Tesoureiro de Dilma pediu R$ 30 milhões por caixa dois para campanha de 2014


Edinho Silva, tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff 

BELA MEGALE, CAMILA MATTOSO E LETICIA CASADO - FOLHA.COM

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Dilma, Edinho Silva e Lula

Em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar relatou que o ex-ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2014, sugeriu que a empreiteira doasse R$ 30 milhões por meio de caixa dois.

Segundo o delator, o dinheiro pago foi usado para comprar o apoio de partidos que integraram a coligação "Com a Força do Povo", da chapa Dilma-Temer.

O ex-executivo destacou que a ideia de fazer a doação por meio de caixa dois partiu do próprio tesoureiro da campanha.

As informações também constam na delação premiada de Alencar.

Apontado como um dos funcionários da Odebrecht mais próximos ao PT e ao ex-presidente Lula, o ex-diretor foi o principal responsável por detalhar o esquema de compra de apoio para aumentar o tempo de televisão da coligação vencedora da eleição.

Procurado, Edinho Silva negou qualquer irregularidade.

"Essa é uma tese para criminalizar a campanha da Presidenta Dilma. Todas as coligações são ideológicas, as da campanha Dilma são compra de tempo? Absurdo. Nunca pedi doações não fossem legais", afirmou ele.

"Por que pediria doações para partidos que não fossem legais? Qual a diferença isso faz para a campanha Dilma? Uma acusação mentirosa que não ficará "em pé" como a Andrade Gutierrez que se mostrou mentirosa".


DEPOIMENTOS

Além de Alexandrino Alencar, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais Claudio Melo Filho e o ex-funcionário do setor de operações estruturadas, área de pagamentos ilícitos do grupo, também foram ouvidos pelo TSE.

Melo Filho reafirmou que o presidente Michel Temer pediu "apoio" da empreiteira ao partido durante as eleições de 2014.

O terceiro dia de depoimentos no TSE foi marcado por tensão em relação aos vazamentos da semana passada, nas audiências anteriores. O ministro Herman Benjamin falou explicitamente sobre sua irritação com a quantidade de informações que foram veiculadas na imprensa e alertou para que não isso não se repetisse.

Diferentemente das outras oitivas, os ex-executivos da Odebrecht e seus advogados tiveram que deixar os celulares desligados durante todo o período de audiência.

Eles também não puderam ter contato uns com os outros. Inicialmente, vários defensores que acompanhariam seus clientes foram impedidos de entrar para ouvi-los. Posteriormente, no entanto, Herman Benjamin acabou liberando a entrada.

As audiências começaram 17h30 e terminaram por volta de 22h30.

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