Prefeito Doria tem 'dia de grafiteiro' ao inaugurar primeiro espaço do Museu de Arte de Rua


Muro na zona norte é o primeiro espaço da cidade a receber ação promovida pela Prefeitura; em sua estreia nesse tipo de arte, prefeito desenhou coração símbolo do projeto Cidade Linda

Fabiana Cambricoli - O Estado de S.Paulo


Após apagar murais na Avenida 23 de Maio e abrir uma polêmica com pichadores e artistas de rua nos primeiros dias de sua gestão, o prefeito João Doria (PSDB) teve ontem, quem diria, um dia de grafiteiro. 

Sua estreia na arte de rua aconteceu em um muro da Rua Doutor Moacyr Vaz de Andrade, na Vila Gustavo, zona norte paulistana. Ali foi inaugurada na manhã de ontem a primeira área do Museu de Arte de Rua (MAR), projeto da Secretaria Municipal de Cultura que selecionou grafiteiros para colorirem muros públicos.

Vestindo máscara, luvas pretas e camiseta do patrocinador da ação – a marca de tintas Colorgin –, o prefeito empunhou um spray de cor vermelha para iniciar seu primeiro desenho: um grande coração, remetendo ao símbolo de um de seus projetos mais conhecidos: o São Paulo Cidade Linda.

A calça jeans e o sapatênis que costumam compor o look do gestor nas agendas mais informais não o impediram de subir em uma escada para terminar a criação e inserir acima do coração as letras S e P.

Ao “assinar” a obra, o prefeito fez questão de mostrar que o conflito com os artistas de rua ficou no passado. Na mesma parede, deixou registrada a inscrição ‘J.Doria / Grafite é Arte’.

Desenhos. Ao lado dele, jovens grafitavam dez murais que formavam o muro. Ao contrário do prefeito, a maioria não estava preocupada com o cheiro da tinta ou em sujar as mãos – trabalhavam com o rosto e os braços descobertos.


Desenhos de animais e pinturas que remetem à miscigenação brasileira e valorizam a cultura hip hop foram algumas das temáticas das obras do novo museu. A única regra imposta aos grafiteiros no edital municipal que criou o MAR era que os desenhos não tivessem apologia a práticas ilícitas, como violência e uso de drogas.

“Esse é o primeiro Museu de Arte de Rua. Foram os grafiteiros que escolheram (a área), assim como todas as demais áreas (que receberão o museu). A escolha é deles, a arte é deles e o que eles escolherem e onde escolherem, a Prefeitura viabiliza e o museu é implementado e passa a ser um ponto de visitação na cidade”, declarou Doria.

Segundo o secretário municipal de Cultura, André Sturm, também presente no evento, o primeiro edital do MAR levará pinturas para outros sete endereços, além do da zona norte.

Cada coletivo de artistas selecionado para colorir os espaços vai receber entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, dependendo do tamanho do muro e do número de grafiteiros envolvidos. As despesas com tintas e com os cachês dos muralistas serão pagas pela empresa patrocinadora.

Os grafiteiros presentes no primeiro MAR também pareciam ter deixado no passado o conflito que tiveram com o prefeito no início da gestão. Autor de um dos desenhos apagados na 23 de Maio, o grafiteiro Deley, de 18 anos, estava entre os artistas que pintavam o muro da zona norte ontem. “Na época, eu achei que (apagar os grafites) foi uma falta de respeito e de diálogo, mas decidi participar do projeto porque considerei que é uma oportunidade para mostrar o valor da arte de rua.”

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