"Alckmin e o PSDB", por Míriam Leitão


O GLOBO 

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O governador Geraldo Alckmin negou que pretenda sair do PSDB caso não seja escolhido candidato a presidente numa futura prévia do partido. “Vou te dar uma resposta direta. Essa possibilidade não existe, de sair do partido. Se eu disputar uma prévia e perder, eu apoiarei quem ganhou. Essa é a lógica da democracia.” Contudo, alega que ainda é cedo para dizer se disputará a candidatura.

Alckmin é um dos pré-candidatos do PSDB para a disputa presidencial em 2018 e o seu afilhado político, o prefeito de São Paulo, João Dória, deixou isso explícito ao lançá-lo nas comemorações da eleição e da posse. Mesmo assim, Alckmin alega que não tomou ainda a decisão de concorrer dentro do partido. Disse que este ano é de trabalhar muito para vencer a crise econômica, mas faz uma defesa forte do processo de prévias:

— Não é pecado querer ser candidato. É bom ter candidaturas, debates, faz parte da democracia. Eu sou favorável às prévias. O partido precisa aprender a ter democracia dentro de casa. Qual é o recado da rua? Mais democracia, mais renovação. É isso que precisamos fazer.

Em entrevista que fiz com ele, e foi ao ar na Globonews, o governador de São Paulo falou que o estado está ajustado do ponto de vista fiscal, mas com um equilíbrio “apertadíssimo”. Ele disse que o São Paulo perdeu R$ 1 bilhão de arrecadação ao mês porque a crise atingiu primeiro a indústria, que carregou os serviços. Isso afetou muito São Paulo. De qualquer maneira, ele sustenta que a receita caiu tanto em São Paulo quanto no conjunto do país, porém no estado a despesa foi cortada enquanto no país continuou crescendo:

— Nós fomos no detalhe: vendemos helicóptero, avião, reduzimos frota, devolvemos prédio, cortamos aluguel, reduzimos secretarias.

Alckmin não quis criticar os outros estados que não fizeram ajustes ou estão em situação pior. Justificou a crise do Rio lembrando que o estado teve ainda o problema da queda da receita dos royalties. Perguntei sobre a reação dos estados à ideia de redução dos subsídios e incentivos fiscais aos empresários. Ele respondeu que São Paulo não concede muitos subsídios porque na guerra fiscal o estado é apenas “reativo”, mas disse que a diminuição desses incentivos seria quebra de contrato. Ponderei que no Rio o estado não está pagando direito sequer os salários dos servidores e mesmo assim não consegue reduzir subsídio a empresário:

— É errado. Geralmente, a folha de inativos é muito elevada, as estruturas de pessoal são muito caras, mas outro erro é abrir mão de receita. A guerra fiscal é injusta porque ela dá isenção a quem não precisa, em geral multinacionais bilionárias, enquanto a padaria da esquina continua pagando imposto.

Alckmin lembrou que essa distorção poderia ser corrigida com a reforma do ICMS e que a ex-presidente Dilma tinha pensado em usar a multa da repatriação para financiar essa reforma, para compensar o lado perdedor dessa necessária mudança tributária. Mas o dinheiro da multa acabou sendo distribuído aos estados sem estar vinculado à reforma do imposto.

Ele acha que o problema fiscal dos estados tem que ser enfrentado com um princípio da medicina. “Suprima a causa que o efeito cessa”. E a causa da crise é a falta de reformas estruturais na economia brasileira. Acredita que o país está começando a sair da crise de três anos de recessão, situação em que a receita cai mais do que a queda do PIB. Mas a melhora da situação econômica não elimina a necessidade dessas reformas.

O governador acha que “não é normal”o uso das Forças Armadas para conter a crise dos presídios, mas diz que neste momento de emergência pode ser usado esse recurso. Quando perguntado sobre a crise de segurança, ele exibe a queda dos homicídios de São Paulo e sustenta que o estado tem um regime muito rigoroso nos presídios.

Se conseguir ser o candidato do PSDB à Presidência em 2018, certamente fará a campanha afirmando que evitou o pior durante a crise fiscal dos estados e que a taxa de homicídios caiu. Mas quem ficou tanto tempo na administração de um estado tem muitos pontos vulneráveis.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

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