"Águas limpas", artigo de Geraldo Alckmin


Peixes voltaram ao Rio Paraíba do Sul

O GLOBO



Em dezembro de 2015, resolução da ONU reconheceu o acesso ao saneamento básico e à água potável como um direito humano, a partir de constatações como a de que 2,5 bilhões de pessoas no mundo, ou um terço dos seus habitantes, vivem sem acesso a sistemas de coleta e tratamento de esgotos ou mesmo a banheiros adequados.

No Brasil, o quadro também é historicamente desabonador. Estudo do Ministério das Cidades deste ano aponta que mais de 42% dos brasileiros não têm acesso a redes coletoras de esgotos. O tema é urgente e deve ter sua prioridade resgatada em todo o país. A Organização Mundial da Saúde aponta que saneamento básico inadequado afeta a saúde da população, com a proliferação de doenças como zika, cólera, hepatite e febre tifoide, e até a educação de nossos jovens e crianças, com a redução da frequência escolar.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem produzido importantes avanços no setor. Responsável por 28,6 milhões de clientes, promoveu R$ 21,3 bilhões de investimentos de 2007 a 2015. Sozinha, a Sabesp responde por mais de um quarto do que é feito no país em saneamento.

O Vale do Paraíba, localizado na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul, que abastece toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, é um dos exemplos positivos do trabalho que tem sido realizado e do seu efeito benéfico em outras localidades. A entrega pelo Governo do Estado de São Paulo da Estação de Tratamento de Esgoto Pararangaba, no dia 15 de outubro, representou a universalização do saneamento básico de São José dos Campos. Um investimento de R$ 107,8 milhões que gerou 600 empregos diretos e indiretos e proporciona o tratamento de 404 litros por segundo, o equivalente a 17 piscinas olímpicas por dia.

O município passou a ser uma cidade 300% — que tem 100% de água tratada, 100% de esgoto coletado e 100% de esgoto tratado. É uma das três cidades com mais de 600 mil habitantes no Brasil a alcançar tal marca, junto a Curitiba e Uberlândia (MG).

Os avanços da coleta e tratamento de esgoto nas cidades operadas pela Sabesp na região garantiram melhorias para além das divisas de São Paulo. O Rio Paraíba do Sul, um dos principais mananciais do país, já voltou a apresentar boa qualidade de água ao longo de quase toda a sua extensão.

O rio alcança agora o padrão Conama classe II a partir de Queluz, de acordo com relatório da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo de 2015. Na prática, isso representa água limpa para os fluminenses a partir de São Paulo e a volta dos peixes ao Paraíba do Sul, com possibilidade de pesca.

Hoje, os 24 municípios da região do Vale do Paraíba atendidos pela Sabesp coletam 97% do esgoto e tratam 98%, graças à construção de novos sistemas de esgotamento sanitário. Isso é parte do entendimento de que não basta as empresas do setor oferecerem água de qualidade, mas é preciso também reduzir a poluição, seu impacto ambiental e social para as pessoas que vivem próximas ou fazem uso dos rios.

A oferta adequada de saneamento abre as portas para a recuperação dos rios, a saúde, o desenvolvimento sustentável, o emprego e a renda das pessoas e serve de referência para a ampliação das ações na área em todo o Brasil.


*Geraldo Alckmin é governador de São Paulo

Um comentário:

  1. Quando isso vai acontecer com o Tietê, o "o Rio da minha aldeia"?

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