Para cientista político Antonio Lavareda, PT vai morrer se indicar Lula à presidência em 2018


Lavareda também disse que aumento de "não voto" não é preocupante

Diário do Poder



O cientista político Antonio Lavareda afirmou que para o PT sobreviver nas eleições de 2018, após a devassa da Operação Lava Jato, será preciso “resistir à tentação” de lançar o ex-presidente Lula como candidato a presidente no próximo pleito.

“Em 2018, o candidato ideal vai ser, entre aspas, acompanhado pelo saldo de informações da Lava Jato”, afirmou Lavareda. “A pior opção do PT para 2018 do ponto de vista de reconstrução de sua imagem será resistir à tentação de usar o capital eleitoral do presidente Lula e fazê-lo candidato, porque aí o processo de redefinição de sua imagem será perdido”, completou. 

A afirmação do diretor-presidente da MCI Estratégia e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi feita durante palestra nessa segunda-feira, 10, na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em conjunto com encontro do Conselho Político e Social da entidade, coordenado pelo ex-senador Jorge Bornhausen.

Para ele, por mais que Lula tenha um eleitorado fiel, não é possível trabalhar o que há de positivo em sua imagem sem que isso evoque também o que há de negativo. Lavareda ressalta que achar um nome alternativo será um dos desafios da esquerda, que se fragmentou e se enfraqueceu nestas eleições. A grande vantagem do PT, disse, é o enraizamento que construiu junto a parcela considerável da população.


Alienação eleitoral

Lavareda também afirmou durante a palestra que o número crescente de eleitores que não votaram nas últimas eleições municipais “não é relevante”. “Essa é uma falsa questão. Nosso sistema político tem dezenas de outros problemas com os quais se preocupar”, disse.

Entre as capitais, as maiores taxas de alienação eleitoral (soma dos votos branco, nulos e abstinências) em 2016 foram em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Lavareda chamou atenção para o índice de Manaus (17,6%), justificado pelo cadastro de biometria praticado na capital amazonense. “Será que a população do extremo norte brasileiro tem uma consciência de participação maior do que o Sudeste? Bobagem. Isso tem a ver com a biometria. A biometria é um recadastramento, ou seja, fez uma limpeza no cadastro eleitoral. Ela expurgou as mortes não comunicadas, eleitores que mudaram, então, ela traz um retrato mais próximo à realidade”.

O cientista político lembrou que, entre 2008 e 2012, a alienação eleitoral foi de 22,3% para 28,9% na cidade de São Paulo, subindo mais do que os seis pontos percentuais vistos de 2012 para 2016, quando o índice chegou a 34,9%. “Em 2012, não chamou a atenção de ninguém, porque a mídia estava embevecida com a vitória de Fernando Haddad”, ressaltou.

Para reforçar sua teoria, o Lavareda relembrou que, em 2012, Haddad foi eleito no segundo turno com 39,3% dos votos. "E nenhum jornal estampou a manchete '61% dos paulistanos não votaram no prefeito eleito no segundo turno'. Ou seja, é um não problema".

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