Governador Geraldo Alckmin anuncia início dos testes clínicos da fosfoetanolamina sintética


Pesquisa pioneira do Governo de São Paulo será conduzida pelo Icesp


O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta quinta-feira, 21, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes que a pesquisa clínica pioneira para testar a fosfoetanolamina sintética no tratamento do câncer terá início na próxima segunda-feira, 25 de julho. Os testes em humanos, que será conduzido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), na capital paulista, será possível já que a realização do estudo foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Ministério da Saúde.

“A partir de amanhã os pacientes começarão a ser contactados, para já na segunda-feira, darem início ao tratamento”, explicou o governador. “Cada paciente tomará três comprimidos por dia e a nossa expectativa é que em dois meses já será possível uma análise da eficácia da substância, se houve regressão e em que tipo de câncer e, a partir daí, ampliar ou não os testes, podendo chegar até mil pessoas”, completou Alckmin.

É a primeira vez na história que a fosfoetanolamina sintética será testada em humanos, por iniciativa do governo de São Paulo, visando analisar a eficácia da substância no combate ao câncer. O estudo prevê uma primeira fase, em que serão avaliados 10 pacientes para determinar a segurança da dose que vem sendo utilizada na comunidade. Após essa primeira etapa, caso a droga não apresente efeitos colaterais graves, a pesquisa prosseguirá.

No estágio 1, está previsto a inclusão de mais 21 pacientes para cada um dos 10 grupos (tipos) de tumor: cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto (intestino), colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. Os candidatos passarão por triagem e deverão preencher os critérios de elegibilidade para determinar a segurança da droga. Se observados sinais de atividade da substância nessa fase, o estágio 2 se iniciará com mais 20 participantes em cada grupo.

Progressivamente, desde que se comprove atividade relevante, a inclusão de novos pacientes continuará até atingir o máximo total de 1.000 pessoas (100 para cada tipo de câncer). A estratégia adotada permitirá melhor compreensão da droga. Todos os pacientes serão monitorados continuamente por uma equipe multiprofissional com larga experiência em testes clínicos, no Icesp.

O Icesp recebeu da Fundação para o Remédio Popular (Furp), laboratório oficial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, cápsulas suficientes da substância para realizar a pesquisa. A sintetização da fosfoetanolamina foi feita pelo laboratório PDT Pharma, localizado no município de Cravinhos, interior paulista. A Furp encapsulou a substância e entregou ao Icesp. O pesquisador aposentado da USP de São Carlos, Gilberto Chierice, tem acompanhado todo o processo.

“O projeto de pesquisa clínica foi desenhado sob a ótica de especialistas de alto conhecimento técnico. Nossa prioridade é a segurança dos pacientes, por isso, nesse primeiro momento, vamos avaliar, com grande responsabilidade, se a droga é segura e se há evidência de atividade. É um processo extenso, que deve ser acompanhado com cautela”, destaca o oncologista Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp.

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