PSDB decide permanecer no governo de Michel Temer


TALITA FERNANDES, BRUNO BOGHOSSIAN, ÂNGELA BOLDRINI - FOLHA.COM


O PSDB decidiu permanecer no governo de Michel Temer em reunião realizada nesta segunda-feira (12), em Brasília. "O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo", disse o senador José Serra (SP) ao fim do encontro.

O tucano disse que novas posições podem ser tomadas caso haja um novo curso nos fatos, mas garantiu que não será feita a entrega de cargos no governo pelo partido.

Embora na semana passada o movimento de desembarque tenha crescido, especialmente com o apoio do presidente interino da sigla, Tasso Jereissati, setores da legenda fizeram pressão para barrar esse rompimento. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves lideraram as articulações pela manutenção do apoio ao governo.

Os principais líderes e dirigentes da sigla defenderam a manutenção do apoio do partido a Temer durante a reunião, em nome da aprovação da agenda de reformas proposta pelo peemedebista.

Governadores, parlamentares e ministros tucanos atuaram para aplacar a cobrança de integrantes da sigla que pressionavam pelo rompimento com o governo e a entrega dos cargos ocupados pelo PSDB na gestão Temer.

Durante o encontro, Alckmin afirmou que a legenda deveria permanecer no governo até a conclusão da pauta de reformas de Temer –trabalhista, previdenciária e política.

Para o paulista, a manutenção do apoio do PSDB ao governo deveria estar associada à urgência dessa agenda.

A mesma posição foi defendida pelo senador José Serra (SP), que pediu cautela para evitar que o partido se tornasse mais um fator de instabilidade para o país, e por governadores, como Marconi Perillo, de Goiás, e Beto Richa, do Paraná.

"É difícil deixar de apoiar um presidente com base no 'possivelmente'", afirmou Richa, em referência à provável denúncia por corrupção que deve ser apresentada contra Temer pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O presidente do partido, Tasso Jereissati, destacou que o país vive a "pior crise" de sua história, fez uma autocrítica e apontou que a sigla deve retomar o compromisso com a ética.

Os tucanos fizeram menção indireta à crise interna vivida pelo partido, a partir das acusações feitas contra o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, como um fator de fragilidade da legenda.

Alckmin disse que o partido deve apoiar a Lava Jato e confiar na Justiça para punir os culpados e inocentar aqueles que não cometeram crimes.

O governador paulista, que também é citado na Lava Jato, defendeu ainda a antecipação de eleições internas no PSDB para eleger uma nova direção. Nos bastidores, Alckmin se movimenta para ocupar espaços do grupo de Aécio na estrutura partidária.

Alvo de uma decisão de afastamento do cargo pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Aécio teme ser retaliado pelo PMDB de Temer caso seu partido deixe a base governista. O senador é alvo de um pedido de cassação no Conselho de Ética depois de ter sido gravado pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, pedindo R$ 2 milhões e dando sinais de que pretendia frear as investigações da Lava Jato.

Já Alckmin está de olho nas eleições de 2018, quando pretende disputar o cargo de presidente da República. Na semana passada, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) disse à Folha que "ficaria difícil" apoiar o PSDB nas eleições do ano que vem se a sigla rompesse agora com Temer.

Ministros do PSDB e governadores atuaram nos últimos dias para conter o movimento de desembarque do PSDB do governo. Eles argumentavam que a legenda está rachada e que uma deliberação nesse cenário aprofundaria essa divisão.

O movimento de rompimento com o governo Temer foi deflagrado pela ala mais jovem dos parlamentares da legenda –principalmente na bancada da Câmara dos deputados–, mas ganhou corpo também entre dirigentes e senadores da sigla.

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