Agenda do governador Geraldo Alckmin 30/05 - São Paulo/SP e Brasília/DF

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin participa nesta terça-feira, 30, da Abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2017, realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID.

Em Brasília, ao meio-dia, Alckmin participa de encontro do Fórum de Governadores.


Evento: Abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2017
Data: Terça-feira, 30 de maio de 2017
Horário: 8h30
Local: Grand Hyatt - Av. das Nações Unidas, 13.301 - São Paulo/SP

Evento: Encontro do Fórum de Governadores
Data: Terça-feira, 30 de maio de 2017
Horário: 12h
Local: Residência Oficial de Águas Claras - Brasília/DF

Prefeito Doria tem 'dia de grafiteiro' ao inaugurar primeiro espaço do Museu de Arte de Rua


Muro na zona norte é o primeiro espaço da cidade a receber ação promovida pela Prefeitura; em sua estreia nesse tipo de arte, prefeito desenhou coração símbolo do projeto Cidade Linda

Fabiana Cambricoli - O Estado de S.Paulo


Após apagar murais na Avenida 23 de Maio e abrir uma polêmica com pichadores e artistas de rua nos primeiros dias de sua gestão, o prefeito João Doria (PSDB) teve ontem, quem diria, um dia de grafiteiro. 

Sua estreia na arte de rua aconteceu em um muro da Rua Doutor Moacyr Vaz de Andrade, na Vila Gustavo, zona norte paulistana. Ali foi inaugurada na manhã de ontem a primeira área do Museu de Arte de Rua (MAR), projeto da Secretaria Municipal de Cultura que selecionou grafiteiros para colorirem muros públicos.

Vestindo máscara, luvas pretas e camiseta do patrocinador da ação – a marca de tintas Colorgin –, o prefeito empunhou um spray de cor vermelha para iniciar seu primeiro desenho: um grande coração, remetendo ao símbolo de um de seus projetos mais conhecidos: o São Paulo Cidade Linda.

A calça jeans e o sapatênis que costumam compor o look do gestor nas agendas mais informais não o impediram de subir em uma escada para terminar a criação e inserir acima do coração as letras S e P.

Ao “assinar” a obra, o prefeito fez questão de mostrar que o conflito com os artistas de rua ficou no passado. Na mesma parede, deixou registrada a inscrição ‘J.Doria / Grafite é Arte’.

Desenhos. Ao lado dele, jovens grafitavam dez murais que formavam o muro. Ao contrário do prefeito, a maioria não estava preocupada com o cheiro da tinta ou em sujar as mãos – trabalhavam com o rosto e os braços descobertos.


Desenhos de animais e pinturas que remetem à miscigenação brasileira e valorizam a cultura hip hop foram algumas das temáticas das obras do novo museu. A única regra imposta aos grafiteiros no edital municipal que criou o MAR era que os desenhos não tivessem apologia a práticas ilícitas, como violência e uso de drogas.

“Esse é o primeiro Museu de Arte de Rua. Foram os grafiteiros que escolheram (a área), assim como todas as demais áreas (que receberão o museu). A escolha é deles, a arte é deles e o que eles escolherem e onde escolherem, a Prefeitura viabiliza e o museu é implementado e passa a ser um ponto de visitação na cidade”, declarou Doria.

Segundo o secretário municipal de Cultura, André Sturm, também presente no evento, o primeiro edital do MAR levará pinturas para outros sete endereços, além do da zona norte.

Cada coletivo de artistas selecionado para colorir os espaços vai receber entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, dependendo do tamanho do muro e do número de grafiteiros envolvidos. As despesas com tintas e com os cachês dos muralistas serão pagas pela empresa patrocinadora.

Os grafiteiros presentes no primeiro MAR também pareciam ter deixado no passado o conflito que tiveram com o prefeito no início da gestão. Autor de um dos desenhos apagados na 23 de Maio, o grafiteiro Deley, de 18 anos, estava entre os artistas que pintavam o muro da zona norte ontem. “Na época, eu achei que (apagar os grafites) foi uma falta de respeito e de diálogo, mas decidi participar do projeto porque considerei que é uma oportunidade para mostrar o valor da arte de rua.”

