Deputado Silvio Torres defende proposta de Alckmin para PSDB regulamentar prévias até setembro


Silvio Torres, deputado federal, foi escalado para abrir o debate

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Aliados do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), deflagraram ontem movimento para pressionar a cúpula do PSDB a antecipar para agosto a escolha do candidato do partido à Presidência, em 2018.

A estratégia foi traçada no começo do ano e antecipada pelo Estado em janeiro. Secretário-geral da legenda e interlocutor de Alckmin no Congresso, o deputado federal Silvio Torres foi escalado para “abrir o debate” com prefeitos, governadores, deputados e integrantes da executiva tucana.

“Estou divulgando essa posição para todo o partido. Na próxima reunião da executiva do PSDB (que ainda não foi marcada) vou referendar a proposta”, disse Torres ao Estado.

O parlamentar também publicou artigo ontem no jornal Folha de S.Paulo, no qual defende que o PSDB entre em 2018 com seu presidenciável escolhido, e já se reuniu com o senador Aécio Neves, presidente do partido e também pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Segundo Torres, Aécio disse que vai “refletir sobre o assunto”.

Processo. Ele lembra, ainda, que o PSDB não tem nenhuma resolução em vigor que normatiza prévias. “Até agosto, se não houver decisão (sobre o candidato), vamos em setembro regulamentar o processo (de eleição interna)”.

Ontem, o governador, que na semana passada assumiu pela primeira vez publicamente que pretende disputar a Presidência, também defendeu a realização de prévias no partido.

“A democracia começa dentro de casa. A prévia não divide, a prévia escolhe. Você pode escolher na mesa, com quatro ou cinco pessoas, ou pode ouvir os que participam da vida partidária, 20 mil ou 30 mil pessoas”, disse Alckmin.

A candidatura do governador paulista tem a simpatia de pelo dois governadores tucanos, Marconi Perillo, de Goiás, e Beto Richa, do Paraná, e tem como “cabo eleitoral” o prefeito de São Paulo, João Doria.

Aécio Neves não foi localizado ontem para comentar a iniciativa dos aliados de Alckmin.

Fonte: Pedro Venceslau e Daniel Weterman - O Estado de S.Paulo

Governo de São Paulo pagará R$ 290 milhões em bônus a cerca de 200 mil professores e servidores da Educação


Bonificação de até 0,7 salário extra é paga aos funcionários de escolas que avançaram, atingiram ou superaram as metas estabelecidas pelo Idesp

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O Governo de São Paulo definiu para o mês de abril o pagamento do bônus por mérito a servidores da Secretaria da Educação do Estado. Neste ano, serão destinados quase R$ 290 milhões. Estão na lista cerca de 200 mil profissionais, incluindo professores, diretores, agentes de organização e equipes técnicas das escolas e órgãos centrais. Como em 2016, o valor máximo do benefício que cada profissional receberá é proporcional a 0,7 salário extra.

O bônus é calculado a partir das notas do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo). Também é considerado se a unidade avançou, atingiu ou superou a meta estipulada para o período. Os servidores precisam ainda ter trabalhado, no mínimo, em dois terços do ano letivo. No caso de faltas, haverá desconto proporcional. São permitidas por lei apenas ausências decorrentes de licença-maternidade, licença-paternidade, adoção e férias.

Além dos professores, que receberão o bônus de acordo com o resultado do nível de ensino que atuam, são contemplados diretores, supervisores, professores-coordenadores, agentes de organização escolar, agentes de serviços escolares, assistentes de administração, secretários de escola e demais profissionais da Educação. A equipe escolar recebe conforme a média da unidade, já dirigentes de ensino e supervisores pela média das escolas das respectivas regiões.


Ensino Médio avança no Idesp pelo 4º ano consecutivo

Pelo quarto ano consecutivo, o Ensino Médio da rede estadual avançou no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). O ciclo alcançou na medição 2,30, contra os 2,25 registrados em 2015. A pontuação é a mais alta desde 2008, quando a Secretaria adotou o indicador de qualidade da educação paulista. O desempenho dos Anos Iniciais do Fundamental (1º ao 5º ano) também superou a marca anterior. O ciclo atingiu 5,40 (uma diferença de 0,15 ponto em relação aos 5,25 de 2015). A pontuação conquistada é a melhor dos últimos nove anos. Os Anos Finais (6º ao 9º ano), por sua vez, tiveram queda: as notas foram de 3,06 para 2,93.

"Segurança hídrica e perdas de água", Artigo de Jerson Kelman


Problema de natureza econômica que a Sabesp tem todo o interesse em resolver

O Estado de S.Paulo

Resultado de imagem para jerson kelman alckminImagine um avião seguro, equipado com o que há de mais moderno, enfrentando fortíssima turbulência, que causa apreensão até mesmo na experimentada tripulação. Os passageiros sentem medo e inevitável desconforto. Depois de algumas horas, o avião pousa são e salvo. Porém a angustiante experiência deixa sequelas. Muitos se assustarão em futuras turbulências, mesmo que menos intensas e dentro de aeronaves ainda mais seguras. Um pequeno defeito – por exemplo, no botão de chamada do comissário de bordo – poderá ser erroneamente percebido como uma indicação de ameaça à segurança.

