ABC simboliza declínio do PT e força de Geraldo Alckmin


Os dois únicos candidatos petistas que disputam para o segundo turno têm poucas chances na região que já foi chamada de ‘Cinturão Vermelho’

Valmar Hupsel Filho - O Estado de S.Paulo


Foto: DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO

Depois de perder as duas mais importantes cidades do Estado (São Paulo e Guarulhos) no primeiro turno, o PT pode sair hoje com mais um importante revés, desta vez em seu berço político. Se confirmadas as pesquisas de intenção de votos, a partir do ano que vem nenhuma das sete cidades do Grande ABC será administrada por um prefeito petista – a primeira vez que o fenômeno aconteceria desde 1982, quando Gilson Menezes foi eleito, em Diadema, o primeiro prefeito da história do partido.

Os dois únicos candidatos petistas que foram para o segundo turno no Grande ABC – Carlos Grana, que tenta a reeleição em Santo André e Donizete Braga, em Mauá, têm poucas chances de sucesso. A perda de espaço do PT na região que já foi chamada de “Cinturão Vermelho” abre caminho para os “azuis”. PSDB e partidos aliados do governador Geraldo Alckmin podem eleger prefeitos em todos os sete municípios do Grande ABC – Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

O avanço na região é importante para os planos de Alckmin não só de eleger sucessor mas se creditar para uma eventual candidatura à presidência da República em 2018. Não por acaso, às vésperas do segundo turno o tucano marcou presença na região e participou de agendas de aliados. Entre terça e quinta-feira passada esteve em Mauá, São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André.

Nas três últimas cidades, repetiu o rito que costuma seguir quando está em campanha. Percorreu as ruas do comércio, cumprimentou eleitores, posou para selfies e encerrou a caminhada tomando cafezinho em uma padaria. Por diversas vezes sorriu quando foi chamado de “presidente”. Enquanto os candidatos dessas quatro cidades adotaram o discurso comum de afirmar que o foco principal de suas candidaturas era “tirar o PT do poder”, Alckmin, preferiu tom mais ponderado.

Em Mauá, disse ao Estado que o avanço na região antes dominada por petistas é uma “mudança histórica” que retrata bem a “derrocada do PT”. Mas quando istado a falar sobre 2018, disse que “é um outro momento”. 

Em São Bernardo, o tucano disse que este é um momento de “esperança” e de “mudança de página”. “Isso representa uma mudança importante de governo, de partidos, de filosofia de trabalho. Acho que é um outro momento”, disse.

Em Santo André, foi indagado se o resultado da eleição o credencia para uma eventual candidatura à presidência, uma pergunta que passou a ouvir com mais frequência após a eleição do apadrinhado João Doria no primeiro turno em São Paulo.

“A eleição municipal representa as questões locais mas é claro que ao final dessa eleição alguns partidos saem muito enfraquecidos, com é o caso do PT, e outros saem mais fortalecidos. Mas cada eleição tem seu momento”, disse. Questionado se já está em campanha, Alckmin apenas sorriu e disse “Não, não”. E tentou repetir a piada que costuma fazer quando se vê nessa situação, de que “só será candidato se for à presidência do Santos Futebol Clube” mas foi interrompido.

No PT, o resultado da eleição fez o partido se voltar para dentro e adotar o da autoavaliação. Para o presidente do diretório estadual em São Paulo, Emídio de Souza, o fenômeno no ABC é simbólico, mas representa o que aconteceu com o partido em nível nacional. “O PT teve uma derrota política importante, sabemos reconhecer isso, mas não é uma situação específica do ABC. É um processo nacional”, disse.

Acossado por denúncias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou de agendas de campanhas de candidatos petistas, como fez no primeiro turno. O papel ficou a cargo do vereador eleito Eduardo Suplicy, que caminhou pelas ruas de Santo André ao lado de Grana na sexta-feira passada. 

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