Senado inicia julgamento final do impeachment de Dilma


Nesta fase, serão apresentadas questões de ordem e ouvidas as testemunhas

EDUARDO BRESCIANI E CRISTIANE JUNGBLUT - O GLOBO

O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski 
André Coelho / Agência O Globo

O Senado iniciou às 9h33m o julgamento final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, com mais de 30 minutos de atraso e 28 senadores presentes. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, comanda os trabalhos, que deverão durar até o meio da próxima semana. Serão necessários 54 votos para afastar Dilma definitivamente do cargo. (INFOGRÁFICO: passo a passo do julgamento final)

Lewandowski chegou ao plenário às 9h12, quando 13 senadores haviam registrado presença. Nessa primeira fase serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. O primeiro a falar, indicado pela acusação, é Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e responsável pelas representações que levaram a corte a debater as pedaladas fiscais e os decretos de crédito suplementar. Os senadores aliados da presidente afastada, porém, pretendem apresentar diversos questionamentos regimentais no início dos trabalhos para tentar suspender ou, ao menos, adiar o julgamento.

Respondendo a uma intervenção do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o presidente do STF afirmou que não há prazo para acabar o julgamento.

— Esse julgamento tem prazo para começar e não tem para terminar. Desenvolveremos nosso trabalho respeitando todo o processo legal — disse Lewandowski.


PRIMEIROS EMBATES

O petista reclamou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teria prometido ao presidente interino Michel Temer concluir o julgamento na próxima terça-feira. Lindbergh criticou Renan por ter se reunido com Temer na noite dessa quarta-feira. Após a resposta de Lewandowski, senadores defenderam Renan.

— O senador Lindbergh não questionou quando o presidente Renan esteve com Dilma. Não há que se estranhar que um chefe de poder mantenha contato com chefe de outro poder — disse o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima, que complementou:

— Tem sido essa a estratégia, de procrastinação, retardamento e chicana pela defesa que, a rigor, não conseguiu apresentar a defesa, mas sim meras desculpas.

O julgamento se inicia justamente na semana em que o presidente interino Michel Temer enfrenta a pior crise em sua base aliada desde que ascendeu interinamente ao poder, com o confronto entre PSDB e PMDB em torno do compromisso com o ajuste fiscal.

A previsão é de que os depoimentos das testemunhas sigam até sábado. Está marcado para a próxima segunda-feira o interrogatório de Dilma, que deve ser o ponto alto do julgamento. Ela fará um pronunciamento inicial e responderá a perguntas dos senadores.

Na terça-feira os senadores farão os debates, com dez minutos para cada um. Pelos prazos, a previsão é que o resultado só seja conhecido na madrugada de quarta-feira.

A presidente afastada será julgada pela acusação de ter praticado crimes de responsabilidade devido aos atrasos de repasses do Tesouro ao Banco do Brasil por despesas do Plano Safra (de crédito agrícola) e à edição de decretos de crédito sem autorização do Congresso. De acordo com o Senado, esses atos violariam dois artigos previstos na Lei de Impeachment.

Na contagem de votos, tanto na base aliada do presidente interino quanto na oposição, comandada pelo PT, há número suficiente para a condenação de Dilma. Até a noite de quarta-feira, 52 senadores haviam declarado ao GLOBO voto favorável ao impeachment. São necessários 54 votos (dois terços do total dos 81 senadores) para cassar o mandato. Reservadamente, senadores que evitam se manifestar publicamente admitem que se posicionarão contra Dilma, o que torna muito difícil a tentativa da petista de reverter o cenário.


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