Dilma será investigada por tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato


GABRIEL MASCARENHAS E AGUIRRE TALENTO - FOLHA.COM


A presidente afastada Dilma Rousseff tornou-se formalmente investigada sob suspeita de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato, por decisão do ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), em despacho assinado nesta segunda-feira (15).

Teori determinou a abertura de inquérito para apurar as condutas de outras seis pessoas, além de Dilma: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-ministros petistas José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante e ainda os ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Francisco Falcão, atual presidente da corte, e Marcelo Navarro.

O ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que assinou delação premiada, também é alvo da investigação.

A suspeita é que todos participaram de tentativa de atrapalhar o andamento da Lava Jato.

Com a abertura oficial do inquérito, começam a ser realizadas as diligências solicitadas pela Procuradoria Geral da República (PGR). A investigação corre sob sigilo, por isso não há detalhes sobre o seu teor, mas a abertura foi confirmada pelo STF.

A Folha apurou que Teori determinou, entre as diligências, a tomada de depoimentos e a obtenção de registros de visitas de Marcelo Navarro ao Senado, dentre outras.

O pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem como base, dentre outros elementos, a delação premiada de Delcídio.

Em seus depoimentos, o ex-senador afirmou que Dilma indicou Marcelo Navarro para o cargo de ministro do STJ, com ajuda de Cardozo e Francisco Falcão, sob o compromisso de que ele votasse pela soltura de presos pela Operação, dentre eles empreiteiros.

O PGR também levou em conta a nomeação de Lula para a cadeira de ministro da Casa Civil. Os investigadores sustentam que a escolha do ex-presidente tinha por objetivo garantir foro privilegiado ao petista e, consequentemente permitir que seus inquéritos saíssem das mãos do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Já Mercadante entrou no pedido porque foi gravado em uma conversa com um assessor de Delcídio oferecendo ajuda para soltar o senador. Segundo depoimento de Delcídio, Mercadante teria atuado a pedido de Dilma para tentar impedir sua delação.

A Lava Jato levou à prisão os executivos das principais empreiteiras do país e atingiu, dentre outros partidos, líderes de primeiro escalão do PT, como o ex-presidente Lula, réu na Justiça Federal do Distrito Federal por tentar atrapalhar a delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró.

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