Doria assume a Prefeitura de São Paulo e promete atitude e humildade


FOLHA.COM


Em discurso minutos após ter sido empossado prefeito de São Paulo na tarde deste domingo (1º), João Doria prometeu "atitude" e "humildade" e que governará para todos os paulistanos, mesmo aqueles que não o escolheram nas urnas. "[Governarei] com o mesmo respeito e o mesmo sentimento."

"[Teremos] respeito ao povo de São Paulo que nos elegeu, às vereadoras, aos vereadores, ao vice-prefeito e aos que também não nos elegeram, o mesmo respeito, o mesmo sentimento. Vamos governar para todos em São Paulo", disse o novo prefeito de São Paulo.

Duas horas depois, em cerimônia no Theatro Municipal na qual recebeu o bastão da cidade de São Paulo das mãos de Fernando Haddad (PT), o novo prefeito repetiu que "administrará para todos".

"Todos que vivem nesta cidade, brasileiros e não brasileiros, vão merecer o nosso respeito, e o respeito de uma gestão conciliadora", disse o novo prefeito.

"Uma gestão que saberá ouvir e que terá humildade também, seguindo o exemplo do governador Geraldo Alckmin, de sempre que necessário, e for comprovadamente necessário, recuar para poder avançar. Isto é prova de grandeza", emendou.

No teatro, diante de cerca de 1.500 convidados, entre os quais Haddad e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que discursaram antes, o novo prefeito elogiou o antecessor pela transparência nos dois meses de período de transição. Disse que isso fará parte de seu "legado" como prefeito da cidade de São Paulo.

Doria prometeu foco em saúde, educação, mobilidade, habitação e segurança pública. "Prioridade será aos mais humildes e mais pobres da nossa cidade." E disse mais uma vez não será candidato à reeleição em 2020, quando termina seu mandato. "Em qualquer circunstância [não serei candidato à reeleição]."

Antes, na Câmara Municipal, Doria falou de improviso ao longo de nove minutos –dos quais metade foi para agradecer a presença de políticos e autoridades (leia íntegra abaixo). Pregou respeito a vários segmentos da cidade. Falou em "ética na gestão pública", prometeu "transparência", "eficiência" e "inovação" e disse que sua administração estará sempre "aberta ao diálogo".

Assim como na campanha eleitoral, repetiu que não é um político. "Sou gestor. Farei gestão à frente da cidade de São Paulo. No executivo serei um administrador da cidade."

Doria ainda disse que, em seu mandato, irá zelar pela relação do Executivo com o Legislativo e o Judiciário. E prometeu despachar todos os meses com os vereadores. Doria também fez uma provocação aos vereadores. "E tenho certeza também que o Legislativo dará demonstrações claras de respeito à transparência e à ética."

O tucano lembrou do mutirão que fará com secretários nesta segunda (2), a partir das 6h, na avenida Nove de Julho, como abertura do programa de zeladoria urbana Cidade Linda.

"Estaremos às 6h vestidos de gari, sim, como gente simples que serve a cidade e que recebe seu salário para preservar e manter nossa cidade. Vamos ali dar uma demonstração de humildade, de igualdade e de capacidade de trabalho."

Ao iniciar a fala, Doria elogiou o vereador Eduardo Suplicy (PT), 75, a quem chamou de "amigo". O petista foi o vereador mais bem votado em São Paulo. Saudou ainda a presença do vice, Bruno Covas, também do PSDB, e de seus familiares.

Doria, 62º prefeito da maior cidade do país, falou em cerimônia na Câmara Municipal, onde 55 vereadores também foram empossados para o mandato até dezembro de 2020. Após o discurso, o tucano seguiu para o Theatro Municipal, também no centro da cidade, em evento de transmissão de cargo no qual receberá o bastão de Fernando Haddad (PT) e em que mais uma vez discursará.

Dos 55 vereadores, ao menos 38 deles devem integrar a base de apoio da gestão tucana. A oposição, ao menos neste início de mandato, será quase simbólica, com 11 nomes, sendo 9 do PT e 2 do PSOL.

Empresário de 59 anos, o tucano foi eleito em primeiro turno com 3,1 milhões de votos (53% dos válidos) e assumiu o cargo com ao menos 118 promessas a serem cumpridas até o final do mandato de quatro anos –a Folha criou uma ferramenta on-line para que o eleitor paulistano possa acompanhar cada um desses compromissos.

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