Fragilidade da periferia tocou meu coração, diz Doria


MÔNICA BERGAMO - FOLHA.COM

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Em entrevista à Folha, o tucano João Doria diz que aumento da velocidade das marginais é irreversível e admite que fará cortes para subsidiar a tarifa de ônibus.

Doria disse ainda que o governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político, disputará a indicação do PSDB para a corrida presidencial em 2018 e não deixará o partido mesmo se perder a disputa interna.

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Folha - Antes de ser candidato, o senhor não conhecia a periferia. Agora o senhor conheceu São Paulo, finalmente.
João Doria - Fiz 229 visitas à periferia, em 13 meses. O sofrimento desse povo foi muito impactante. Tenho repetido: eu farei uma gestão com prioridade para os mais pobres.

O senhor não tinha noção de como as pessoas viviam?
Da dimensão desse cinturão de pobreza da cidade, não. E ele será nossa prioridade porque a situação me tocou muito o coração. Ela é de uma fragilidade quase absoluta. Ali precisa ter a mão do Estado, do gestor público.

O senhor diz que não aumentará impostos. E aumentará de outro lado o gasto com subsídio às empresas de ônibus, já que não reajustará as tarifas. De onde virá o dinheiro?
Da boa gestão e da desestatização.

Quem se interessará, por exemplo, pelo Pacaembu, que não recebe shows nem eventos religiosos?
Empresas que organizam eventos na área do futebol. Não vai faltar. Aliás, nós vamos chamar empresas internacionais para participarem de todas as nossas concorrências. Não serão só empresas brasileiras, não.

Quanto o senhor espera arrecadar com privatização?
Em torno de R$ 7 bilhões, em três anos, só com Anhembi e Interlagos. O recurso vai 100% para saúde e educação.

Mas se o dinheiro vai todo para educação e saúde, de onde sairão, afinal, recursos para subsidiar a tarifa, que hoje já chega a R$ 1,8 bilhão?
Da melhor gestão do orçamento.

Mas vai ter que cortar recurso de algum outro lugar.
Claro.

De que lugar?
Com boa gestão, você consegue tirar recursos de onde não há necessidade e subvencionar o que é necessário. Não haverá aumento de tarifas de ônibus até 31 de dezembro de 2017. Mas tem que ficar claro: não vamos oferecer nenhuma outra gratuidade além daquelas muitas que já existem no acesso ao transporte público [Fernando Haddad tinha prometido passe livre para desempregados].

O senhor eliminará ciclovias já instaladas?
Ciclovia que não tem ciclista não vai ser continuada. E tem muitas nessa situação. Onde elas estão operando, como mobilidade urbana ou lazer, serão mantidas. E, sobre calçadas, elas não serão mantidas em hipótese nenhuma. A periferia tem abundância de ciclovias em cima de calçadas. Aí, não. O pedestre tem o direito de utilizar as calçadas para caminhar.

A redução de velocidade nas vias das cidades é recomendada pela ONU e já foi adotada em várias capitais do mundo, com redução de acidentes. Por que essa fixação em aumentar velocidade das marginais se a redução teve bom resultado?
Você deveria dirigir essa pergunta ao governo do Fernando Haddad. Por que essa fixação nas marginais? Se é perfeitamente possível [aumentar]? Nas ruas e avenidas da cidade as velocidades serão mantidas. Nas marginais, mudam as velocidades na semana seguinte [da posse].

Mas o senhor concorda que carro que anda mais devagar corre menor risco?
Se for assim, coloca tudo a 10 km/h. Você acha razoável que às 4h o motorista tenha que andar a 60 km por hora?

É mais seguro.
Então as pessoas não vão mais viajar porque a velocidade nas estradas é bem maior. As marginais são vias expressas. Não tem travessia. A decisão está tomada. E vai ser adotada. Pode piar, pode reclamar. Ela vai ser adotada.

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