Maioria aprova programas de Doria, e só 13% reprovam começo da gestão


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Prefeito de São Paulo, João Doria, participa de ação do programa de zeladoria urbana Cidade Linda
Peter Leone/Folhapress


Novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) inicia seu segundo mês de mandato na cidade com alto índice de aprovação dos paulistanos, mostra pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, 44% consideram que o tucano, eleito no primeiro turno, está fazendo uma gestão boa ou ótima. Outros 33% avaliam seu governo como regular, 13%, ruim ou péssimo, e 10% não opinaram. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Os paulistanos também aprovam o início dos programas de zeladoria (Cidade Linda), de aumento de velocidade máxima nas marginais e de mutirão de exames médicos (Corujão da Saúde).

Uma agenda extensa que inclui reuniões das 7h às 22h em seu gabinete, além de atividades midiáticas de zeladoria resumem a receita para apresentar aos paulistanos a imagem de um trabalhador a favor da cidade neste início de mandato. Os números do Datafolha mostram, por exemplo, que 71% o consideram muito trabalhador.

De zero a dez, o paulistano dá nota 6,2 para o tucano.

Para registrar essa marca, o prefeito utiliza sua página numa rede social, com mais de um milhão de seguidores. Nela, divulga de visitas a hospitais a intervenções com roupa de gari, "em sinal de humildade", como justifica. Ele é considerado humilde por 66% dos entrevistados.

Usar uniforme, porém, divide os paulistanos. Para 36%, isso beneficia mais o prefeito do que a cidade; 30% acham que é bom para ambos.

Entre os adjetivos positivos, ele é visto como muito inteligente (92%), moderno (83%) e decidido (84%).

A avaliação favorável, porém, oscila nas classes sociais mais baixas. Entre aqueles com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, a aprovação de Doria é de 35%. Entre aqueles com renda familiar acima de dez salários mínimos, a aprovação atinge 66%.

Ainda nessa linha, 35% avaliam que ele dá mais atenção a bairros ricos, contra 20% que veem maior atenção do tucano aos pobres.

Reportagem da Folha mostrou que, em seus 30 primeiros dias de gestão, Doria deixou visitas à periferia em segundo plano, priorizando atividades em regiões centrais.

De qualquer forma, Doria saiu muito do gabinete. Foram 46 eventos fora da prefeitura em apenas um mês.


PÚBLICO-PRIVADO

Logo nos primeiros dias de mandato, Doria –que atuava como empresário até assumir a cidade– deu início a um amplo plano de desestatização de atividades públicas.

E, ao mesmo tempo, a prefeitura passou a receber de empresas doações usadas em diferentes programas da cidade, como os de zeladoria e de segurança no trânsito.

Esse novo costume, porém, deixa os paulistanos em alerta. Para 73%, as companhias fazem isso porque têm interesse em negócios com a prefeitura. Só 20% acham que as doadoras querem ajudar a cidade e a própria imagem. Para o tucano, porém, as empresas agem por cidadania.

O Datafolha ouviu 1.092 pessoas na quarta (8) e quinta (9). Para 63%, Doria fará gestão melhor do que seu antecessor, Fernando Haddad (PT). O levantamento atual não permite comparações com prefeitos anteriores, já que pesquisas de avaliação nos últimos mandatos foram feitas somente após os cem primeiros dias de gestão –a exceção é Paulo Maluf, de quem Doria leva vantagem no mesmo período.

Em abril de 2013, por exemplo, Fernando Haddad (PT) aparecia com 31% de aprovação, índice que despencou para 17% no final da gestão.

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