Haddad corta passe livre de alunos que estudam na Grande SP


Folha.com


Pelo menos 9.000 estudantes que moram em São Paulo e estudam na região metropolitana tiveram seus passes livres suspensos, agora em julho, pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

É o caso de Luanna Gabriely Mendes do Nascimento, 21, que mora no Grajaú, na zona sul da cidade, e estuda história na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Guarulhos (Grande SP).

Luanna conta que desde o ano passado recebe a cota do passe livre para poder estudar em Guarulhos, mas quando foi utilizar o bilhete no começo do mês percebeu que o benefício não havia sido liberado. "Desde o ano passado, as cotas caem sempre no primeiro dia do mês, mas isso não aconteceu agora. Do nada, não tínhamos mais o benefício".

Para ir até a universidade, a estudante conta que precisa pegar um ônibus até a estação Grajaú, da linha 9-esmeralda da CPTM, mais duas baldeações até chegar na estação Armênia, da linha 1-azul do Metrô, onde pega um ônibus intermunicipal. "Sem o passe livre, gasto mais de R$ 24 para ir e voltar. Na segunda, eu não fui para faculdade. Nos demais dias consegui uma carona com o meu irmão, mas muitos dos meus amigos faltaram", disse Luanna.

A estudante diz ainda que muitos de seus colegas também foram prejudicados pela suspensão do passe livre. Segundo Luanna, alguns de seus amigos entraram em contato com a SPTrans (empresa municipal que administra o transporte público) e foram informados de que não teriam direito ao passe livre porque não estudavam na cidade e que nunca deveriam ter recebido o benefício.

A Secretaria Municipal de Transportes informou que um erro de processamento fez com que os estudantes deixassem de receber o benefício no início do mês de julho. "O problema será corrigido com a máxima urgência e as cotas disponibilizadas a partir da próxima sexta-feira (8)", disse, em nota, a pasta. Atualmente, segundo a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), 664.791 estudantes são beneficiados com o passe livre.

A estudante disse à Folha que houve a liberação do benefício entra noite desta quarta (6) e a manhã desta quinta (7), mas que muitos de seus colegas ainda não tiveram o benefício restabelecido.

A gratuidade é válida para alunos do ensino fundamental e médio da rede pública, de universidade pública com renda familiar per capita de até R$ 1.182 e de universidade privada beneficiários do ProUni (Programa Universidade para Todos), Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), bolsa universidade ou cotas sociais.

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) informou que vai rever a portaria e adaptá-la ao atendimento de todos os estudantes que hoje têm direito ao passe livre. De acordo com a secretaria, a portaria que regulamenta a isenção do pagamento aos estudantes exige que a instituição de ensino deva estar localizada dentro do município de São Paulo. 

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