Em entrevista, Doria diz que Alckmin disputará prévia e que levará cisne para Lula em Curitiba


Alckmin fica no PSDB mesmo se perder prévia, diz Doria

MÔNICA BERGAMO - FOLHA

João Doria, eleito para prefeito de São Paulo durante entrevista para a Folha 
Marlene Bergamo/Folhapress 

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria Jr., recebeu a Folha nesta manhã para uma entrevista exclusiva em seu escritório, no Jardim Paulistano.

Antes de começar a conversa, ele colocou um relógio na mesa, para marcar o tempo e não deixar a agenda de compromissos desandar.

Na entrevista, Doria esmiuçou propostas de governo e reafirmou que o governador Geraldo Alckmin é seu candidato a presidente em 2018.

Disse, porém, acreditar que, mesmo perdendo as prévias partidárias, já que o seu adversário direto, Aécio Neves, tem força na máquina do PSDB, o governador paulista não deixará o partido para se lançar pelo PSB, que já fez o convite.

"Geraldo Alckmin é tucano. É homem de um único partido, a vida inteira", afirma o novo prefeito.

Ele repetiu também que visitará o ex-presidente Lula em Curitiba, insinuando que o ex-presidente pode ser preso em consequência das investigações da Operação Lava Jato.

Questionado se não poderia ter que visitar também tucanos, já que alguns, como Aécio Neves e José Serra, também estão citados em delações, ele afirmou que não temer a possibilidade. "Citado não é indiciado", afirma.

Leia abaixo a primeira parte da conversa:

*

Folha - Como o senhor está se sentindo hoje como político?
João Doria - Eu não sou político. Eu sou prefeito eleito da cidade de São Paulo.

Mas uma pessoa que se filia num partido, disputa uma eleição, é eleito, é político. Por que essa insistência em negar os fatos?
Porque eu não sou. Eu sou um gestor, um administrador, e continuarei a sê-lo na política.
Eu não nego a política nem os políticos. Eu sou filho de um [político]. Eu tenho o maior respeito pela classe política, como tinha um enorme respeito pelo meu pai, como todos sabem. Mas eu sou um gestor, um administrador.
O Michael Bloomberg (2002-2013) foi prefeito de Nova York. Aliás, foi reeleito, e eu não pretendo concorrer à reeleição. Ele sempre foi um administrador. Ele nunca se considerou um político. E foi um bom gestor da cidade de Nova York. Quero seguir na mesma linha. Eu sou um ges-tor [dividindo bem as sílabas].

Uma das primeiras coisas que vocês fizeram depois da vitória foi lançar o Geraldo Alckmin para presidente da República.
Quem lançou foram os filiados e militantes, mais de mil pessoas que estavam naquele momento no diretório. Evidentemente que ele é o meu candidato. Mas eu não fiz o lançamento até porque eu defendo as prévias partidárias também para a indicação do nome do PSDB para a Presidência da República. Eu sou um defensor das prévias. Eu sei a importância das prévias. Eu sou resultado delas.

Aécio Neves tem o controle da máquina partidária e grande chance de vencer uma prévia. Não pode ocorrer um racha? E, nesse caso, Alckmin aceitaria a vitória adversária ou sairia do partido? Iria para o PSB, como sempre se aventa?
Geraldo Alckmin é um democrata na acepção plena. Ele jamais teria essa atitude.
Geraldo Alckmin é tucano. É homem de um único partido, a vida inteira. Eu conheço a índole dele. Geraldo Alckmin é PSDB do começou ao fim. Ele fica. Assim como os outros, se perderem, também não saem do partido.
Agora, o governador tem características bastante expressivas para comandar o país. Tem trajetória. Foi governador quatro vezes. É um homem correto, fundador do PSDB, um homem com dimensão nacional. Já disputou a presidência da República, ganhou do presidente Lula em São Paulo, o berço do PT, no auge da era Lula.

Ele não representa justamente a velha política, que o senhor tanto critica?
Não. Eu classifico aí a velha política de outra maneira. A nova política são os que fazem a política de forma correta. São os seguidores de Franco Montoro, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso. A velha política é a dos que usam métodos não republicanos para se manter na política ou chegar a ela.

O senhor disse uma frase que repercutiu muito, a de que vai visitar o Lula em Curitiba depois que ele for condenado nas investigações da Operação Lava Jato.
E é isso mesmo. Visitarei o ex-presidente Lula em Curitiba. Vou levar chocolates para ele lá.

Mas há também lideranças tucanas citadas na Operação Lava Jato, como por exemplo José Serra e Aécio Neves.
Citado é uma coisa, indiciado é outra. Eles não estão indiciados. O presidente Lula está indiciado na Lava Jato. Muitos dos representantes do PT já estão condenados, presos, cumprindo pena. Então e diferente.

O senhor não acha que corre o risco de visitar também um tucano em Curitiba?
Não. Toda investigação tem que ser concluída. Mas seguramente o presidente Lula será a primeira visita que farei. Levarei chocolates para ele. E um cisne. Um cisnezinho. Ele gosta tanto de cisnes [referindo-se a pedalinhos comprados pela família do ex-presidente e colocados no lago do sítio em Atibaia, frequentado por ele]. Levarei um pequeno cisne.

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