Situação análoga tem ocorrido com parte da população e com os formadores de opinião após a crise hídrica. Recente editorial do Estadão (À espera da nova crise, 6/2/2016, A3) aponta que, por causa das perdas de água da Sabesp, “provavelmente São Paulo terá de enfrentar novas crises hídricas, mesmo tendo água de sobra”.

É importante dizer claramente que saímos da crise hídrica não apenas porque São Pedro mandou fartas chuvas em janeiro deste ano, mas também, e principalmente, porque grande parte da população reduziu o consumo e a Sabesp realizou e está realizando importantes obras. Obras que só se materializam porque o governo do Estado sistematicamente decide, na qualidade de acionista controlador da Sabesp, reaplicar o lucro de cada ano, dentro do limite legal, em investimentos no ano seguinte. Graças à conjugação desses fatores, a população não perceberá nenhum “solavanco” caso se repita uma seca tão intensa quanto a que se verificou em 2014-2015.

Assim como o defeito de chamada do comissário não representa risco para a segurança da aeronave, as perdas de água da Sabesp não representam risco para a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. Representam, isso sim, um problema de natureza econômica que a Sabesp tem todo o interesse em resolver.

Como corretamente aponta o editorial, é altamente desejável que se substituam as tubulações antigas. Em geral elas vazam, necessitam de frequentes reparos e, se inteiramente depreciadas, nada rendem para os acionistas. Só na Região Metropolitana há 5,7 mil quilômetros (15,8% do total) de tubulações com mais de 50 anos, cuja substituição custaria mais de R$ 5 bilhões. E são os principais vilões dos vazamentos, que fazem o porcentual de perdas físicas nas redes da Sabesp ser de 20,9%. Não é pequeno, mas está na mesma faixa de Roma, Londres, Hong Kong, Chicago e Oslo.

Só que nessas cidades desenvolvidas praticamente não existe um segundo vilão para as perdas: furtos, fraudes e erros de medição. Como temos esse problema por aqui, mais 10,8% da água produzida é consumida, mas não é faturada – vira perda. Ou seja, alguém bebe essa água e provavelmente deixa a torneira aberta, causando desperdício, já que não paga por isso. Prejudica você, leitor, e diminui a capacidade de investimentos da Sabesp.

Embora alto, o índice de 31,7% de perdas totais ainda é 7,3% menor do que a média das empresas do País (39%). Não significa que a Sabesp esteja satisfeita com a atual situação. Como observado no editorial, “é razoável esperar que esse problema seja enfrentado sem mais demora”. É o que está sendo feito. As perdas totais caíram de 41% em 2004 para 31,8% em 2016 (taxa média anual de 0,77%). É claro que desejamos acelerar o processo.

A solução é teoricamente simples: trocar tubulações e hidrômetros (para diminuir os erros de medição), combater os furtos e fraudes e limitar a pressão de água nas redes ao estritamente necessário (os vazamentos aumentam com a pressão). Só que não existe tanto dinheiro disponível.

A Sabesp investiu, em 2014 e 2015, mais de R$ 6,6 bilhões em todos os seus programas (cerca de 25% do investimento em saneamento no País), o que inclui o aumento da produção de água para enfrentar a crise hídrica e a coleta e tratamento de esgotos. Desse total, cerca de R$ 1 bilhão foi usado no combate às perdas. Dado o contínuo envelhecimento das tubulações, se o investimento tivesse sido inferior, a perda porcentual teria aumentado, e não ficado estacionária.

Se aqueles R$ 6,6 bilhões tivessem sido gastos apenas em redução de perdas, não teria sido possível aumentar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo e ampliar a coleta e o tratamento de esgotos. Mesmo que se decidisse dar prioridade ao combate às perdas sobre todas as demais necessidades da população, seria impossível substituir de uma só vez as tubulações antigas, muitas localizadas no centro de São Paulo. Resultaria num tremendo caos urbano.

A Sabesp não recebe recursos a fundo perdido do governo e, como o Brasil, não pode gastar de forma sustentável mais do que arrecada. Todavia tem a obrigação de fazer melhor. Aumentar a produtividade é uma tarefa permanente. Significa fazer mais com menos. Para isso temos a sorte de contar com a colaboração tanto técnica quanto financeira da Jica, entidade de fomento do Japão que nos ajuda a conduzir ambicioso programa de troca de tubulações e de hidrômetros, além da execução de varredura de fraudes com o uso de equipamentos de ponta.

Adicionalmente, a Sabesp passou a utilizar uma nova forma de contratação de empresas que atuam no combate às perdas. Em vez de pagar por serviço executado, como é a praxe, a Sabesp paga pelo resultado alcançado. Na forma de contratação tradicional, os interesses do contratante e da contratada frequentemente estão opostos, porque a empreiteira ganha proporcionalmente ao custo do empreendimento. Significa intervenções caras e não necessariamente eficientes. Na nova forma de contratar, os interesses se alinham porque a empreiteira só ganha se as perdas efetivamente diminuírem.

Há que valorizar a inovação e a perseverança. E ter humildade para entender que não é possível resolver o problema num estalar de dedos.


*JERSON KELMAN É PRESIDENTE DA COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (SABESP)