"Algumas verdades sobre a cracolândia", artigo de Anderson Pomini


Folha de S. Paulo

A imagem pode conter: céu, casa e atividades ao ar livre

Fazia muito tempo que o endêmico problema do consumo de drogas ilícitas não era tão discutido como na semana que passou, por conta dos acontecimentos na mais extensa cracolândia paulistana. O estopim da discussão foi a pretensão judicial da Prefeitura de São Paulo de abordar com autoridade os usuários de entorpecentes naquele perímetro, conduzindo-os para exames psiquiátricos especializados, em especial aquelas pessoas que, incapazes de controlar sua vontade, encontram-se inseridas no chamado "fluxo".

No contexto, o registro de algumas premissas fáticas, para muito além dos livros, das ideias e das mentiras, é fundamental. Então, e em primeiro lugar, os esclarecimentos.

Cargos públicos técnicos são exercidos com responsabilidade. Nunca se propôs internação compulsória como princípio, como regra. O que se pleiteou foi a oportunidade de realizar exames clínicos apurados para aqueles que não conseguem mais cuidar de si mesmos. A cada segundo, a cada tragada, vidas são desperdiçadas. E não se pode compactuar com isso.

A correta compreensão do pedido judicial é determinante para aclarar os debates em torno do tema.

O que se pleiteou, repita-se, foi a busca e apreensão de pessoas em situação crítica, avaliação possível à vista d'olhos, com o objetivo de separar usuários de traficantes, uma vez que se aproximar de tal grupo sem risco de vida era até então missão impossível.

Não se pleiteou ordem indiscriminada para internação compulsória aleatória. Quem já conviveu com o "mundo das drogas" sabe que a presença da autoridade em qualquer proposta de tratamento é fundamental. Mas, afinal, que autoridade?

A autoridade individual de se autocompreender, conhecer seus limites, conseguir enxergar que a ajuda do outro é fundamental. A autoridade familiar do exemplo, da referência próxima que, ascendente, convença o usuário sobre a debilidade do mundo das drogas. Ou, por fim, a autoridade do Estado, imposta pela técnica médica.

Quem, com sinceridade, pode defender que o complexo mundo da cracolândia permite a autocompreensão ou a lembrança/resgate da família? Em outras palavras: o contexto do "fluxo" impede a intervenção externa. Agrava a situação, ainda, a força dos traficantes e a força da droga.

Só há clareza e seriedade no debate se houver distanciamento de opiniões cegas e apaixonadas. Autonomia da vontade e liberdade são valores intrínsecos ao ser humano. São garantias individuais que evidentemente devem ser preservadas.

No entanto, a vida é certamente o bem maior, a garantia mais suprema de todo o ordenamento. A inocência útil da falta de reflexão, do desconhecimento do submundo, pode levar alguns às defesas inconsequentes, apaixonadas. Além da descrença a priori nos serviços públicos, revelada na condenação da proposta de exames minuciosos àqueles que não conseguem mais se conduzir por si mesmos.

A paixão se faz de cega diante da complexidade do problema e parece propor a supremacia absoluta da autonomia da vontade em detrimento até mesmo do direito à vida. Parece sugerir que mais vale ser livre do que estar vivo. Por fim, a discussão e as estratégias retóricas.

Apenas considerada a intensidade das discussões havidas nacionalmente durante a semana, a proposta judicial já pode ser considerada um sucesso. Para muito além dos programas já implementados, devemos repensar o todo. A cracolândia existe há mais de dez anos e só faz crescer e se multiplicar. Todas as autoridades encontram-se imbuídas dos mesmos propósitos: salvar vidas, tratar os dependentes, melhorar a cidade, orgulhar o paulistano. É esdrúxulo dividir, não somar. É esdrúxulo não enxergar a causa, para muito além de tecnicismos processuais, como oportunidade para, estrategicamente, tratar a vida com interesse público.


*ANDERSON POMINI, 40, é secretário de Justiça da Prefeitura de São Paulo