Presidente francês diz confiar 'nas instituições e no povo' brasileiros


FERNANDA ODILLA - FOLHA.COM


Presidente da França, François Hollande e o ministro José Serra
Foto: reprodução do Facebook do ministro José Serra 


Ao defender que os diferentes atores políticos encontrem saídas para tensões e conflitos na América Latina, o presidente da França, François Hollande, afirmou nesta terça-feira (31) que confia nas "instituições e no povo brasileiro para superar as dificuldades".

A referência ao Brasil foi feita de forma breve e sem detalhes. Hollande citou o Brasil na presença do ministro José Serra (Relações Exteriores), durante o discurso de encerramento da semana da América Latina na França, no palácio do Eliseu, sede da presidência francesa em Paris.

"As situações continuam muito tensas, em especial na Venezuela. Em nome dos laços de amizade que une os dois países, a França encoraja os atores políticos a um encontrar por meio do diálogo uma saída para a crise. Da mesma forma, no caso do Brasil, a França confia nas instituições e no povo brasileiro para superar as dificuldades, no respeito da lei", afirmou Hollande, que também citou as negociações de paz na Colômbia, próximas de um desfecho.

Questionado se concorda com o fato de o presidente francês ter colocado o Brasil num contexto de crise na América Latina, ao lado da Venezuela, Serra minimizou.

"Não entendi assim. Ele disse, no que se refere ao Brasil, que confia nas instituições democráticas. O que é diferente de outras, não disse que não confia nas instituições democráticas da Venezuela", afirmou.

Disse ainda que o discurso de Hollande "não deixa de ser um reconhecimento que o processo brasileiro está seguro do ponto de vista da democracia".


VENEZUELA

Assim como Hollande, Serra também falou da Venezuela. Afirmou que existe uma "multiplicidade de iniciativas" para resolver a crise política e econômica naquele país. Deixou claro, contudo, que o Brasil vai defender uma única solução.

Serra citou que, além da proposta apresentada pelo secretária-geral da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), há ainda uma tentativa da própria Venezuela que sugeriu um encontro para discutir sua situação e também uma proposta da OEA (Organização dos Estados Americanos).

"Evidentemente que favorecemos um entendimento, se ele for possível, que não seja apenas uma forma de postergar a atual situação. Vamos forçar uma posição de caminho único de negociação", disse Serra, que já havia se encontrado, na segunda (30), com o Ernesto Samper da Unasul para discutir o caso da Venezuela.

O ministro está em Paris para várias rodadas de negociações comerciais, entre elas com a União Europeia, Estados Unidos e Canadá. Participa nesta quarta-feira (1º) de encontro na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ou Econômico).

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