‘Acho que o futuro presidente está entre nós’, diz FHC em encontro de tucanos


Ex-presidente diz que é possível dizer com com facilidade: ‘tenho orgulho de ser do PSDB’

ISABEL BRAGA - O GLOBO


Ao encerrar o evento com os novos prefeitos eleitos pelo PSDB nesta sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entrou na onda otimista dos outros tucanos e também afirmou que o futuro presidente do Brasil estaria entre eles. Rindo, o ex-presidente excluiu ele próprio, brincou com a divisão entre os candidatos tucanos e disse que o partido será capaz de se unir para eleger o próprio presidente em 2018.

— Acho que o futuro presidente está entre nós nessa mesa. Eu não estou na mesa — disse, arrancando gargalhadas e olhando para o local repleto de presidenciáveis entre eles Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin:

— A mesa é muito competitiva. O PSDB não tem divisão, tem líderes . É o único que tem vários e esses vários vão ser capazes de se unir e aí sim, o PSDB vai sim dar o próximo presidente da República e vai sustentar essa transição, até que em 2018, possamos com tranquilidade dizer: não é vencemos, o povo venceu. Cansou da velharia e o PSDB é o novo!

Fernando Henrique foi aplaudido de pé. Falando aos novos prefeitos, FHC disse que será preciso inventar o futuro nas gestões tucanas, saber governar com escassez de recursos e fazer com que as pessoas se sintam partícipes das decisões a serem tomadas para que as políticas sejam aceitas.

— Os desafios são globais, econômicos e sociais, mas sinto o sentimento de mostrar a nossa cara com mais coragem, ter orgulho do que do que fizemos — afirmou.

O ex-presidente disse que há muita similaridade entre o momento que viveu, como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, pós-impeachment de Fernando Collor, e o momento atual enfrentando por Michel Temer. Segundo FHC, em 1990, a situação econômica do Brasil era muito difícil como a de agora e coube a ele, como presidente eleito adotar medidas impopulares, mas necessárias para enfrentar aquele momento. Nas eleições anteriores, muitos candidatos tucanos tinham vergonha de assumir os feitos da gestão dele.

— Durante muitos anos, depois que o PT virou governo, era impossível dizer de público o que fizemos. Havia dúvidas, eram medidas impopulares. Mas eu sempre disse que podemos perder a popularidade, mas não credibilidade. O PSDB teve coragem de fazer coisas impopulares — disse FHC acrescentando:

— Hoje dizemos com facilidade: tenho orgulho de ser do PSDB!

Segundo o ex-presidente, embora estejamos vivendo situação semelhante aos anos 90, a situação atual é pior porque além dos problemas econômicos há o descrédito da população em relação aos políticos. FHC disse que apesar de exageros e de "misturar o joio com o trigo em alguns momentos" a Lava-Jato contribuiu para mudanças importantes, mas levou o povo à desilusão.






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