviada ao juiz Sérgio Moro, que o saldo de US$ 600 mil existente na conta era proveniente da venda de um imóvel herdado do pai. O dinheiro teria sido recebido ainda em 2006, antes de ele assumir a Fazenda.

Ao observar que Mantega deveria ter legalizado a situação, pagando o que devia, Pomar concluiu a mensagem com um tom pessimista sobre o que estava por vir contra o PT e recomendou “calma” aos dirigentes.

(Com Estadão Conteúdo)

Banco suíço denunciou supostas contas de Lula e Dilma com a JBS


Informação foi publicada nesta sexta-feira pelo jornal 'O Estado de S. Paulo'. Em sua delação, Joesley Batista diz que valor nas contas chegou a US$ 150 mi

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Delator da JBS diz que mantinha contas-propina com 150 milhões de dólares a Dilma e Lula 

Em sua delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista, dono da JBS, revelou que a empresa mantinha duas contas na Suíça com dinheiro de propina reservado aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As contas, que teriam chegado ao valor de 150 milhões de dólares em 2014, contudo, foram fechadas pelo banco suíço Julius Baer e o dinheiro transferido pela instituição a um banco nos Estados Unidos antes mesmo do conteúdo das delações da JBS vir à tona. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que publicou a informação nesta sexta-feira, o banco suspeitou do volume de dinheiro e dos padrões das transferências e denunciou as transações aos órgãos de combate de lavagem de dinheiro do país europeu.

De acordo com o jornal, o Julius Baer não sabe quem são os beneficiários das movimentações financeiras, uma vez que o dinheiro era movido por doleiros e operadores e as contas estavam em nome de duas empresas, a Lunsville International Inc. e a Valdacro. Fontes do setor financeiro suíço ouvidas pelo Estado de S. Paulo indicam, contudo, que as datas das transferências de valores podem indicar alguma relação com eleições no Brasil.

Segundo o jornal, o Julius Baer informou aos administradores do dinheiro que não manteria em seus sistemas os recursos, que teriam sido oriundos de um esquema “misto”, com dinheiro lícito e ilícito da JBS. O Estado de S. Paulo diz que a Procuradoria-Geral da República espera que as autoridades suíças enviem as informações ao Brasil.

Na delação de Joesley Batista, o empresário afirma que o dinheiro sujo era pago para garantir que nenhum pleito do grupo fosse atrapalhado por burocratas do governo. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega era o responsável, de acordo com Joesley, por receber os pleitos e negociar a propina devida em cada operação.

Foi por ordem de Mantega que o empresário abriu as duas contas para depositar a propina que, diz ele, era destinada a Lula e Dilma. “Os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef. Esses saldos somavam, em 2014, cerca de 150 milhões de dólares”, afirmou o delator.

Joesley disse aos procuradores ter tido encontros com os ex-presidentes nos quais discutiu abertamente o emprego da propina escondida no exterior nas campanhas do partido. Com o ex-presidente, numa conversa no Instituto Lula, em outubro de 2014, o empresário relatou a preocupação com o fato de o grupo já ter doado 300 milhões de reais a campanhas petistas. “Não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante”, ponderou Joesley Batista. Lula, segundo ele, ignorou: “O ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”.

Um mês depois, naquele mesmo ano, Joesley diz ter encontrado Dilma Rousseff no Palácio do Planalto para tratar de um repasse de 30 milhões de reais para a campanha do petista Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais. Na conversa, o empresário alertou Dilma de que o saldo das contas de propina no exterior seria liquidado a partir da doação. “Dilma confirmou a necessidade e pediu que procurasse Pimentel”, disse.

A defesa do ex-presidente Lula alega que ele é inocente e que os trechos da delação divulgados pela imprensa já mostram que as afirmações não decorrem de qualquer contato do presidente com o empresário Joesley. Já a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff diz que a petista jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário ou de terceiros doações, pagamentos e ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014.

