Entrevista do Geraldo Alckmin à Folha Metropolitana


Eurico Cruz e Vicente de Aquino - Folha Metropolitana


Nascido em Pindamonhangaba, Geraldo Alckmin (PSDB) já acumula quatro mandatos à frente de um dos Estados mais importantes do País. Na última quarta-feira, 21, convidou a reportagem para uma entrevista no Palácio Bandeirantes.

Entre os principais focos da atual gestão está a geração de empregos. Além das vagas criadas com a criação de novas linhas e da extensão de outras do Metrô e da Companhia Palista de Trens Metropolitanos (CPTM), conforme foi publicado na edição da Folha Metropolitana do dia 22 de setembro, Alckmin ressaltou que o Rodoanel também faz com que a roda da economia continue a girar e a empregar mais pessoas.

Além da mobilidade, habitação e mesmo a recuperação da Mata Nativa da cidade, feita pelo Programa Nascentes, também fazem parte do esforço do Governo do Estado para investir no crescimento da cidade e gerar mais postos de trabalho em um momento que o Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados. Mesmo programas de combate a dengue colaboram para a economia geral.

Sobre o fantasma da crise hídrica, o governador garantiu que o Estado será o mais resilente contra as mudanças climáticas.

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Folha Metropolitana – São Paulo ainda corre risco de sofrer uma crise hídrica?
Geraldo Alckmin – São Paulo será o Estado mais preparado para as mudanças climáticas. Nós estamos aumentando a capacidade de reserva, então quando chove demais você guarda e quando fizer seca demais você terá reserva. E estamos diversificando. Nós estávamos muito dependentes do Cantareira, que respondia por 40% do abastecimento da Região Metropolitana. Ele é um ótimo reservatório da década de 1960, mas ele é pequeno. Esse verão teremos de abrir a comporta. Ele enche rápido, mas esvazia rápido. Ainda tem Campinas que depende do Cantareira, são 27 milhões de pessoas. Então com o Rio São Lourenço você traz água nova para 2,5 milhões de pessoas e o Paraíba socorre o Cantareira porque você interliga bacias. Nunca existe essa certeza de solução, mas o chamado prazo de recorrência é altíssimo, São Paulo terá o maior sistema de resilência do Brasil.

Como funciona a lei sancionada este mês que pune empresas que vendem produtos frutos de roubo?
A maneira mais eficiente de combater o roubo de carga é combatendo o receptador. Se você não tiver quem venda não adianta roubar carga. Nós fizemos uma lei porque muitas vezes a pessoa dizia que não estava sabendo que o produto era roubado. A lei vai ser um marco, se você pegar a empresa vendendo produto roubado ela vai responder, vai ter direito de defesa, mas pode chegar até a cassação da escritura estadual da empresa.

Quando as vacinas para dengue vão ser liberadas?
Nós estamos na última fase, fase três, de testes clínicos. Vamos testar nas cinco regiões do Brasil, de Boa Vista, em Roraima, até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A vacina é tetravalente, ela é contra os quatro tipos de vírus da dengue. Para pegar os quatro tipo de vírus tem de estar no Brasil inteiro, em São Paulo só há dois tipos, 1 e 2. Se tudo der certo teremos 17 mil pessoas vacinadas, tudo controlado, inclusive por órgãos internacionais. A fábrica, do Butantan, fica pronta até o final do ano.

Como está o andamento do programa de recuperação da Mata Nativa no Estado?
Nós já plantamos mais de um milhão de mudas nativas sem gastar nenhum centavo. Tudo feito nas penitenciárias. Todas as mudas são os presos que fazem. Temos 23 penitenciárias que disputam entre si. O preso gosta porque cada três dias de trabalho reduz um dia de pena. Não são só áreas do governo, tem que recompor a mata ciliar. Quem vai pagar? Quem tem compensação ambiental. Alguém que fez um shopping center, concessionária de rodovias. O empresário tem de fazer a compensação ambiental e precisa ter terra, então ele planta lá e mantém. Você dá emprego aos trabalhadores pelas cooperativas, as ONGs fazem os projetos, o dono da terra cumpre a lei, quem tem compensação ambiental tem o lugar para investir. Além disso, estamos reformando todas as escolas com os presos. Nós temos 232 mil presos. O Estado tem 22% da população brasileira e 38% de toda a população carcerária, por isso que caiu o homicídio em São Paulo, porque se tira o criminoso da rua.

Na questão da moradia, quantas Parcerias Público Privada estão em andamento? 
Nós temos duas PPPs. Uma em execução que é a chamada PPP do Centro Expandido, que tem o intuito de trazer de volta as pessoas para morarem no Centro de São Paulo. Tem toda a infraestrutura e não tem as pessoas morando. Chega de noite, fica a esmo e prejudica a segurança. Então, em novembro nós vamos entregar os primeiros dois prédios na Rua São Caetano, ali na Luz. Já está pronto e começaremos nas próximas semanas mil e duzentos apartamentos, mais comércio, onde era a rodoviária de São Paulo, em frente à Estação da Luz.

A outra em andamento é a da Fazenda Albor?
Sim. A Albor nós vamos licitar, a esquina da Dutra com o Rodoanel, pega Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba pode dar mais de oito mil unidades habitacionais e o principal: emprego. Você vai ter empresas de logística, comércio, pode ter indústria, não é só casa, é uma cidadezinha, isto está já na fase de audiência pública, talvez os próximos dois três meses publicamos o edital.

Existe satisfação com o desempenho de Doria nesta campanha à Prefeitura?
Acho que ele tem chance, está fazendo uma boa campanha, muito propositiva, acho que São Paulo pode dar um salto de qualidade em termos de gestão, recuperar a cidade, voltar a ser uma terra de oportunidades, de emprego, renda. Nenhuma eleição é fácil, mas acho que ele tem boas chances de ir para o segundo turno e, se for, ganha eleição, porque segundo turno é rejeição e ele tem a menor rejeição de todos.

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