Os grandes nomes para eleição indireta são FHC e Tasso, diz Geraldo Alckmin


Governador negou que se candidataria nesse cenário e defendeu que PSDB não decida pelo desembarque do governo Temer

Daniel Weterman - O Estado de S.Paulo

Imagem relacionada
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu publicamente nesta sexta-feira, 26, os nomes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para disputar uma eleição indireta na eventual saída do presidente Michel Temer (PMDB) do poder. O tucano reforçou que, nesse cenário, não é candidato. Ele pretende disputar as eleições gerais no pleito de outubro do ano que vem. 

A declaração foi dada um dia depois de Alckmin se reunir com Jereissati e com o prefeito João Doria na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A reunião foi organizada entre as lideranças como parte das viagens de Jereissati para ouvir os caciques do partido e decidir uma posição de permanecer ou desembarcar do governo Temer na semana que vem, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o julgamento da ação que pode cassar o presidente. 

"Quero antecipar que nesta hipótese eu não sou candidato a nenhuma eleição indireta. Os dois grandes nomes do PSDB são o presidente Fernando Henrique e o Tasso Jereissati", disse o governador, após cerimônia de abertura de um feirão da Caixa, na capital paulista.

Ao Broadcast Político, Alckmin disse que a decisão de não ser candidato em uma eleição indireta é definita e reforçou que este não é o momento para discutir o cenário porque a prioridade é ajudar o País e o governo a manter a agenda de reformas. 

O ex-presidente FHC já afastou a possibilidade de ser candidato, mas é apoiado por lideranças do partido. Já Jereissati, depois da reunião no apartamento de FHC, desconversou quando perguntado da disposição em concorrer. "Nem pensei nisso, ninguém pensou nisso", disse o senador.

Perguntado sobre o cenário diante das declarações de FHC e Jereissati, que deixariam apenas o senador como candidato tucano, Alckmin reforçou que não gostaria de discutir isso neste momento. Além disso, ele defende que o PSDB não decida pelo desembarque do governo sem a garantia que as reformas vão andar no Congresso. "Nós não temos nenhuma decisão de fazer nenhuma medida. Neste momento é apoiar o governo, apoiar o Brasil."

Comentado o encontro dos tucanos na casa do ex-presidente, o governador disse que a reunião serviu para uma "avaliação" e que o senador cearense está conduzindo o partido com "muita sabedoria e serenidade" ao ouvir todas as lideranças. "Temos a responsabilidade de ajudar o País a recuperar o emprego, não deixar a economia ser prejudicada e nem as reformas", disse. O governador tucano evitou criar polêmica com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), que disputava internamente a candidatura tucana para as eleições de 2018 e foi atingido pelas delações dos empresários da JBS. Quando questionado se considerava o mineiro como uma "carta fora do baralho", Alckmin limitou-se a dizer que "o Aécio pediu afastamento do partido para fazer sua defesa". Na noite de quinta-feira, Tasso Jereissati falou com jornalistas e disse que acreditava que Aécio havia se afastado da presidência da legenda para "provar sua inocência".

Agenda do governador Geraldo Alckmin 26/05 - São Paulo/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin assina nesta sexta-feira, 26, um termo de compromisso com a Caixa Econômica Federal para a realização do 2º Feirão Morar Bem, Viver Melhor. A assinatura acontece durante a abertura da 13ª edição do Feirão da Casa Própria, organizado pela Caixa no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Na sequência, no Parque Villa-Lobos, Alckmin anuncia a criação da Dejem Ambiental, que destinará 480 vagas para o policiamento em parques urbanos. Na ocasião, também será inaugurada a primeira usina solar instalada em parque público no Brasil


Evento: Assinatura de termo de compromisso com a Caixa Econômica Federal
Data: Sexta-feira, 26 de maio de 2017
Horário: 9 h
Local: Pavilhão de Exposições Anhembi - Avenida Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo/SP

Evento: Anúncio da Dejem Ambiental e inauguração de usina solar
Data: Sexta-feira, 26 de maio de 2017
Horário: 11 h
Local: Parque Villa-Lobos, Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001 - São Paulo/SP

O centro do 'fluxo' da Cracolândia vira parque infantil


Crianças jogam bola e moradores se divertem na rua onde antes havia barracas com droga

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo


SÃO PAULO - O cruzamento da Rua Helvétia com a Alameda Dino Bueno foi ocupada mais uma vez. Agora, em vez de traficantes vendendo crack em barracas e protegidos por cerca de 800 usuários, são as crianças que brincam na rua sem se preocupar com a segurança. A Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar colocaram agentes nas esquinas e em viaturas que percorrem as ruas periodicamente.

O Estado esteve no local nos últimos dois dias. Por volta das 17 horas, as crianças chegam da escola e, antes de jantar com a família, brincam entre elas. A escolha quase recai sobre o futebol. Meninos e meninas correm atrás da bola, enquanto os pais ficam sentados na calçada.

A garota Sthéfany, de 11 anos, foi quem buscou a bola para a partida do fim de tarde de ontem. “Antes, não tinha espaço para a gente brincar.” 

A dona de casa Vanusa Lopes, de 29 anos, mora com os dois filhos em uma pensão da Rua Helvétia. Ela conta que as crianças ocuparam as ruas desde segunda-feira. “Antigamente, eu não conseguia enxergar o outro lado da rua, por causa do ‘fluxo’. Era muito barulho 24 horas por dia e tudo ficava escuro, porque quebravam as lâmpadas da rua. E o pior era o lixo acumulado, porque nem os garis entravam mais aqui”, contou.

Para ela, a expectativa é de que a administração pública consiga manter a limpeza e a segurança da região. O principal receio é de que os traficantes e usuários retomem o espaço depois que a polícia for embora. “Agora tem viatura passando direto, tem limpeza e espaço para a s crianças brincarem. A gente espera que isso não acabe como das outras vezes”, disse.

Um morador de uma pensão vizinha, que preferiu não se identificar, disse que todo mundo andava trancado dentro das casas, por causa do grande “fluxo” de usuários de drogas na rua. “Eu sou do tempo em que os ônibus passavam aqui. Com o tempo, os viciados tomaram conta e fecharam tudo. Não passava ônibus, caminhão de lixo e até ambulância chegava com muita dificuldade.