"Recomeço para São Paulo", artigo de David Uip, Floriano Pesaro e Ronaldo Laranjeira


Folha de S.Paulo

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A partir da reforma psiquiátrica de 2000, a saúde mental passou por mudanças que trouxeram avanços, como o desaparecimento dos manicômios. Por outro lado, os doentes permaneceram sem um grande plano assistencial, e os gestores ainda buscam alternativas para alguns pacientes que necessitam de internação.

Distúrbios psiquiátricos são doenças crônicas que, como as demais, devem ser tratadas de forma ambulatorial na grande maioria dos casos, com medicação adequada, acompanhamento multiprofissional e, fundamentalmente, o apoio da família.

Criou-se um vazio assistencial na rede pública, em que pacientes psiquiátricos com quadros muito graves não têm acesso a nenhum recurso que os atenda apropriadamente.

Quando um paciente crônico agudiza, ele precisa de assistência diferenciada e, em alguns casos, ser internado mediante avaliação médica, até ter condições de alta. Não há diferença em relação às pessoas com distúrbios psiquiátricos, a exemplo dos dependentes em álcool e outras drogas.

O governo de São Paulo decidiu há quatro anos encarar o desafio de oferecer assistência e acolhida especializada e humanizada aos dependentes químicos e a seus familiares.

Em 2011, havia tímidos 500 leitos em todo o Estado para esse tipo de atendimento. Hoje contamos com 3.300 vagas de internação e acolhimento social, em serviços próprios ou conveniados do Estado, em conformidade com a lei nº 10.216, que trata da indicação quando "os recursos extra-hospitalares se mostram insuficientes".

O programa Recomeço estruturou linhas de cuidados que incluem desde ações mais simples, como lavagem dos pés dos usuários, corte de cabelo, banho e orientação sobre cuidados com a gravidez, até tarefas de alta complexidade. Conta, para isso, com uma rede de clínicas e comunidades terapêuticas para reinserção social e familiar e tratamento específico aos usuários de drogas.

Infecções por HIV, sífilis, tuberculose e a gravidez não planejada merecem atenção especial.

Na cracolândia, a equipe das tendas do programa realiza incansável trabalho de abordagem de rua, com conselheiros em dependência química, agentes de enfermagem e de serviço social.

O Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), na capital paulista, atende um paciente a cada meia hora, encaminha um para tratamento ambulatorial em centros de atenção psicossocial por hora, realiza uma internação voluntária a cada quatro horas e outra involuntária a cada 16 horas.

Apenas 0,25% das internações aconteceram compulsoriamente, por meio de decisão judicial, sempre precedidas pela avaliação multidisciplinar.

Além disso, na Unidade Recomeço Helvétia, situada no "coração" da cracolândia, são oferecidos os serviços de centro de convivência, enfermaria de desintoxicação e moradias para os momentos de agudização da doença. Desde 2014, já foram realizados mais de 130 mil atendimentos e acolhimentos.

Essas iniciativas formam uma rede de atenção com mais de 70 comunidades terapêuticas. Juntas já proporcionaram a 2.500 pessoas a oportunidade de deixar a cracolândia para desintoxicação em regime de internação breve, acolhimento social voluntário ou acompanhamento ambulatorial. Dessas, quase 700 foram incluídas em cursos profissionalizantes oferecidos pelo Centro Paula Souza.

Embora a inclusão social seja uma parte fundamental da solução para a dependência química, a importância do tratamento não deve ser negligenciada.

Perto de completar quatro anos, o Recomeço se consolida com o propósito de resgate social: ajudar dependentes químicos e orientar suas famílias, consolidando-se como instrumento de transformação positiva que é, tanto dos usuários quanto da sociedade.


*DAVID UIP, médico infectologista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo

*FLORIANO PESARO, deputado federal (PSDB-SP) licenciado, é secretário estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo

*RONALDO LARANJEIRA, psiquiatra, é coordenador do programa Recomeço